Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue
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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tenho um amigo...

Tenho um amigo que veio cá ver-me.
Ei, ó Gina, há tanto tempo e tal.
Pois é 'migo, então, conta coisas.
Conta que logo de manhã fez que não viu um vizinho, que se impacienta com o raio do homem, que lhe conta sempre as mesmas merdas e o caneco, que porra pá.
Bom, não acrescento mais nada que isto: este meu amigo continua na mesma, igual, igual, igual. Pois.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Tenho um amigo

Tenho um amigo que me ofereceu uns quinze dióspiros. Gosto tanto. Lambuzo-me toda e assim. Depois limpo-me, lavo-me e coiso. Pronto, por agora era isto. Mas há mais. Os dióspiros traziam com eles uns insetos como as pulgas mas que davam saltos mais lentos e eram tipo as moscas em tamanho pequeno. É a mosquinha da fruta, bem sei, mas é mais giro dizer que são uns insetos como pulgas mas que dão saltos mais lentos e são tipo as moscas em tamanho pequeno, não é. É. Enxotei-as todas. Os dióspiros tinham lá dentro umas manchinhas, umas coisinhas pequeninas, muito pequeninas, cutchi-cutchi, de que não fiz caso, mal seria se fossem as pulgas com ares de mosca, não é. É. Assim tipo terem entrado para dentro da polpa e morrido afogadas. É consabido que a polpa dum dióspiro é composta por montes de humidade, não é. É. As pulgas com ares de mosca morrerem afogadas na polpa deveras húmida dos dióspiros é portanto presumível, não é. É.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Tenho um amigo

Tenho um amigo que tem um amigo que vende aqueles fumos saudáveis, nos quais imensas pessoas confiam para lhes retirar o vício de fumar e ainda estarem a fazer um bem do caraças a si mesmos. O meu amigo contou-me que o amigo dele lhe contou que aquelas cenas dão uma sensação de bem-estar, que se fica calmo (e assertivo...?!).
Tipo assim como quando se fuma uma ganza, perguntei eu ao meu amigo. Pois, respondeu ele.
Então é assim, já não preciso viver perigosamente à procura dos dealers para adquirir uma simples ganza, que eu cá ainda sou virgem nesse campo e queria muito tirar-me os três. O que tenho a fazer é ir à loja do amigo do meu amigo e pronto. Tão fácil. Sim, sei onde é. Ah ah.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bolo Azul

E não é que concretizei aquele desejo fremente de fazer um bolo azul? Pois é, não é. É. Mesmo anteriormente considerando que não, deu para preparar este bolo no fim-de-semana passado e, tal como anunciei aqui, fi-lo então em azul por conta de ter corante dessa cor a sobrar. Depois, quiçá não contente com o colorido que deixei na mesa da cozinha e um tiquinho, uma coisinha mesmo de nada, nas cortinas, ainda pintei as natas que cobriram o bolo. Celeste, o bolo. Ah, então e as amoras? As amoras coloquei-as por cima das natas que havia colocado por cima do bolo. As amoras que a minha amiga colheu para mim. Escolhi as amoras como toque final porque coloridamente falando é fruto que vai buscar os azuis.
Deixo a receita deste bolo azul logo abaixo da imagem.




Bolo Red Velvet mas em Azul

Ingredientes
200 mililitros de leite
1 colher de sopa de sumo de limão
1,5 cup de açúcar branco
100 gramas de manteiga amolecida
2 ovos
1 colher de sopa de corante alimentar*
1 colher de chá de essência de baunilha
2,5 cups de farinha sem fermento
1 colher de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de vinagre
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
200 mililitros de natas
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de corante alimentar*
amoras q.b.

Prepara-se o buttermilk, juntando o leite e o sumo de limão numa caneca. Deixa-se repousar.
Liga-se o forno nos 160º.
Unta-se uma forma de manteiga e polvilha-se de farinha. Reserva-se.
Bate-se o açúcar com a manteiga até branquear.
Junta-se os ovos, um a um e bate-se.
Adiciona-se o corante e a baunilha e mexe-se até ligar.
Depois é hora de colocar o buttermilk, que entretanto está uma mistura talhada, e a farinha e o cacau que entretanto se peneirou, alternadamente.
Quando a mistura se apresentar homogénea e, neste caso, azul, misturar o vinagre e o bicarbonato de sódio numa tacinha. Vai borbulhar, é a reação normal, despeja-se na massa e mexe-se. Coloca-se a massa na forma e introduz-se a meio do forno. Este bolo coze em mais ou menos 40 minutos.
Quando cozido retira-se, deixa-se arrefecer completamente e desenforma-se.
Bate-se as natas, o açúcar e o corante até ficar uma mistura firme.
Cobre-se o bolo e decora-se com amoras.

*Os corantes são obviamente facultativos, uma vez que não alteram em nada a textura e o sabor do bolo. Em querendo pode confecionar-se o bolo sem o colorir.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Tenho uma amiga

Tenho uma amiga que tem por hábito batizar as plantas do seu quintal com os nomes da roda de amigos. O meu não consta. Ainda. Vou oferecer-lhe uma flor muito linda que vi na florista, tem um caule compridíssimo, para aí uns trinta centímetros, e as pétalas são médias, num tom rosa esbatido, e também as há em branco. Não recordo mais pormenores da flor, desconheço-lhe o nome, mas lá que é linda, é. Este plano existe porque num dia em que a visitei e andámos as duas a passear, quando passámos junto a uma florista ela estacou e admirou uma flor dessa espécie, dando mostras de a querer comprar, depois fez um gesto resignado e desistiu. Foi por isso que me lembrei de um dia desses lhe oferecer uma daquelas lindas flores, tenho a certeza que a batizará com o meu lindo nome, não espero menos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Tenho uma amiga

Tenho uma amiga que me emprestou um livro. Bom, na verdade a minha amiga emprestou-me 'O Monte dos Vendavais' de Emily Brontë, portanto o que a minha amiga fez foi emprestar-me o livro. Minutos antes ela andara de roda da sua estante e eu esperara-a sentada na pontinha do seu sofá. Do corredor, numa voz lá longe, chegaram-me questões: se eu gostava deste ou daquele, se estaria interessada no género esotérico e tal. Vai daí disse impulsivamente que não. É então que ela me propõe algo suave e me coloca na frente o tal livro. Sempre quis lê-lo e, por alguma razão, acho que a razão aqui se chama destino (gosto tanto desta ideia, então e o chavão 'quis o destino'...? ah, que amor), nunca me deparei com uma oportunidade tão capaz como esta que agora descrevo. Então e sempre quis ler este livro porquê, não é. É. Porque esta autora é uma das manas Brontë e da outra mana (serão duas ou três? não sei...), Charlotte Brontë, li 'A Paixão de Jane Eyre' na adolescência e foi livro para nunca mais esquecer. Sem o facto de elas serem irmãs nada mais acrescento como motivo para tão grande desejo. Talvez desmistificar o facto de parecerem 'iguais' na escrita, duas (ou serão três...?) mulheres; irmãs; educadas no mesmo local (presumo); com as mesmas circunstâncias (hum, sei lá), quiçá o estilo literário da época a comandar a sua criatividade, pronto, esse tipo de coisas. Depois logo vejo se são diferentes na escrita, ou então não, que decerto emitirei opinião no blogue.

Posta-restante
Entretanto fui logo avisando a minha amiga que sou pessoa para levar anos até lhe devolver o livro, ao que ela respondeu que não fazia mal nenhum.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Tenho uma amiga

Tenho uma amiga que me convidou a lanchar lá em casa e depois fomos às compras. As duas. Mostarda, batatas fritas, frutos do mar, chouriço e morcela. Pão de centeio. Melão. Nada mau.
Da janela da cozinha da minha amiga vê-se o cemitério. Placas de mármore, flores e letras douradas de saudade e lágrimas. Mas, note bem, lá ao fundo avista-se a ponte mais comprida de Lisboa, onde a vida se compõe doutras saudades.
Noutra perspetiva da janela o céu formava um padrão engraçado, um recorte de céu azul, em quadrado, num quadrado perfeito. Achei lindo mas faltou-me vontade de fotografar.


Pois, hoje é o Dia Mundial da Fotografia, não é. É. 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Tenho uma amiga

Tenho uma amiga que andou a apanhar amoras para mim. Pô-las numa caixa onde eu lhe tinha levado bolachas de manteiga que fiz com o máximo carinho. Muito boas: estaladiças, doces e isso assim. Muito boas também, as amoras que a minha amiga apanhou tão amorosamente, nada ácidas. Se pensarmos que se fez uma troca, é caso para tal, pois fez-se. Quando soube disto tudo, um amigo de nós as duas mandou dizer que depois quer que lhe faça doce de amora. Ficou prometido. Vou fazer. Esmeradamente. Até vou usar o coador, não vá ao depois os caroços pequerruchos alojarem-se nos sulcos dos dentes e o desagradável que isso é estragar tão bela amizade.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Tenho um amigo...
e também
Gina, a mulher que tem outra mota

Migum234 veio-me buscar na sua mota mui potente. Que fixe. Uma canção viajava de um capacete ao outro. Sério, os capacetes tinham inclusive microfone para a gente falar, em querendo, mas não quisemos. Houve música até ao túnel. Nada como uma má cobertura para acabar com o pio seja lá do(e) que(m) for.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Tenho uma amiga

Tenho uma amiga que me levou ao bailarico e me convidou a dançar com ela. Fui com prazer. Andámos por ali às voltas mas não sem antes acertarmos o passo. Ao início foi difícil mas depois encarreirámos e pumba e coiso. Era a gente a dançar e eu a escrever na minha cabeça este post... Mas não está nada daquilo que idealizei. Nada. Pensava que era capaz de fazer um texto sensual onde aparecessem misteriosamente duas gajas a roçar as mamas uma na outra mas afinal não. Na minha cabeça até me apareceu a nuvem de fumo a envolver a gente as duas e por junto a batida musical adentrando as nossas mentes e os nossos corações. Mas não. Bah. Ouve só um som que naquela noite mágica e perversa nos embalou os passos:



Nota: o som está a bisar no blogue mas eu quero é que se lixe.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Tenho um amigo

Tenho um amigo que olhou demoradamente para o boneco que tenho no aparador. É o Fernando Pessoa. Ou é como se fosse, vá, que o Fernando Pessoa foi, e é, bem mais que um boneco. É Literatura e Saber e História. Para se perceber a importância que dou ao poeta note-se a letra maiúscula.
Levantei a peça e pu-la nas suas mãos. Oh, não pus nada, apenas apontei com o dedo mostrando ao meu amigo o azulejo em que assenta a cadeira onde o boneco está sentado. É um azulejo à portuguesa, azul e branco. E o boneco é feito de metal, umas partes pintadas, outras não. Andámos às voltas, o meu amigo e eu, se aquilo seria mesmo metal e isso assim. Concluímos que era, sim senhores, daí já ter afirmado antes, tipo assim três ou quatro frases antes desta, ou lá que foi.
Levantei a peça, finalmente, e mostrei-lhe o papelinho onde apontei a data e o local da compra: Porto, rua de Santa Catarina, 3/10/2011. Depois rematei o caso com a fundada informação: tenho a casa toda assinada, 'migo, é que eu sou das letras.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Tenho um amigo

Tenho um amigo que se entusiasmou... um pouquinho, vá, a falar de mamas. Grandes. Comigo. Pois. Que não se importava nada se fossem de silicone, queria lá ele saber disso, ora essa. Eu representei um pouco a vida, colocando uma voz masculina, que também tenho uma dessas e é grossa que se farta, e disse:
Ah pois, um gajo é só pra ver, ora caraças, se as mamas são de silicone, pra que é que isso interessa, né?
E pronto, era só isto, é pouco mas a vontade de escrever era muita. E boa.

Tenho um amigo

Tenho um amigo que disse com grande espanto:
'Ah, ela tira fotografias a tudo, olha para aquilo...'
Por conta do social chutei para o lado a incongruência do bicho, incongruência porque ele estava a falar de mim mas não comigo, e mostrei-lhe o ecrã da minha máquina fotográfica montes de espetacular, anunciando vivamente que fotografara 'os pedacinhos do sol no tronco daquela árvore.'
'Ah, os dourados e isso...?', concluiu ele. Por conta do social, não rebati nem mais falei do assunto. Ele, talvez por isso, também não mexeu mais. Cada um com o seu social, não é. É.


domingo, 17 de maio de 2015

Blás

Na tv ouvi alguém dizer que toda a arte é uma imposição da imperfeição do criador ao público. Fiquei a pensar naquilo, e ainda hoje penso, porque sim, é mesmo, jamais serei perfeita, logo: através da escrita imponho a minha imperfeição. Mas acontece o seguinte: ninguém me liga a ponta de um corno, portanto, a bem dizer, não estou a impor porra nenhuma.
Tenho um amigo que adora ervilhas com ovo, é inclusive o seu prato favorito. Revelei-lhe que como isso somente quando estou sozinha em casa. Ele respondeu vivamente 'vais deixar de almoçar sozinha, amor!' Foi um pedido de namoro muito original e um tiquinho tentador, que eu adoro ervilhas.
Hoje há sopa. Grão e curgetes e muitas cenouras, também consta cebola e nabo e batatas e couve e pimento. A sopa sabe muito a grão. O grão impõe-se mas não sei se será um caso de intenso sabor ou de quantidade exagerada. Será o grão um artificie das sopas e vai daí impõe a sua presença? Terei eu de ser mais grão, mais, muito mais grão, para me impor enquanto escrevente? A resposta é sim. Se tens dúvidas, não faças. Se conheces a resposta, dispensa perguntar. Isto passou-se. Tirando as duas colheres de sopa que retirei para fazer as provas de sal e azeite, a sopa está intacta.
Fiz lasanha de legumes. Hoje estou um bocado vegetariana. Isto comeu-se. Sobrou um bocado para as marmitas dos ricos filhos.
Tinha uma lâmpada fundida, do candeeiro da sala, que já substitui.
Rica filha, como é que se chama aquela que canta o summertime sadness? Lana del Rey, diz ela. Obrigadinha. «Kiss me hard before you go / Summertime sadness / I just wanted you to know / That baby, you're the best»
Ó mãe, a chave do carro?, pergunta o rico filho. Na minha mala, respondo. Aqui há tempos tinha de o ajudar a encontrar a chave, que a minha mala é tão cheia e confusa como a de qualquer mulher, sou um bocado gaja nisso de encher a mala, o Luís costuma dizer que se ele precisar de um tijolo, em qualquer circunstância, encontra-o na minha mala. Não se diz mala, diz-se carteira. É assim que se distingue uma senhora de uma mulher. As senhoras dizem carteira, as mulheres dizem mala. Eu sou uma mulher.
Fiz um vídeo, tirei várias fotografias, coloquei tudo no blogue.
Vi umas cenas de um filme com clones. Fiquei a pensar que era porreiro haver mais Ginas. Uma para dormir, outra para limpar, outra para arrumar, uma outra, refinada, para trabalhar, sim refinada, que trabalhar num estaminé requer finuras. E uma, apenas uma, a mais especial de todas, eu, portanto, para escrever.
Agora está a dar um filme com um ator másculo e viril. Um só adjetivo bastava, escolho o másculo.
Naquele filme dos clones, volto a esse, uma mulher é baleada várias vezes mas passados segundos as balas percorrem-lhe o corpo, subindo, subindo, descendo depois pelos braços e abrindo buracos nas pontas dos dedos, por onde finalmente saem. Antes de ser alvejada ela tinha-se injetado a si mesma com uma seringa que continha um líquido que a tornaria imortal. Foi uma cena muito fixe, isso de ver as balas abrindo caminho, a ver-se a corrida por baixo da pele dela. Depois de saírem para o ar, falo das balas, as pontas dos dedos sararam rapidamente, era ver a pele a fechar e quês. Não sei porque estou a dizer/escrever isto, talvez seja para repousar na diferença, que habitualmente não tenho parte com cinema fantasioso e hoje apetece-me variar.
A tristeza voltou. Acho que os dias alegres são cada vez menos e os tristes cada vez mais, dantes era meio por meio. Há no entanto  umas coisas que hoje sei como combater, conheço-as, ou aceito-as, é mais isso. Mas aceitar os meus males abre caminho à solução. Solução. Solução. Solução. E pressinto-os. Falo/escrevo dos males. Tenho de os pressentir, tenho mesmo de os pressentir, por isso raramente descontraio. Choro. Quando choro, choro porque não quero ser uma pessoa triste. É paradoxal, não é?
Tenho uma amiga, e torno agora ao filme dos clones, que diz 'estas gajas pá!', as atrizes do filme, 'são todas boazonas, dá vontade de as esmurrar!'
Filme com o George Clooney, agora. Não estou certa de ser assim que se escreve o nome do ator mas não pesquiso para me certificar para o post ficar mais genuíno. Reconheci-lhe a voz. Estava para aqui a construir este enorme post e quando o ouvi na tv, pumba, percebi que era o homem do café Nespresso, que também não sei se é assim que se escreve nem vou pesquisar para eventualmente me corrigir.
Então, ora, coiso, este post foi sendo construído durante o dia... Ah... descobri agora que o filme com o George Clooney, volto a não me corrigir, evenualmente, é o dos clones! Ah! Olha as balas a percorrer o corpo da caramela que se injetou...! Oh! Mas dizia eu deste post. Pois é, este post foi sendo construído ao longo da tarde deste dia. Sempre que me lembrava de uma patacoada qualquer voltava ao post e alterava-o. Depois publicava. Vai daí, vinha de lá outra ideia genial e pumba, toca de ir buscar o post já publicado e acrescentá-la. A ideia. Genial. Ou patacoada. Depende de quem lê. Depende também de quem escreve, que quem escreve também opina. Achar que escrevo patacoadas de certo modo liberta-me do jugo da perfeição, do bonitinho e fofo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Tenho um amigo
(muito, muito, muito amigo das minhas motas)

Tenho um amigo que me disse assim:
Ó Gina, noutro dia vi da minha janela vocês montados na mota, descendo a avenida, sabes o que me fez lembrar?
E eu:
Não.
Duas pessoas a escorregar numa tábua! Ah ah. É que não se via a mota...! Ah ah. Só vocês todos enchumaçados. Ah ah. Cobriam a mota toda. Ah ah.
Entretanto a minha mota ficou maior, ou seja: é outra. Um dia desses, lá no fórum, alguém dizia para o Luís:
Olha, esta mota é grande, mesmo com vocês dois montados nela vê-se que a mota é grande.
Pumba, coiso, vá.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Tenho um amigo...

… Que olhou insistentemente para um fio de cabelo meu, isto a pedido. Meu. Que fofo. Eu de braço esticado, levantando o fio ao alto para a gente ver o efeito do sol no dito, nós dois unidos pelo mesmo desejo e isso assim. Tão bom.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Tenho um amigo...

… Que me perguntou se sou rebelde. Disse-lhe que sou sim, senhor, mas não se nota nada, e que isso às vezes me aborrece um bocadinho, outras dá-me um gozo do caraças.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Tenho um amigo...

… Que lamentou a minha ausência nas imediações porque se viu precisado de mim para falar francês. Mas eu não estava. Pois.
Ok, eu repito: tenho um amigo que precisou imensamente dos meus préstimos para falar francês com alguém. Isso.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Tenho um amigo...

… Que me perguntou ó Gina quando é o dia da espiga. Comecei para ali a falar, dizendo que em Loures há espigas por todo o lado e eu que agora não tenho máquina fotográfica, oh que pena, quando não já teria retratado os campos e posto no blogue e mais uns dizeres à mistura. Mas não, não sei quando é o dia da espiga, se quiseres logo à noite pesquiso e amanhã digo-te alguma coisa. Está bem, amanhã pergunto-te outra vez, disse ele.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Tenho um amigo...

… Que me contou como foi o seu fim-de-semana, que passa num instante, quando se vai a ver, pumba, passou, nem rasto, um horror.
E eu não tenho novidades para contar, o meu fim-de-semana foi plano. Quero dizer, parti uma peça dos primórdios do meu enxoval, tinha para aí uns trinta anos de casa... Quando a minha mãe adquiriu a dita na secção de louças lá na mercearia do senhor Horácio, eu não teria mais de catorze ou quinze anos. Era uma peça oval, dum branco leitoso e adornado com malmequeres nas laterais. Foi ao forno milhentas vezes. Serviu também doces frescos. Dantes havia pratos rasos, de sopa, chávenas de café e chá, pires pra elas, saladeira e jarro, tudo a fazer conjunto, com os malmequeres adornando, pequeninos ou maiores. Aquele recipiente oval era a peça que me restava da coleção. Adeus, 'migo.