Gina, a mulher que tem um blogue

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Uma limpeza

Já limpei os óculos. Creio que a última vez que os limpei foi antes do Natal, não sei se foi mas tenho para mim que sim. De repente, num desses dias de descanso, dei por mim cansada dos olhos mas julguei tratar-se de tanto ver a tv e o pc à minha frente, que isto no Natal, a gente passa montes de tempo frente a ecrãs, não é. É. E vai daí hoje lembrei-me, eh pá, então, eu tenho mas é os óculos sujos! Será?! Era! Tanta mancha e tanto pó...! Pobres lentes...! Desgraçados olhos estes meus! Mas já está, já as limpei, agora estou aqui vivinha dos olhos que eu sei lá!
Entretanto, e fica já neste post por ter tudo a ver, eu no outro dia pus-me para aqui a escrever, ah tenho de me ir insinuar ao senhor do oculista, também há lá uma senhora, por sinal mais conversadeira, mas é que prefiro insinuar-me a um homem, é cá por coisas, mas adiante, eu a pensar ah tenho de me ir insinuar ao senhor e tal a ver se me dá outro frasquinho de líquido para limpar os meus óculos. Só por dizer que no outro dia, este dia aconteceu mais recentemente que o dia anterior, fui a casa dos meus pais e eis que ao abrir o armário para chegar não sei o quê à minha mãe me deparo com três, note bem: três, frasquinhos de líquido para limpar os óculos. E resolvi não guardar as minhas insinuações para o senhor do oculista e usei-as logo ali, com a minha mãe, que é a pessoa mais indicada para as receber, perceber e não as comentar.
'Ohhh, tu tens aqui três frasquinhos daquele líquido para limpar os óculos, mãe!'
'Então, queres um, leva, filha.'
As mães são seres especiais, e a minha é a melhor do mundo. Por conta da generosidade e inteligência maternal que me assistiu desde sempre, neste momento tenho um frasquinho de líquido para limpar os óculos, não sei muito bem onde mas sei que é lá em casa, agora que escrevo parece-me que está em cima da escrivaninha, ou dentro, junto às gavetinhas, e esse frasquinho aguarda o esvaziamento completo deste que consta do inventário da minha secretária no estaminé.

sábado, 26 de dezembro de 2015

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Faltas de Natal & Outras

bacalhau; camarão; azeite; alhos; sal grosso; chocolate culinária branco; chocolate culinária preto; bombons; detergente máquina roupa; detergente máquina louça; chuchu; abóbora; beterraba; raiz d' aipo; cebolas; tomate; tostas; maionaise; atum; delícias do mar; amaciador de cabelo; avelãs; mel; doce de morango; manteiga de amendoim; natas; crème fraîche; amêndoas laminadas; amêndoas em farinha; amêndoas quadradinhos; amêndoas torradas; óleo; raiz de gengibre; melaço; farinha; massa folhada; lasanha fresca; rodelas rica filha; ovos; laranjas; limões; leitinhos rico filho; leites ricos filhos; cereais ricos filhos; lanches ricos filhos; sal máquina louça; abrilhantador máquina louça; abacate; batatas; três postais de Natal; cacau pó; coco ralado; fita-cola; beringela; grão lata; iogurte grego; queijo parmesão; cenouras; café; couve-flor; fermento de padeiro; arroz carolino;

Achega:
Café, Gina...c a f é, 'miga. E não te esqueças dos postais de Natal, pá. E traz também o poucochinho que ainda falta.
Adenda a posteriori:
Olha, é assim, paciência, não comprei os postais de Natal enquanto os havia à brava, e agora está tudo escolhido e já só encontro os excessivamente caros e os menos bonitos. A ideia fica então para o ano, se me lembrar disso, claro.
Adenda a posteriori da adenda anterior:
Fermento de padeiro. Pois. É melhor constar na lista por conta de não me ter certificado se o há na despensa ou então não. Vai daí, assim me fico: logo à noite vou cuscar a despensa, se tiver lá o fermento, então não é preciso comprá-lo amanhã, se me esquecer de cuscar a despensa, então compro o fermento amanhã, mesmo que afinal o tenha lá, e acabou a conversa.
Adenda a posteriori de todas as adendas deste post:
Arroz carolino, que a minha mãe acabou-me com o resto, não encontrou o agulha. Até os fósforos ela custou a encontrar. Telefonou-me: 'Gina, olha lá filha, onde é que tens os fósforos?' Há pormenores que se e escapam, e eu lá me lembrei de dizer à minha mãe: 'mãe, olha, os fósforos estão aqui, ó'. Deixei tudo preparado, julgava eu, só ficando a faltar... Os fósforos. Mas o Bell inventou o telefone há qu' anos, não é. É.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Afazeres

Mais 'afazeres' para este fim-de-semana. Tenho uns pontinhos a dar (é assim que a minha mãe diz): ele é coser molas nos casacos, ele é unir duas parte de malha polar para a cadela ter um aconchego melhor durante a noite, ele é a faixa do gajo que faz Jiu-Jitsu que precisa ali duma cosidela na tira vermelha, ele é fazer umas almofadas, ele é.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Lanchinho da manhã

Já comi a laranjinha. Muito boa. Aliás: boa, só boa, sem o 'muito', que sabia um bocado a chão. É assim que a minha mãe define as laranjas velhas, se caídas ao chão adquirem um sabor acre e um tudo-nada desagradável.

sábado, 28 de novembro de 2015

Despensa

Na minha despensa havia um pacote de farinha torrada que comprei no senhor Adeodato há tanto tempo que creio firmemente não estar a exagerar se disser que foi há anos. Entretanto posso dizer que a minha mãe preparou imensas vezes papa de farinha torrada para alimentar o meu irmão, quando bebé, já eu, que vim meia dúzia de anos depois, não. Entretanto, devido à história algo tristonha desse tempo de vacas magras na juventude dos meus pais, um dia vi a farinha torrada à venda e toca de a comprar. Entretanto pesquisei na Internet como haveria de confecionar o bolo, pesquisa essa que também ocorreu seguramente há anos, e deparei-me com a frequente referência ao chocolate para juntar a esta farinha, não chegando mesmo assim a guardar nenhuma dessas receitas. E eis que hoje de manhã vi um dos episódios das 'Doces Iguarias de Rodolph' onde ele fez um bolo 'quatro amigos', que basicamente é feito com iguais quantidades de manteiga, açúcar, ovos e farinha, normalmente duzentos e cinquenta gramas de cada, sendo que os ovos são quatro. Então vai daí, com base nisto tudo inventei um bocado:

Bati 250 gramas de açúcar (usei branco) com 250 gramas de manteiga amolecida até ficar um creme quase branco, juntei os 5 ovos (eram pequeninos) um a um e por fim adicionei 250 gramas de farinha torrada, 50 gramas de cacau, 2 colheres de chá fermento em pó, que peneirara antes. Levei ao forno em forma untada e enfarinhada durante 40 minutos. Ah, tinha posto a corar uns 50 gramas de amêndoa picada e despejei por cima do bolo antes de o colocar no forno.

Entretanto já o provei, está bom, de facto a junção do torrado da farinha com o cacau é qualquer coisa de espectacular! Só não apresento foto porque entretanto escureceu e as fotos não iam ficar bem.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Parecenças

Isto das parecenças em termos das características de personalidade é algo extraordinário. Sou parecida com a minha mãe, cada vez mais. A rica filha anda a parecer-se comigo e não é pouco. Mas se for a ver, a minha mãe e a rica filha não são parecidas em nada.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Do plano

Este fim-de-semana não fiz nada do que queria em termos de doces, acabando por fazer o bolo de iogurte da minha mãe (receita aqui). Ao momento já não tenho memória dos motivos que me levaram a desistir dos planos iniciais, mas como queria registar esta questão fundamental, pumba, coiso.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O cobertorinho

Está na hora de contar a história do cobertotrinho, a bem dizer estou atrasadíssima. E pensar que a tinha preparada e a perdi. Oh. Vou então reescrevE^-la... ai perdão, reescrevê-la.

É um cobertor cor-de-rosa com duas listas brancas quase às pontas, onde estão umas flores grenás. Este cobertor acompanha-me há cerca de quarenta anos. Olarila. Foi adquirido pela minha mãe numa feira qualquer dos arredores, quiçá Odivelas ou Galinheiras, isso na verdade pouco importa, só por dizer que era porreiro que eu recordasse os factos reais. Na mesma altura a minha mãe comprou também um cobertor em verde seco e outro em grená, com as mesmas listas quase às pontas e as flores. O meu irmão ficou com esses dois, não por ser o preferido da progenitora e por isso tivesse direito a mais cobertores que eu, nada disso, é que calhou assim, talvez devido a uma escolha de cores, sei lá, o cor-de-rosa seria para a menina, as outras cores, supostamente menos femininas, seriam para o menino.
Este cobertor tem-me então acompanhado nos últimos quarenta anos, sem apelo mas com agravo, que na verdade não se manifesta, nunca o ouvi falar, mas está puído que se farta. Mas voltando ao acompanhamento do cobertorinho. Casei. Trouxe-o comigo, este e um outro, também meu, mas de bebé. Ficaram anos guardados numa gaveta funda, numa arca ou numa caixa grande, era conforme. Nunca me deu na cabeça colocá-los na cama de nenhum dos ricos filhos, até porque a criançada sempre teve a cama bem servida de cobertores, mal seria necessitarem dos meus, já tão vividos e ralos pelas lavagens. Há uns anos deu-me para ir buscar o protagonista deste post, o cobertorinho cor-de-rosa. Eh pá, pronto, a idade avança, o frio é maior, eu cá acho, e sabia-me bem ter um agasalho a mais se estava no sofá ou sentada frente ao computador. Há anos que passo os meses mais frios com o cobertor de arrasto pela casa, caso não ande a limpá-la ou então a cozinhar, claro, largando-o somente a meio da primavera, todo o verão e início do outono. Contudo, este verão não cheguei a largá-lo, não consegui, não sei se sou eu que cada vez estou mais friorenta, se este verão foi realmente menos quente que os anteriores, o certo é que não cheguei a arrecadar o cobertorinho. Nas noites mais frias, que as houve, oh se houve, ficava por cima da roupa de cama, a agasalhar somente a minha pessoa, que o homem é calorento, e nas noites mais quentes, passou-o junto à minha cabeça, assim todo encarquilhado, e era como uma companhia que eu tinha ali, sei lá, a presença do cobertorinho, mesmo que não me tocando em parte alguma do corpo, faz-me companhia, dá calor, parece um abraço bom, um afago sentido. Agora estamos no outono, o tempo já arrefeceu, há semanas que o coloco por cima da roupa de cama, como já referi, mas chegando o inverno e o frio ficar maior e mais presente, hei-de andar com ele de arrasto pela casa, para não diferir dos anos anteriores.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Almoço

Saí do restaurante com um filamento de dobrada entre dois molares para me enfiar no gabinete da pedicura. Nada de mais, claro. Nada que não aconteça facilmente a quem come dobrada ao almoço e depois vai a correr para o gabinete da pedicura com um filamento entre dois molares. É tudo normal. Já o meu pai, por exemplo, dificilmente lhe aconteceria tal coisa, uma vez que não tem molares. A minha mãe também não. E também não vão à pedicura. Tampouco almoçam no mesmo lugar que eu. Dobrada...? Deve haver anos e anos que não comem. Mas é tudo normal, a vida deles é tão normal como a minha, até este post é normal, não sei sair da linha banal.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Era uma vez um espaço muito seguro

Estive num espaço comercial a observar o segurança.
«Não se mantém quieto, bate as mãos uma na outra, não como quem bate as palmas, é diferente, uma mão aberta e a outra fechada, depois junta-as como quem bate as palmas, mas não, é diferente. Fixa um ponto e outro ponto e outro ponto no andar de cima, demorando pouquísimo em cada um, levando-me a pensar que é lá que se encontram os pontos-chave da Segurança
- Neste contexto segurança é Segurança, não é. É. -
do edifício. Sobe as cinco escadinhas. Desce as cinco escadinhas. É um redondel, essas escadinhas. Para que conste: chamo redondel ao que tem a forma dum gomo de laranja ou da lua num dos quartos,
- Crescente ou decrescente, tanto faz. -
é como a minha mãe diz, aprendi com ela, com as mães só se aprende coisas capazes.»


redondel
substantivo masculino
1.Arena, nas praças de touros.
2. Arena de lutadores.
3. Área circular.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

domingo, 23 de agosto de 2015

Café em chávenas

Café em chávenas bonitas, de porcelana ou lá que é aquilo. Fazem parte do enxoval. Eu tive enxoval. Fi-lo. A minha mãe obrigou-me, quero eu dizer. Ordenou, talvez, induziu-me. Não sei. Só sei que levei este serviço de chá no enxoval. Mas as chávenas, que são de chá mas nada em impede de por lá beber café daquele de cafeteira, não é. É. Então, são bonitas. Foram oferecidas pela dona Natércia, uma senhora das relações da gente nessa altura, que tinha uma loja onde vendias estas coisas. Têm florzinhas, as chávenas, vermelhas, azuis e amarelas, tudo a conjugar com o verde dos caules e das folhas, verde esse que mais parece destoar, pois se até aí só havia cores primárias. Que basicidade. Eu tinha catorze anos. Como encontrar novidades se tudo me estava vedado? Mas eu gostei das chávenas, do bule, do açucareiro, da leiteira. Foi perguntado, antes de . Se eu não gostasse, não sei que seria. Às tantas ainda hoje era solteira. Ah ah.

domingo, 2 de agosto de 2015

Fotos das férias (primeira parte)

Fotos das férias, poucochinhas, para que o blogue não fique muito pesado e aborrecido. Estive vai não vai para não publicar mais foto nenhuma mas entretanto deu-me pena e resolvi colocar algumas, sim, mas por partes.
A viagem começa ainda em Lisboa, sobre a Ponte 25 de abril. Gosto sempre de registar a partida.




Alcácer do Sal. Pausa para beber café, pausa porque sim. Não foi uma pausa para tirar fotos, mas já que a pausa existiu, clique.




Algures. Umas das questões de se parar por aí é que depois não se saberá nunca mais onde se parou, a menos que o lugar seja sobejamente conhecido, só por dizer que não é esse o caso. As fotos imediatamente abaixo foram tiradas no Baixo Alentejo, hoje é tudo quanto sei.






Torrão. Bela vila, esta, já lá tinha passado algumas vezes mas nunca havia parado para tirar fotos. Não é que a tenha conhecido mesmo bem, foram poucas horas as que lá estive, mas o bacalhau com pimentos estava uma delícia.




Odivelas. Ah ah. Mas não é a cidade homónima aqui mesmo pertinho de mim, não senhores, é no Baixo Alentejo. Ah ah. Pernoitei por aqui. Adorei. Ideia tão boa, a minha, vai daí, pumba, coiso.




Algures... Esta imagem revela o Alentejo, o Sul, mas também o verão.




Albernoa. Ainda deu tempo para um pulinho de nada. Os meus pais ficaram tão surpreendidos, oh céus, não contavam nada. É bom poder fazer as pessoas tão felizes, para mais com tão pouco. Como aparecer, simplesmente.




Aqui estava muito perto de Espanha, apenas a um quilometro. Logo a seguir à Vila Verde de Ficalho há um cafezito onde sempre ocorre uma paragem. É obrigatório. Também costumo tirar montes de fotografias, sei lá, acho sempre novidade nas coisas que observo. Mas é mesmo obrigatório parar, lá isso é, para beber a última bica à portuguesa, que como se sabe o café expresso em Espanha deixa muito a desejar, vai daí, pumba, coiso, bebo ali e despeço-me. Adeus. Ah ah.


segunda-feira, 30 de março de 2015

Tudo morre

É com pesar que a minha mãe às vezes me confessa:
Tudo morre, filha, tudo morre, pfu, eh, acaba tudo, vais ver que acaba tudo.
Quem dera a mim estar já nessa fase para deixarem de ter importância as coisas que hoje são enormes, como a minha vontade de escrever.