Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

sexta-feira, 15 de março de 2013

A religiosa

Não pertenço a credo nenhum. Ser o meu próprio deus é algo que me parece bem, se afinal sou eu que mando nas minhas atitudes, nos meus pensamentos, se sou eu que me autorizo, ou desautorizo, independentemente do resto. Se sou capaz de forçar-me a sentir bem-disposta também sou capaz de inventar uma fé na minha pessoa.
A religião é uma merda, é o que é.

O tempo

Frio glaciar é aquele que se tem sentido nos últimos dias. Nunca estive no Ártico mas se este frio não é o frio glaciar, então não sei como será. E não quererei saber jamais.

Convite

Ora então lá vamos nós publicar mais um textozinho e tal e coiso, para não haver somente escritos meus vagueando pela internet mas também num material algo palpável. Um livro, portanto.
Semelhantemente à minha segunda publicação em coletâneas, também não estou lá muito entusiasmada com esta publicação, só por dizer que os motivos são totalmente diferentes. Ora porque ouvi dizer que os critérios de seleção simplesmente não se fazem e portanto publicam tudo o que lhes aparece, ora porque enviei um texto com mais de dois anos e assim não tem pilhéria porque perdi o brilho da novidade, ora porque há pessoas que já leram esse texto e aí piora um pouco pois se não é novidade nem para os (habituais) leitores é um bocado estranho, ora porque a interação desta editora (Chiado Editora) com os autores é distante, comparativamente à única editora com a qual trabalhei até aqui (Pastelaria Studios Editora), ora porque custei a perceber se tinha realmente sido integrada na lista de autores...
Mas pronto. Vamos lá.
O título da antologia é 'Entre o Sono e o Sonho'; o título do meu poema (é um texto poético) é ‘Dicotomia’ e, tal como referi no email que mandei para esta editora:

«Olá
Através do Facebook soube da organização de uma antologia poética e decidi participar. O documento em anexo não mostra propriamente um poema, antes é um texto muito representativo do (meu) ato de escrever. Foi criado intensamente e com uma franqueza desmedida, sendo portanto muito importante para mim. Se estiver dentro dos parâmetros e for aceite, fico contente.
Cumprimentos.»

Falta só apresentar o local e data.
O lançamento é no próximo sábado, dia 16 de março pelas 15 horas, no salão Preto e Prata do Casino do Estoril. Quem quiser aparecer será muito bem-vindo. Venham daí, vá.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Lisboa, 14 de março de 2013

Lisboa, 14 de março de 2013

– Mais calminha, hoje?
– Um bocado, sim.
– Sabes que isso de escrever te leva à loucura?
– Hum-hum, sei.
– Que fazes?
– Exponho copiosamente, lembras-te?

Sensação

Cheirava a flores. Não quero saber da temperatura mais elevada, de folhas verdes nos ramos, do brilho do sol. Nada disso. Cheirava a flores e pronto.

...

Ter um blogue é uma merda, não se está bem de maneira nenhuma, o mais que isto faz é incutir a ideia de que sou dum calibre inferior. Escrever não me ensina a viver e a amar. Isso é para outra gente, com certeza.

...

Quando estou louca não escrevo melhor. Escrevo mais e sou mais desprendida da realidade. Alguém que me diga que isso é equivalente a escrever melhor, por favor, que eu cá ainda não percebo nada disto.

Sinal

A vírgula chateia-me. Não gosto dela, lembra-me soluços na escrita. Porque é que não posso escrever «o porvir contém impreterivelmente a esperança*»? Porquê colocar vírgulas antes e depois do impreterível?

*A frase é minha e há de aparecer um destes dias no blogue.

O segredo da casa

Já sei da bicicleta. Já sei a cor dos tubos. Até fixei o selim. Já sei a rua. Já sei o prédio. O jardim. Sei tudo. Porque o que sei, por agora me basta.

Partilhar comentários bons

Gosto do vigor do seu passo. Sim, disse-lhe isso, as coisas boas são para serem ditas, que lhe importa ficarem somente dentro da minha cabeça? Disse. Ele gostou, foi a sua vez de gostar. A vida é mútua.

Comprometida

Os deuses devem andar loucos. Há dois meses que não uso aliança, ninguém se me propõe maritalmente. Voltei a receber telefonemas anónimos. 'Ninguém me liga' é uma mentira. São duas mentiras. Ninguém me liga. Ninguém me quer. Ninguém me quer?!

Túnel

Dantes vinha aqui comprar apitos para panelas de pressão. E borrachas e espigões. Asas, punhos, parafusos e válvulas. Também poderia abastecer-me de toda a sorte de artigos para o lar, caso assim desejasse. Era um senhor velho e careca, e gordo, quem me atendia. Horácio. Acho que era Horácio. Agora esse fornecedor já não existe, não está lá. Bazou. Adeus.
Eu gostava daquele túnel, no verão era fresquinho, no inverno não sei. Nos outros dias era um passeio fixe, só porque sim. Tenho dias na memória em que não é inverno nem verão. As coisas que se perdem com a soma dos dias. Bem que me disseram que a vida é uma constante perda e a felicidade está no presente, nada de a procurar no passado.
Voltando ao túnel. Há anos que não me enfio lá, diz que é frequentado por delinquentes, e o lugar sendo solitário… Pumba, contorna-se o caminho e adiante. Gostava de lá ir, devo gostar ainda. Há (havia) canteiros, flores e ruelas que circundam as traseiras dos prédios, uma moda tão lisboeta, tão boa de ver.

Post papal

(E vão dois posts papais, logo eu, que não sou católica…)

Vi a chaminé do conclave na tv, uma chaminé tosca e fria sendo fixada numa imagem imóvel durante largos segundos. Custei a perceber que era a chaminé de onde havia de ser expelido fumo branco, logo que o papa estivesse eleito.
Achei a chaminé tão simplezinha... E queira lembrar-me duma palavra que fosse acertada para mostrar como me sentia relativamente ao aspeto da tão observada chaminé, mas não consegui.
Desmotivada... Não.
Desmoralizada... Não.
Desgostosa... Não.
Estou um bocado cansada do cérebro, um bocado, não, muito, que um bocado não é muito. Não lembro a palavra...
Desiludida! É isso. A chaminé desiludiu-me.

Post papal

Ontem, às seis e picos da tarde, tocaram os sinos da igreja de Arroios. Havia Papa. Novidade imensa; ao nível mundial. Pois é, até eu faço um post papal. Logo eu, que não sou católica.
Mas agora a música, gostei de ouvir a musicalidade dos sinos, denotei alegria e satisfação, quiçá por indução, afinal havia burburinho, reparei nos homens fardados de mecânicos à porta das tascas para cuscar a tv, mesmo que em enviusado, e ouvi os comentários. Já há Papa; já temos Papa. Mas a fusão dos sinos alegres com a novidade nos rostos das pessoas foi o melhor. Que bom. Eu e a minha personalidade da treta, com aquele pavor estúpido de pertencer a algo. Que bom. A distância, quero eu dizer.

Blogue

Vi num blogue um desafio daqueles bem ao jeito da blogosfera, onde há uma lista de situações que poderão ter ocorrido na vida e o desafio consistia em colocar a negrito as frases que o bloguista já teria vivido. O blogue onde encontrei o que estou a descrever tem um autor jovem, e achei muito curioso os negritos dele serem poucochinhos. Eu cá teria colocado a negrito uma data de frases… É indubitável, a vida quanto mais longa, mais vivida.

terça-feira, 12 de março de 2013

Calor

Lisboa, 12 de março de 2013


Uma senhora queixou-se de calor atrás de mim pouco antes deste clique.
E eu gelada por dentro e por fora.
O gelo de dentro é mais custoso.
Chamei 'quente clique' à foto, só para contrariar.

1617

Fui dar a volta que ele disse que deu. Vi o homem das castanhas e as motas, como ele. Vi pessoas, ao contrário dele. Não vi a moldura, tal como ele também não viu. Aqui fui igual.
Encontrei uma pessoa – muito – parecida comigo, em cuja existência me comprazo. Ele estranharia a loja tal, que ainda tem uma grande árvore de Natal junto à entrada. Eu diria assim. Ele diria assim. Ele chama o homem dos óculos redondos ao homem dos óculos redondos. Eu não faria muito diferente disso. 
Ah, que prazer.
Mas não posso fazer movimentos ou ruídos para não estragar esta felicidade. 'Não mexo para não estragar', às vezes a minha vida faz-se disto.

Pessoas

Se eu trabalhasse numa livraria observaria as pessoas de roda dos livros, folheando e escolhendo. Seria um ramerrão num lugar diferente. Só isso.

O triste chapéu-de-chuva

Deixem-me ser assim: triste. Que mal tem isso?!

Lisboa, 12 de março de 2013

Pessoas

Disse a um cliente que ando com os dados da empresa dele dentro da minha mala, levando esse papel rabiscado comigo para todo o lado e vai daí o homem ficou estranho, cheio de reservas, atrapalhado.

Apontamento, agora a bisar:
Não entendo as pessoas, nem sei porque raio construo um blogue onde as mesmas me são imprescindíveis.

Pessoas

Pedi ao padeiro que me aviasse um pão feio, e referi que queria um pão feio porque os feios são sempre mais amorosos e atenciosos. Ele corou imensamente, a sério, ficou mesmo vermelhão.

Apontamento:
Não entendo as pessoas, nem sei porque raio construo um blogue onde as mesmas me são imprescindíveis.

Dias de um Ginásio

Minhas senhoras, aqui existem máquinas que repuxam os glúteos no sentido inverso à lei da gravidade. Para tal acontecer é necessário haver força e empenho, evidentemente. Deixai-vos de lamúrias, porventura não tendes tais afincos?!

Neste mundo...

… Umas pessoas dizem 'chóriço', outras não.

Obra amorosa

É de manhã que se começa o dia e o melhor é tratar já da área mais ególatra deste blogue e tecer as considerações que acho necessárias acerca do que alguns leitores disseram da minha obra amorosa.
No geral as pessoas dizem que gostaram muito das minhas histórias.
Há algumas pessoas que exprimem claramente a sua opinião – positiva -, há outras que lhes noto um certo embaraço mas manifestam-se igualmente na positiva.
Uma pessoa disse-me que a minha escrita é complicada e que não podemos estar dentro dos programas das pessoas. Aqui vacilei, porquanto não sei o que isto quer dizer na realidade, e tenho para mim que a verdade é que este leitor não percebeu patavina do que escrevi. Paciência e adiante.
Há ainda quem procure reconhecer as minhas personagens, pondo-se a magicar quem será esta ou aquela pessoa, as quais afinal de contas conhecem tão bem como eu.
Estas últimas chateiam-me um bocadinho. Pronto, ok, vá lá, eu compreendo, já todos perceberam que dou primazia ao retrato da vida quotidiana que observo e assim sendo não ficciono praticamente nada, e quem conhece a minha figura e o meu meio não consegue ler sem amarras, procurando inconscientemente o recôndito das minhas personagens, bem como descortinar a minha presença nos meus textos. Mas é chato. Eh pá, leiam e pronto!

Mudança de turno

Há um novo tirador de cafés no lugar da musa. Este é todo amaricado, de gestos exagerados e olhares lânguidos. É bem, há que variar o cenário, uma vez que já lá estiveram:

  • … uma menina com caracóis louros lindos de morrer, que inclinava a cabeça tanto mas tanto quando colocava o manípulo do café que ficava a um passinho do ridículo, quase deitando abaixo a lindeza da cabeleira;

  • … uma menina com um olhar azul do mais especial e único que pode existir, cuja conversa que entabulava comigo era seguramente do mais amável e espontâneo a que tenho assistido;

  • … a menina que me fixou rapidamente e cujo sorriso é tão maravilhoso;

  • … o jovem que pede licenças assim como que prévias: antes de pousar o pires, antes de pousar a chávena, antes de colocar o pacote de açúcar, antes de retirar as moedas de cima do balcão, antes de me esticar o troco;

  • E agora é um paneleiro que me tira o café. E era isto. Mas é também indubitavelmente simpático, e isso é decerto o mais importante.
    Ainda bem que ninguém me liga o suficiente para saber onde fica o lugar da musa, quando não teria montes de processos a correrem contra mim.

    Bom-dia!

    Olá, bom-dia. 12 de março. 12 → 21. Faltam 9 dias.

    segunda-feira, 11 de março de 2013

    Baú

    «Não sei se pense, e escreva, as parvoíces do costume, ou me deixe estar sossegadinha e, preferencialmente, caladinha naquele cantinho onde não quero estar.»

    domingo, 10 de março de 2013

    É noite


    É noite. E a verdade é que ninguém precisava de saber isso.

    Loures, 10 de março de 2013

    Acordado

    O meu cabelo expulsa muito bem a água, o que me faz pensar que a minha cabeleira tem uma personalidade de acordo com o resto do pacote.

    Porque sim


    Tenho andado a fingir que sou gira, e isto tem estado a custar um bocado nos últimos tempos.  Então, hoje, para afugentar o mal estar, mudei a foto lá de baixo, que é como quem diz: do perfil, que a que lá estava tem a mania que é sensual, mão no cabelo e ar de adormecida, ou seja: olhos fechados por causa do embaraço que isso da sensualidade me costuma trazer. Mas o senhor Blogspot não quis lá a foto por inteiro, vê-se os olhos e pouco mais, tanto que me perguntou:
    «Tem a certeza de que as pessoas reconhecerão a sua cara nesta fotografia? Parece que não há uma cara aqui.»
    Então, eu, a bloguista simplezinha que manda nisto aqui, planto a imagem toda num post à moda do narciso e pronto.

    Mensagem

    Descobri um site (não, não vou dizer qual é, quero lá bem saber da ética e o caraças...) que promove escreventes humildes e sinceros. Inscrevi-me, diziam que o preço do desafio era de apenas 35 lápis e eu... pumba, coiso. No regulamento também estava escrito que a par do nome e endereço de email era obrigatória uma mensagem. E eu, esta alminha cada vez mais escrevente e mais espevitada (qual humildade, qual quê), dirigi-me assim às pessoínhas:

    «Mensagem obrigatória

    Boa-noite. Estou muito interessada em participar neste desafio. Gosto de escrever, quando não estaria a ver vídeos hilariantes no youtube ou a ler/partilhar fotos de crianças desaparecidas e animais torturados no facebook e não nesta página tão ligada à escrita.
    Devo dizer que estou um tanto ou quanto perdida, que é como quem diz: não pesco nada disto. Assim é suficiente? A mensagem, quero eu dizer. Que faço a seguir? Vão dar-me mais alguma informação ou eu que me desenrasque? E por último: paga-se 35 lápis no sentido literal?

    Estou muito interessada em participar neste desafio. Ao sério.

    Cumprimentos e um grande bem-haja a quem promove a arte de escrever.»

    Meia horita depois recebi a resposta (ao menos isso, bem sei que podiam não me ligar porra nenhuma) dizendo que estavam muito gratos e assim e eu que pagasse 35 euros antes do algo mais. Ah, então é isso: euros; trinta e cinco euros.

    Agri-doce; coisa nenhuma

    Nunca passarei de mediana a tudo o que for expositivo.

    Ovelha tresmalhada; desgarrada; negra; ranhosa

    As pessoas são tão diferentes. Detive-me a observá-las, quem as manda estarem numa posição destacada? Dói-me o coração por causa das diferenças. Fui à igreja.

    Cala-te, mulher

    Dois mil. Era necessário ter-me encolhido e não falar das caraças das pessoas. Nada disso. Mas se está dito, está dito. (Ter memória é uma chatice.) É chato a gente ter memória, particularmente não sendo a memória da outra gente.

    Luzes

    Loures, 10 de março de 2013

    Réstia de sol no canto inferior direito. Efeito hdr: 1º. Efeito suave: 2º. Para alindar a paisagem, quando não teria uma luminosidade real e a realidade dos meus dias é uma merda.

    Faz-me impressão...

    ... Que não se diga que sim quando é que sim; que não se diga que se sabe quando se sabe. Pronto. E chateia-me. É uma humildade falseada, tão falseada que desemboca no oposto. Estas pessoas que não dizem que sim e dizem que não sabem têm a mania. Manias. Aos montes. Olaré.

    A festa continua

    Foi este 'Party Time'...

    Loures, 10 de março de 2013


    ... Que influenciou um anterior post. Ver aqui.

    sábado, 9 de março de 2013

    Há tanto inverno, ainda

    Loures, 9 de março de 2013

    Título

    'Descubra a cabra secreta que há em si' é o título dum livro que vi algures na prateleira duma livraria qualquer, pouco importa qual ou onde, cuja autora é Elizabeth Hilts.
    O que importa muito é que já descobri a minha cabra. E descobri que a minha cabra já foi mais secreta. E também descobri que a minha cabra há de ser ainda menos secreta daqui para a frente.

    …

    Fala-se da espuma dos dias. É, os dias são espumosos.

    Máquina registadora

    Na vida infanto-juvenil dos ricos filhos houve dinheiro e trocos, assistiram a muitos negócios. No caso do rico filho já vem do estado embrionário e nado-vivo.
    A rica filha brincava às lojas quando era criança, gostava particularmente de fazer o registo e o troco, fingindo que tinha uma caixa registadora. É normal, cresceu com duas caixas dessas; duas lojas; dois comerciantes, já para não falar dos mais ascendentes ainda.

    Música para os ouvidos

    Eis o «Ah ganda som!» de hoje.

    sexta-feira, 8 de março de 2013

    Sexta-feira

    O homem do banco desejou-me um bom fim-de-semana.
    Pois é, é fim-de-semana. E que importa isso? Chamem-me quando não houver recomeços de semana.

    Verde

    A alameda já tem árvores com umas folhinhas. A avenida que sobe pouco já tem árvores com umas folhinhas. A avenida que desce muito já tem árvores com umas folhinhas. A mais linda rua já tem árvores com umas folhinhas.
    Folhas verdes, todas elas.

    …

    Quero uma tempestade que dispare um raio que me parta ao meio.

    Forçadamente colorida

    - Aquela mulher ali do nº 44…
    - Ah, noutro dia vi-a sair de casa com a cara cor-de-laranja.
    - Cor-de-laranja?!
    - Sim. Sabes aquelas pessoas que se coloram no pino do inverno para parecerem bronzeadas pelo sol de verão, porque a palidez dos dias em que a luz solar está interdita lhes é absolutamente insuportável? Sabes como é?
    - Não.
    – Então se não sabes, devias saber!

    Dias de um Ginásio

    Olha lá ‘migo, não é porque andas com um boné enfiado na tola e uns óculos enormes que eu não descortino imediatamente que tu foste um daqueles concorrentes que perdeu quarenta ou cinquenta quilos a dançar num programa de tv.

    BB → Bem Bom

    Experimentar t-shirts de verão com a música de fundo da Tina Turner - Simply The Best – é uma sensação simplesmente do melhor! É só sensações boas e o caraças...

    Caramelo com outro nome

    Comprei uns amendoins caramelizados que o senhor Adeodato disse serem «garrapinados». O nome é tão estranho inclusive para ele que foi lá dentro buscar a fatura para eu ler a designação. «Garrapinados». Que coisa... Deve ser um produto importado dos «nuestros hermanos» e os portugueses não se deram ao trabalho de traduzir, esses preguiçosos.
    Era novidade no estamine.
    Novidade? - Pergunto eu.
    Novidade. - Responde ele.
    Fiz saber ao senhor Adeodato quão maravilhosa era a novidade, que sou pessoa para necessitar de grandes e boas novidades diariamente.

    De visita

    Lisboa, 7 de março de 2013

    Ontem à noite, depois das sete, visitámos a dona Maria do Céu. Tinha a casa às escuras, estava enfiada na cama, tendo ao lado um radio que tocava baixinho a canção ‘Fernando’ dos Abba. O Luís mudou-lhe a lâmpada do candeeiro do quarto interior, armou-lhe a tábua de passar a ferro para ficar a jeito e eu andei para ali de roda dela a dizer piadas, tentando trazer até àquele quarto simplório e triste um pouco da vida que se vive lá fora. Andou-se; riu-se; falou-se. Recomendámos que comesse a banana. Não queria. Forçámos. Teimou que não queria. Reforçámos. Teimou e teimou. É incrível como os velhos são teimosos… Empurrava a banana com a mão, a bem dizer mal lhe chegando, num esforço enorme, com uma ira iminente, não se sabendo se da própria imobilidade se da nossa insistência. Depois deixámo-la com a sua solidão, quiçá amenizada pelo som do velho radio a pilhas. Era forçoso irmos embora, isso do ‘tenho mais o que fazer’ é a verdade a nu, não pode ser diferente, e esta é outra verdade nua.
    A solidão na casa da dona Maia do Céu que quase se apalpa de tão densa é algo que sempre me oprime, é a casa mais solitária e saudosa que conheço, presumo que seja por contrastar vivamente com a postura social da sua dona, aquando de passagem pela rua. A sério: não tem nada a ver, ela é duma alegria imensa. Mas agora tem estado doente, não se sustém nas pernas. Há umas semanas, de visita ao cemitério, caiu dentro duma cova. Não, não estou a brincar… A dona Maria do Céu foi ao cemitério, caiu dentro duma cova aberta e ficou desgraçada das pernas, que isto da idade, pá…

    quinta-feira, 7 de março de 2013

    Palavreado

    Ontem estava uma tagarela do pior, tanto de língua como de dedo - o leitor pense o que quiser desta afirmação -, hoje não me apetece falar. Nada. Valha-me a linda foto que hoje trouxe até aqui. Chamei-lhe 'luzinha azulinha'. Original, eu sei.

    Lisboa, 7 de março de 2013

    Post sem título no espaço que ao título se destina

    Contrarrelógio Prazo Ampulheta

    Faltam 15 dias.

    quarta-feira, 6 de março de 2013

    Às escuras

    Lisboa, 6 de março de 2013


    - Que fazes?

    - Tiro fotos a uma luz apagada. (E respiro e vivo. Também.)

    - Ou seja: tiveste uma ideia luminosa.

    - Não, isto é uma luz apagada.

    AMA

    Apenas os amáveis se deslumbram com a amabilidade. Ora porque os amáveis sabem quão difícil é encontrar um desses espécimes. Ora porque são amáveis. Ora porque sim. E não creio que estes motivos sirvam para outros predicados.

    Sai daqui

    Quero ir contigo porque não estou bem em lado nenhum. Há prazer no percurso, ao menos isso.

    Artista(s)

    Há dias vi na tv uma entrevista com o cantor Nuno Guerreiro e achei muito curiosa uma observação que ele fez acerca da sua arte, diz que gosta de se ouvir, tanto que por vezes se lhe arrepia o corpo todo enquanto canta, particularmente num ou noutro registo mais intenso, e principalmente se está em cima do palco. Gabei-lhe o à-vontade para fazer semelhante comentário mas também me identifiquei com essa sensação, de quando em quando sinto arrepios ao escrever, porque estou no palco; este é o meu palco.
    Há prazer no ego, há. Há prazer na exaltação de qualidades que nem toda a gente tem. E a gente tem-nas. E depois? Acaso atrapalho alguém?! O artista depende do ego, ‘migos, ou o oleamos ou ninguém nos virá fazer o servicinho. E depois gripa a engrenagem. E é uma merda.

    La fou chose

    Se eu soubesse descrever aquilo tinha a questão desvalorizada e esquecida, tê-la-ia tornado chata, aborrecida, e estaria com um sentimento que é supostamente comparável ao jogo de cartas finado e do qual saí vencedora. Esse acontecimento é para mim de somenos, transforma-se num ápice em insatisfação e desinteresse pelo mundo em geral. Desconheço completamente o gozo existente num troféu… (Existe tal coisa, isso do prazer da vitória?!)
    Não sei como é com a outra gente, que não converso amiúde. E, se conversasse, decerto não conversaria sobre questões tão íntimas e, sobretudo, tão questionáveis.
    Ah, é verdade, aquilo tem valor porque eu não sei como retirar as camadas que escondem os veios grossos da depressão e as dores profundas. Ai se eu soubesse…

    Idealmente morta

    Devia existir uma morte de morrer, morrer mesmo, com caixão, funeral, choro – picuinhas ou compulsivo, dependeria do chorão - e tudo que fosse pomposo e memorativo duma vida fantástica – porque não umas carpideiras…? -…
    Com tanta conversa já me esqueci onde ia…
    Ah, a morta, eu, pois bem, eu, suspensa algures e dalguma maneira, a meio dum percurso entre a morte e a vida, que a bem dizer todos desconhecemos, vendo quem passa pelo planeta azul e verde, atentando particularmente em quem conheço, num deleite puro mas nada abusivo, sem ser vista, portanto. Falo duma morte assim mais ou menos como se ouve dizer por aí: que os vivos sentem os mortos, como se estes não tivessem efetivamente deixado de existir... Mas em morto, ao contrário, eu morta e a ver e a sentir os vivos. Uma morte dessas assim é que devia existir, duma morte dessas gostava eu de morrer. É bom estar à janela a ver a vida acontecer sem me atazanar.

    Não

    Não consigo escrever sob ordens. Imaginação estagnada. Nem ler o que devo. Passeio o livro dentro da mala. Só. E vão dois dias nisto.

    A pecaminosa que escreve…

    Eu que não recorde este intervalo como sendo para me debruçar por sobre as minhas coisinhas escritas e publicáveis em livros de papel. Não senhores. A bem dizer não fiz a ponta dum corno nessa matéria.
    Não tenho imaginação para inventar histórias de pecados capitais. Ou mortais, ou lá que é. Que porra. Estou fodida com isto de escrever. Mas não literalmente, claro, pois quando não a esta altura teria um semblante vivaz e felino (leia-se satisfeito) e não estaria para aqui a lamentar-me e mais não sei o quê.
    Digamos que…
    … O que aí vem serei eu a desculpar-me perante a minha pessoa, que mais ninguém quer saber das minhas coisinhas e o caraças…
    … Só escrevo o que quero. E (ainda) não quero escrever pecaminosamente. Aguardo a fermentação dos meus temas e tópicos, decerto mais dia menos dia incharão e transbordarão, ou então que se passem as semanas e se vislumbre o limite, o prazo de entrega, já que sou muito boa sob a pressão do curto espaço de tempo. A escrever. Note bem: a escrever.

    segunda-feira, 4 de março de 2013

    Blogue

    Expor copioso. Não copiativo. Não intencionalmente copiativo.
    Expor copioso, expor copioso…. Que te importa isso, não é?





    Lisboa, 4 de março de 2013

    Uma e outra vez

    É um poliban pequeno, 40X40, para aí. Mostra-mo sempre. Mostra-mo todas as vezes que lá vou.
    É verdade. É mesmo verdade → sempre.
    Mostra-me as bonecas também. Porque não as teve em criança, são os amigos e amigas quem lhas oferece com frequência. «Brinco agora!», exclama, feliz. Mostra-me o móvel comprido que esconde uma cama de casal, usada aquando das visitas.
    Outra vez? Outra vez. Outra vez a mesma conversa? Sim.
    Interiormente desprezo a já tão batida mostra de pertences, passo o olhar pelos bibelots valiosos e dou especial atenção às fotos expostas, esses segundos congelados em pedaços de papel, com um significado diferente em cada vez que os contemplo. Fossem as fotos minhas ou de familiares meus e não teriam mais do que um significado, ainda que a contemplação se fizesse todos os dias, e mesmo mais do que uma vez. A vida dos outros é que pode ser transformada, não a minha.

    Quilometragem

    «Olhe, tem placas a dizer 'Bende-se'?»

    (Não, 'miga. Subindo a norte deve encontrar, não é preciso andar muito, quaisquer 150 quilómetros devem chegar.)

    Saída angustiante

    Saí do lugar da musa incerta quanto à saúde do meu chapéu-de-chuva durar o percurso de volta. Isto, tendo em vista a ventania que soprava nas avenidas, aquando da vinda.

    Entrada triunfal

    Entrei no lugar da musa com uma sensação incrível de 'despenteado'.

    Assunto: o estado do tempo

    Há muito tempo que não chovia, ou então há muito tempo que eu não precisava de andar de chapéu-de-chuva aberto, tanto que já nem me lembrava da simples continha de somar:

    chapéu + eu = coisa parva

    Sem título

    Ela perguntou:
    «Por acaso tem sumo?»
    Depois sentou-se a comer uma sopinha triste. Um caldinho. Os caldinhos são para os doentes.

    Temperatura

    Estava quentinho no banco, tanto que me despi frente ao Ricardo Araújo Pereira – RAP em modo caixa de banco, bem entendido. Ou seja: retirei as luvas e desatei o cachecol.

    12:57

    Olá, boa-tarde, vou almoçar não tarda. Só quero deixar registado que escrevo num lugar privilegiado, daqui avista-se um papel de fundo amarelo, amarelo como o sol que hoje se escondeu, onde se pode ver um obrigado ao papa e o próprio papa retratado em cinzentos vários para não chocar ou assim. Ou seja: um papel religioso foi colado há poucos minutos numa das janelas vizinhas.

    Vocabulário

    Quero acrescentar a este post que o rico filho tem 18 anos, é normal que não saiba o significado de 'grafómana'. Eu tenho 44 anos e descobri este vocábulo o ano passado.
    Acho que o facto de o meu rico filho ter uma mãe grafómana é um grande avanço na sua vida, marca a diferença, eu nunca tive uma mãe assim.

    Vocabulário

    Diz a rica filha toda triste que quando andava no liceu ninguém ouvia rep pesadão, que só ligavam ao pop e agora, com estes anos passados, já todos se viraram para esse rep lamuriento e interventivo, e ouvem e sabem das coisas e comentam e mais não sei o quê. Aconselhei-a a gabar-se subtilmente:
    – Diz-lhes que foste uma das percursoras da moda. Vais ver que eles ficam todos malucos com o teu vocabulário...
    Depois pensei, sem chegar a verbalizar, que ao proferirmos palavras estranhas as pessoas afastam-se, ninguém quer pensar muito, isso dá trabalho. Dou-me com uma cambada de preguiçosos.

    Sumo

    A rica filha já arranjou emprego, trabalha num desses restaurantes de fast food inclinados aos pratos pouco calóricos. Diz que se nota perfeitamente quem tem problemas com o peso, se a pessoa se sente 'normal' pede o sumo de morango e quivi, porque gosta e porque sim, quando a pessoa não se sente lá muito bem com a sua figura... Pede expressamente o sumo adelgaçante.

    Apontamento necessário: o sumo de quivi e morango é adelgaçante.

    Antigamente

    Dantes, quando acordava às duas ou três da manhã, era um acordar como que forçado, para pôr o menino ou a menina de dois ou três anos a fazer um chichi, antes que a cama fosse inadvertidamente molhada. Agora é o instinto que me acorda: «será que os ricos filhos já chegaram da festa?!»

    Uma coisita...

    Não tenho escrito acerca dos ricos filhos.

    Lisboa, 4 de março de 2013

    É março, pá! 

    Já é março há uns dias. 

    (Tinha-me esquecido de mudar 

    a folhinha do calendário.)

    Bom-dia!

    Olá, bom-dia. Está de chuva, diz que estes dias são como os dias dum cão desabrigado e ruim. Discordo. A minha cadela encontra-se refastelada no meio dos cobertores que tão carinhosamente lhe oferecemos, morna e descansada. E é um doce de bicho. Já eu... Encontro-me a trabalhar no meio da ferrugem e do pó, cheia de frio e dores atordoantes pelo corpinho todo. E ainda um tanto ou quanto aborrecida, nada doce, portanto. Cagari, cagaró.

    domingo, 3 de março de 2013

    Berrante*

    Loures, 2 de março de 2013

    A calma e a particularidade não querem nada comigo.

    (*Berrante, a foto, claro.)

    Mania

    Tenho a mania que mando no meu blogue. Nada mais ilusório nesta vida de bloguista. Quem aqui chegar pensará e/ou dirá o que quiser.

    Feita!

    Loures, 3 de março de 2013

    «Com o tecido pareo fazer uma blusinha simples e curtinha, mini mangas, pinças a cintar, abotoada atrás, folhinhos na base e nas mangas.» 

    Já está.

    Hortaliça

    Loures, 2 de março de 2013

    Adorava saber se há mais alguma escritora que lave nabiças no recesso do seu lar.

    O vento na vida dos outros

    Loures, 3 de março de 2013

    É um estendal com roupa minúscula cheia de vida devido a um vento que persiste. 
    (Há algum dia sem vento? Não, né? Foi por isso que lhe chamei persistente.)
    É uma casa onde mora o marido das outras. O bicho é que estende a roupa. Que fofo.

    Experimentalmente...

    ♫
      
    ❤

    1551

    É só para que conste isto do número 'trás para a frente / frente para trás'. 1551. Grata pela atenção.

    Acerca do bom-dia

    Acordei com a cabeça leve. Muito leve. Retiro uma série de ilações deste facto mas não as transformo em palavras, que não me apetece nada.

    Ah ganda som!

    sexta-feira, 1 de março de 2013

    ...

    Lisboa, 1 de março de 2013

    Tinha saudades de escrever sem compromisso. E hoje tirei o dia para esse atuar tão desmedido e presunçoso.

    ...

    Um dia destes hei de ter a mania que sei escrever. Não para já, que isto há que manter a ingenuidade no olhar e na cabeça. Deixei de lhe chamar Hoje não lhe chamo virgindade, que já não tenho idade para isso.

    Estupidez

    Claro que busquei a inteligência.
    Claro que busco a inteligência.
    Claro que buscarei a inteligência.
    Mas nada de forças tamanhas, que o verbo forçar é o mais estúpido que existe, muito mais estúpido que o verbo buscar.

    A pecaminosa que escreve...

    Se um dos pecados fosse a melancolia...
    Ai se um dos pecados fosse a melancolia...

    Sem título

    Insatisfação. Morro com o desgosto de nunca dizer.

    Sem título

    Insatisfação. Não é costume dizerem o que eu quero ouvir.

    Sem título

    No verão acalmo-me na sombra. No inverno recosto-me no sol. Se bem que há esquinas ventosas. É por isso que...

    «Boa previsão

    Sei tão bem
    Como é o dobrar da esquina
    Sei como é o vento
    Lá
    Como sei
    Que naquela subida
    Vou encontrar
    O teu olhar estrelado.»

    Dum lado só

    Monólogo → conversa unilateral. Claro, como é que eu ainda não me tinha lembrado disto?!

    «Tinha pena, pensou Henry sem o dizer. A Sra. Beatty tinha queda para conversas unilaterais, e ele estava habituado a colocar-se do lado silencioso.

    'O Gosto Proibido do Gengibre', Jamie Ford»

    Não

    Pergunto-me quantas vezes terei proferido a palavra não. A minha mãe conta que eu dizia não com oito meses apenas, um não redondo e perentório. Vejam só a formiguinha, ainda mal gatinhando e já tão armada em ditadora.

    Pergunto-me se continuarei igual em negativismo e perentoriedade. Pergunto-me quantas repetições do não haverá na totalidade de tudo quanto já escrevi (as vezes em que as vocalizei ao momento não interessam para nada). Decerto muitas, mas creio que a palavra mais vista e/ou lida nesta página é o que, esse pronome relativo*. Às vezes trabalho para abolir essa palavrita, construindo as frases doutra maneira. E acabei de construir uma frase onde a suprimi. E outra. Que fácil! Ups!

    *Pois é, tive de ir pesquisar… Fonte: priberam.pt

    EGO

    Seguidamente egolatrar-me-ei um pouco mais, que o blogue é (d)o EGO.
    Um cavalheiro aconselhou-me a que mantivesse este sorriso assim, que me fica muito bem.

    Considerações / Lançamento / Coletânea

    Lisboa, 23 de fevereiro de 2013

    Chegámos cedo, tanto que antes de começar o evento fomos beber um café ao bar. Sentado numa das mesas estava um senhor de chapéu, encasacado, de caneta na mão, escrevendo. Olhou-me, interessado, e creio firmemente que me olhou à procura de 'coleguismo da escrita'. Considero não possuir 'aquele' ar de escritora, um brilho intenso e frenético, controlado a custo. Como ele. E na verdade naquele momento eu não tinha esse ar, não. A menos que pegasse numa caneta e me debruçasse sobre um papelinho, debitando ideias e espasmos literários. Olhei ao redor, enquanto saboreava um golinho do café do Luís, como de costume, sou uma ladra da cafeína do meu amor.
    O espaço não era opressivo, o momento era, estava um bocado apreensiva e nervosa. Retirei de dentro da mala o bloquinho rudimentar e a caneta. Escrevi. Não para ter 'aquele' ar de escritora, não para imitar quem o tem. Escrevi porque o meu cerne possui isto de escrever – eu já não sou eu sem o ato de escrever -; escrevi porque sim. (Ver aqui.)
    Encontrámos a sala onde iria decorrer o evento ainda em preparação, as fotos sendo penduradas na parede para que todos pudessem ver o trabalho da fotógrafa que trabalhou nesta publicação amorosa, os livros azuis com passarinhos desenhados ilustrando 'Beijos de Bicos' sendo colocados em pilha por sobre a mesinha que serviria de apoio. Apresentei-me à senhora que 'manda' na editora, ela reconheceu o meu nome e de seguida também as feições, por causa da foto do facebook. Depois... Não estava mais ninguém presente, como já disse cheguei cedo, e, talvez por não haver mais ninguém na sala, a senhora disse:
    – Gina G... Tem uma escrita muito peculiar.
    Fiquei perplexa, que não estou nada habituada a estas cenas na minha vidinha de escrevente de blogues e outras coisitas que tantas vezes considero de somenos, mas tinha de responder algo... Sei lá, faz parte... Dialogar faz parte:
    – Tenho?!
    (Que resposta fantástica, oh céus!)
    – Tem.
    Disse ela, meneando a cabeça convictamente, com um sorriso nos lábios.
    – Obrigada.
    E pronto, foi assim. Ok, vá, eu sei que por muito que os familiares e/ou amigos e conhecidos gostem de mim e me apreciem a escrita, decerto nunca o anunciarão com o mesmo desembaraço com que alguém que desconhece o meu historial de vida o faz. Basicamente, creio que a vida dum escritor é assim, ou pelo menos, é essa a minha experiência.
    Entretanto o evento engrenou, houve belas canções expressas ao vivo por uma voz não menos bela, houve vídeos promocionais, houve (muitas) pessoas assistindo, autores discursando. Alguns já conhecia doutros eventos, outros não. Dos que não conheço: mesmo junto a mim estava um homem grande e desalinhado, ouvindo-o falar percebi que era francês, não o entendi lá muito bem mas pareceu-me desejoso de saber o que estava escrito no coração vermelho. (ver foto acima) E eu, esta alma amorosa, tão cheia de boa vontade, ensinei-o:
    – Je vous aime.
    Ele não entendeu. Repeti. Ele não entendeu e adiantou a conversa falando um francês que por minha vez não entendi. Desisti. O meu francês é básico, ademais era melhor parar com a mania francesa, quando não o homem ia pensar que eu me estava a fazer a ele ou assim, sou (quase sempre) muito atenciosa e nem sempre reparto inteligentemente essa atenção pelas pessoas.
    De novo os discursos.
    (Não, não vou dizer nada acerca do meu discurso, não serei capaz de o descrever sem me desqualificar como oradora, e por arrasto, como pessoa.)
    O homem que eu havia encontrado no bar e que está acima referido, era um dos autores. Quando chegou a sua vez de se lambuzar com o naco de protagonismo, declamou um poema de sua autoria, onde se indignava com o ser africano e inerências, mais concretamente: as revoltantes. Admirei logo ali a sua poesia. Muito bom. Obrigadinha.
    E acabou a festa.
    Pois que gostei muito daquele bocadinho de noite.
    Pois que sim senhores.
    Esta é a terceira coletânea em que participo.
    Esta é a minha melhor história.
    Esta é a história em que mais me empenhei.
    Este foi o evento do qual retirei mais prazer e aprendizagem.
    Este foi o evento mais bonito a que assisti.

    Casamento

    Tu prometeste perante uma data de gente, não quero saber! Tens de me aturar, 'migo... Doente, bem-disposto, com dinheiro ou sem ele. Tu prometeste.

    Dias de um Ginásio

    «Quando chegar ali vou ter de me despir...»

    Pensamento recorrente dos dias frios. Dos dias muito frios, como estes de agora. Penso isto quando chego ao ginásio e mesmo antes de sair do carro. Porra para o frio, que me atrapalha e entristece mais do que aquilo que quero admitir.

    20 dias

    Daqui por vinte dias será primavera, o inverno despedir-se-á de nós, todo pesaroso, se bem que esse pesar não me contagia.
    Descobri hoje – eureka! -, por acaso, como é normal nas descobertas, que o mês pequenino – fevereiro - pertence ao inverno, e assim quiçá o mesmo seja menos duradouro que as as demais estações. Não sei se é, quem dera que fosse... (Não vou fazer as contas porque gosto mais de letras.)

    Lisboa, 1 de março de 2013

    Olá, bom-dia! Novo dia, novo mês. Muito bom. Não sei o que hei-de escrever. Ou sei. Estou atrapalhada. Já passa. Ou não.