Gina, a mulher que tem um blogue

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vírgulas

Hum, ok, pois é, o livro, hum, coiso, quero eu dizer, não deu pra avançar. O que está mal são os opostos que não me largam, tipo assim, vá, eu estar um tanto ou quanto baralhada por causa do fingir que faço de conta que não sei que sei escrever, bem como fazer, que também faço, oh se faço, de conta que estou a fingir que sei que não sei escrever. Sim, eu sei, ok, não se percebe nada, mas tem de figurar no blogue.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Olá...

... Boa-noite. Vou neste exato momento expor o que devia fazer amanhã, para ser uma senhora como deve ser. Amanhã eu não devia escrever postzinhos da treta para publicar no blogue. Amanhã, o que eu devia fazer, era, os meus intentos deveriam ser, olha aí as vírgulas, mulher, escrever um livro. Um livro.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

E eu que nunca mais me lembrei disto...

… Trata-se duma carta que escrevi a mim mesma há pouco mais dum ano. Soube do site futereme.org, onde se pode deixar uma carta ao próprio idealizando como se estará daí a um ano e após o ano decorrido recebe-se na caixa de email aquilo que se escreveu.
Não cheguei a mandar mas guardei a carta nos meus rascunhos. De vez em quando lembrava-me mas não a reli mais que uma ou duas vezes. Entretanto passou a data em que devia apresentá-la, lembrei-me hoje.
Tem a sua piada escrever com base no porvir, se bem que o escrevi não esteja totalmente de acordo com a realidade destes dias, o que lamento. Refiro-me ao meu livrinho... Fui demasiado romântica e ambiciosa.

Mensagem do futuro

17 de julho de 2013. Tens 45 anos fresquinhos. A vida corre-te bem, não tarda editas o teu livro de crónicas. Ao tempo que o desejas... Estás que não podes de contentamento, puramente feliz, completa, tu tens um livro, mulher!
Estás desejosa de ver o livro impresso, folheá-lo, cheirá-lo, o palpável em termos de letras é-te prazeroso.
Noutros campos, espero que estejas feliz... Mais feliz, quero eu dizer. O marido, os filhos, todos bem.
O teu blogue criado há um ano – mais coisa menos coisa - vive forte e saudável, jamais deixarás de escrever para os outros, não consegues, sabes que ficas louca se não tiveres esta atividade, tens de mostrar o que escreves, precisas de leitores, a sua presença é indispensável, é como respirar ou comer.

Mais coisas, mais coisas, mais coisas... Ah, por esta altura andarás excitadíssima com a viagem a Itália que se aproxima assustadoramente, falta um mês e meio, para aí.
Assim de repente, agora não lembro mais nada... Talvez deva acrescentar que os ricos filhos estarão mais velhos um ano, também eles. A Ana Cláudia terá terminado o seu curso, faltando ainda o mestrado, o André terá terminado o 12º ano e possivelmente andaremos a braços com a sua ida para a faculdade.
A ver vamos, como diria o cego.
Então adeus e até lá!

P.S.
Olha lá, tu não morras entretanto, ouviste?!

segunda-feira, 18 de março de 2013

A pecaminosa que escreve

*Vaidade… Inveja… Ira… Preguiça… Avareza… Gula… Luxúria…

Não tenho adiantado quase nada no novo desafio da Pastelaria Studios Editora, o qual consiste em escrever um conto sobre um dos sete pecados mortais – já para não falar do meu livrinho, e devo dizer que folgo por a dada altura lhe ter chamado 'o embrião do meu livrinho'...
Ora bem, tenho de deixar passar algum tempo, olhar para as parcas frases que registei até agora, para não as esquecer de todo. Funciono assim, a fogo lento. Não sendo o melhor sistema, sei que é esse o meu sistema de produção literária. Siga a vida.
Não estou adormecida por sobre o dever de responder ao desafio que me propus, nada disso, estou dormente, o que é diferente. Sinto-me pesada e informe, preciso delinear os temas na minha cabeça, arranjar-lhes uma forma e perceber como me relaciono com o meu lado perverso, doutra forma jamais conseguirei escrever. «Ninguém escreve sobre aquilo que desconhece», certo?
Se os pecados são algo que efetivamente existe, sou uma pecadora confessa, rendo-me a todos eles, uns mais que outros, obviamente. No pecado mora o prazer, viver de acordo com as supostas leis divinas é chato. Vamos todos portar-nos benzinho, não? Ora…

Vaidade. Sinto vaidade nos ricos filhos, orgulho-me deles amiúde. Há orgulho no que são e congratulo-me porque até aqui tenho conseguido prepará-los para a vida. Sou uma vaidosa do caraças com os meus meninos, se bem que não me exceda. Presumo.
Não me envaideço com facilidade, e agora estou a falar de mim. Não me sei expor, é a verdade. Noutro dia escrevi no blogue que 'nunca passarei de mediana a tudo quanto for expositivo'. É o resumo daquilo que sou. Todavia, gosto de me alindar, sou mulher, há vaidades sentidas somente no feminino, mas isso talvez caiba noutro pecado, não neste.

Inveja. Não sou invejosa, nunca fui, tanto se me dá que tenham um carro grande como um grande carro, quero lá eu saber disso. E troféus e essas merdas?! Ó 'migos, levem-nos todos, eu até bato palmas com entusiasmo! Vivam felizes e não me moam os cornos.
Porém, invejo o que as pessoas são ou escrevem.
Invejo o que as pessoas são. Quem manda aquele(a) saber falar tão bem e eu não? Porque não consigo decorar anedotas ou episódios hilariantes para depois fazer boa figura numa roda de amigos? Porque me interesso tanto? E porque não exploro esse interesse desmesurado posteriormente? Ou pelo contrário: porque não ajo como aquele(a) e me desligo? Porque não sou feliz como ele(a)? Ter inveja é uma chatice.
Invejo o que as pessoas escrevem. Não gosto de encontrar blogues melhores que o meu. Mais bonitos. Mais bem preparados. Mais bem escritos. Com palavras que habitualmente não uso. Piora bastante se não percebo uma palavrita ou outra e tenho de consultar um dicionário. Que porra. Merda. Quero ser a melhor escritora do universo e não consigo. Por enquanto, que o porvir contém impreterivelmente a esperança.

Ira. Até parece que nas descrições anteriores já pequei um pouquito… Iro-me com relativa facilidade. Depois bato com as portas e encafuo coisas à bruta, levando tudo à frente, numa ânsia extrema de me livrar do que me enerva. E amachuco papéis. E parto canetas; lápis. E esmurro o computador. Ai que raiva! O computador onde escrevo neste preciso momento, tem alturas em que liga somente quando lhe dou um murro bem assente na lateral direita. Liga a luzinha azul que é um mimo. E depois já posso escrever parvidades calmamente. A ira passa-me depressa, ao menos isso.

Preguiça. Indolência… Langor… Sou lenta no levantar da cama. Levo um ror de tempo a despachar-me. Tenho preguiça de trabalhar. Tenho preguiça de fazer a cama. Tenho preguiça de fazer o almoço. Tenho preguiça de levar a cadela à rua. Tenho preguiça de dizer bom-dia; boa-tarde; boa-noite. Tenho preguiça de ler. Tenho preguiça de escrever.

Avareza. Eh pá, avareza… Pois… Não peco muito por aí, não. Sou uma comerciante que nem sabe vender. E está tudo dito. Ou estaria, que vou acrescentar mais umas coisitas. Tenho para mim que a avareza é uma maldade intrinsecamente ligada ao prosperar do negócio. Os ruins de coração são os melhores negociantes. Arrecadar, arrecadar. Aforrar, aforrar, aforrar. Agora é que está tudo dito.

Gula. Avareza, não. Gula, sim. Pode parecer o mesmo pecado, só por dizer que são apetites por coisas muito diferentes.
Neste momento chupo um rebuçado el caserio, quem mo deu foi a dona Aida. É verdade. Mesmo. Tenho a boca doce, o que facilita um bocado este pedacinho de texto pecaminoso. Há pouco devorei um chocolate de leite com avelãs enquanto lia o livro do momento. Devorei-o porque sou uma besta animal, degusto sofregamente doces e afins. De manhã já me tinha deleitado com um pastelinho de feijão que o senhor Tomé preparou com o habitual esmero. Aqui sou lenta na degustação, trincando a massa estaladiça e saboreando o doce recheio, um pastelinho de feijão daquele calibre não é para engolir, é para me deliciar lenta e prazerosamente.
Sou muito gulosa. Tenho o tema facilitado, sendo assim. BB → Bem Bom.

Luxúria. Para mim este é o pecado mais avermelhado que existe, assim que soube deste desafio lembrei-me imediatamente do meu inartificioso (ou propositadamente jogado para um canto) pedacinho de luxúria, tanto que no início desta trama pecaminosa escrevi este post.
Pequeno à parte: a luxúria está ligada à gula, é uma questão de boca(s) - mulher rima com colher; comer rima com foder. (Estou a repetir-me, já deixei isto escrito algures.)
A luxúria assenta sobre o prazer carnal. Ponto.
A luxúria é escandalosa mas eu cá escancho-me na malícia, e por aí me fico, não mexo mais para não estragar, quando não, piso as marcas → sensual não é o mesmo que sexual.
O meu blogue faz prova da minha malícia, digamos que escrever maliciosamente é uma maneira de usar o ardor sensual sem as atitudes que culminam no sexo. Este quente pecado está para lá da linha que não devo transpor, e que não transponho, pois existem limites e valores definidos na minha vida. A imaginação é o que resta, sou muito forte e intensa em luxúria mas apenas no pensamento, não sei se consigo criar um conto contendo cenas de grande sensualidade, com personagens elanguescendo num fervor crescente, crescendo tanto até que... Vocês sabem. A menos que misture a minha história com a gula, numa espécie de suavizante do pecado mais fogoso de todos…

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A pecaminosa que escreve...

Tenho tanto o que escrever... Já não bastava o meu livrinho que me está a cansar a tola, tenho de escrever dos pecados capitais. É o novo desafio da Pastelaria Studios Editora, escrever contos com base num pecado capital, um qualquer à escolha do autor. Ou vários. A ideia é lançar uma coletânea escolhendo 7 contos acerca de cada pecado, para isso acontecer escolherão 7 autores, o que perfaz um total de 49 contos. Desta vez a editora será mais exigente, o que me aguça bastante o apetite à escrita, e já devo estar a pecar um bocadinho, que isto da gula, pá...
Ao trabalho, então.

….................

São sete os pecados mortais; dez os mandamentos. Veja-se: dá mais trabalho a gente portar-se bem, temos mais onde trabalhar no bom sentido, ou seja: temos menos onde nos portar mal e mais onde nos portar bem, e aí vejo quão árduo é o bom e o belo.

Gula; Avareza; Inveja; Preguiça; Luxúria; Ira; Vaidade.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

1515

Não estou preparada para nenhum tipo de exposição. Verdade; verdadinha; verdadeira. O meu livrinho devia chamar-se
‘Ainda Bem que Ninguém me Liga...’

‘Ainda bem que ninguém me liga’ tem tudo a ver comigo. Posso anunciar ao mundo o (possível) título do meu livrinho...
Porque ninguém me liga.
E ainda bem.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

1496

Tenho uma história para escrever. Sei que sei escrever uma história mas não sei como escrevê-la. É um pensamento estúpido, bem sei. Sabendo escrever uma história saberia com certeza como escrevê-la. Mas não sei. E o que sinto resume-se a isso.
Factos concretos: ao momento tenho a dedicatória preparada (não creio que lhe volte a mexer), o título escolhido (talvez o altere uma dúzia de vezes, para aí) e três ou quatro capítulos alinhavados (com princípio mas sem meio e sem fim).
Um verdadeiro desalento. A minha vida de escritora é um sufoco.
Escrever para outros lerem, escrever um livro, é bem diferente de escrever posts num blogue. Para escrever o meu livrinho tenho de me esfalfar para parecer uma esmerada escritora, cheia de requisitos e qualidades várias que me permitam percorrer o sinuoso caminho da escrita inteligente, atentando em pontinhos específicos que despoletarão vívido interesse na mente do leitor. E no blogue... Posso escrever o que me der nos cornos. Tão somente. Porra para isto de escrever. Escrever livros.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Perontus...

… Não dá! Eu tentei, esforcei-me imenso, coloquei o pensamento noutro ângulo; universo; plano; reflexo, o que queiram chamar... Estou de volta.

Ah, o meu livrinho já tem título, mais quatro ideias espetaculares exploradas em duas ou três frases cada uma. Tudo muito original, claro, como não, se a demanda é minha?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Hiato

E por falar em escrever, soube de alguém que não quer saber do lançamento da nova coletânea em que participo, ela quer ler um livro em que eu seja a única autora, isso sim. Sem que fosse essa a sua intenção, percebi que ando a deixar escorrer o tempo não fazendo o que realmente quero, o que considero (mais) importante, o próximo passo é indubitavelmente um livro meu, só meu. Até senti um estalido dentro da tola, como que em tom de ultimato:
«tenho de dar continuidade ao meu livrinho!»
Portanto, vou ali escrever um livro e dar cabo da cabeça aos editores deste país com a qualidade de escrita que normalmente apresento, acho que vão guerrear imenso, decidindo qual deles obterá a primazia de publicar esta nova, promissora e fantástica autora. E original. Originalíssima.
Agora a sério: sei que existe uma probabilidade de eu me safar com isto de escrever, se não tivesse a mínima consciência disso não encabeçaria a feitura duma obra literária. É óbvio que será algo que não agradará a toda a gente, uns gostarão, outros não.
Vai custar-me horrores, mas tenho de abandonar o blogue, tenho de ser uma pessoa forte e decidida. Voltarei. E acabou a conversa, siga a escrita.

(Não sei se deu para perceber que a escrita vai seguir noutro lado... Deu? É que eu já estou com saudades disto aqui...)