Gina, a mulher que tem um blogue

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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A minha historinha

Já sei que é uma grande escritora!, anunciou a dona Olga assim que me viu.

Que acha muito bem as pessoas escreverem.
Que lê imenso, imenso, imenso.
Que foi ela a fundadora daquela ideia de deixar livros no banco do jardim, como que abandonados para alguém os apanhar e assim se promover a leitura entre as gentes, disseminando a cultura.
Que nunca encontrou livro nenhum nos bancos, ao que parece ninguém a imita mas pronto, nada a fazer quanto a isso.
Que passou a vida inteira a estudar, é uma estudiosa, adora ciências, à noite fecha-se no quarto e toca de ler até às tantas.

Então onde é que está a sua história?
Em que página?
245, ok, eu não me esqueço.
Sabe que eu não gosto nada de livros pesados?
Este tenho de o ler à noite, na cama.
Ontem li um duma assentada. Pequeno, cento e tal páginas. Leio imenso, sabe?
Olhe, escreva, escreva. Faz muito bem, aprecio imenso as pessoas que escrevem.
Já sei que vai a Felgueiras, eu disse ao seu marido para não deixar de visitar o jardim junto ao rio, é magnífico!
Então não me diga que não tem um livro para mim!
Este é seu? Que me importa se... «Este livro pertence a uma das autoras e seus... coabitantes. Caso o mesmo se extravie...»
Venda-me este, rasga-se a folha e pronto.
Ah, eu não me importo nada com isso de o livro ser seu! Rasgue, que me interessa se o livro fica lesado?
Não quero a folha escrita porque ainda vão pensar que roubei o livro da casa de alguém. Rasgue, rasgue.
Quanto é? O seu marido disse-me que era xis.

E foi assim que vendi o meu exemplar do livro 'Corda Bamba' à dona Olga, uma senhora muito viva e egocêntrica. Gosto dela, é-me impossível não gostar, mas asfixia-me os sentidos, duma maneira geral não tenho jeito para lidar com este tipo de pessoas. Reconheço no entanto que quando as pessoas se mostram muito e expõem claramente o que pensam é mais fácil escrevê-las. Reconheço também que quando assim é o prazer de escrever é menor.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A minha historinha

Carminho já leu a minha historinha. Sem mais nem menos pergunta se sou eu, se aquilo que escrevi tem a ver comigo. Não me diga que se nota, digo eu muito espantada. Ela confirma.

Ora bolas, ando eu a esforçar-me criando um texto onde me distancio do 'eu isto', 'eu aquilo' e afinal de contas...

Imagino que seja um drama recorrente na vida das pessoas que escrevem, é impossível escrever do que se desconhece, e quem nos conhece vai inevitavelmente reportar o que lê à nossa vida.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A minha historinha

Pumba, mais uma leitora. Desta feita completamente inesperada. Uma familiar leu a minha história.
Diz que a história é gira, o que não me surpreendeu, dificilmente alguém ficará agarrado a uma simples história, deslumbrado, embasbacado e tudo o mais. Os comentários das pessoas geralmente pouco diferem da classificação 'gira'.
Repito: não me surpreende, sei que o santo da casa não faz milagres.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A minha historinha

Carminho quer ler o livro que contém a minha historinha. Pus o meu exemplar à disposição, num misto de orgulho e receio.
Não a vi ler a minha história, que pena ia gostar de ver os trejeitos dela, pois é muito expressiva.

('Carminho lê o livro' é giro para título de livro.)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A minha (nova) historinha

O Gualter já leu o livro, diz que se lê na boa, é fixe, está-se bem. Pergunta quando vem o próximo ao que respondo que já está na calha. Espanta-se um tudo-nada. Como no seguimento da conversa lhe faço saber dos meus planos literários para um futuro mais além, refere o Lobo Antunes como um bom cronista. Pois é... O Lobo Antunes é um bom cronista.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Fuçasbuque

Lá no Fuças houve dois autores da coletânea 'Corda Bamba' que tiveram duas ideias muito engraçadas, um faz uma apreciação pessoal e geral de cada conto, o outro fez um texto usando os títulos dos contos.

Para o primeiro: o meu conto ensina a viver.
Para o segundo: o meu conto gerou um 'caso de nervos'.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

WC

Perguntei ao rico filho quando é que ia ler a minha historinha.
– Não sei - Diz ele – Talvez quando vir o livro no WC ou assim.

No WC?! Socorro, quem me acode? O meu filho vai ler a minha historinha quando estiver sentado na sanita... Oh céus!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Recadinho

Gracioso autógrafo – acho que se pode chamar assim – que coloquei no meu exemplar da coletânea 'Corda Bamba' da qual faço parte como autora dum dos contos:

Este livro pertence a uma das autoras e seus coabitantes. Caso o mesmo se extravie e caia nas mãos de terceiros, agradece-se o favor de o ler com redobrada atenção e vivo interesse, sobretudo as páginas 245, 246 e 247.

A referida autora agradece:
Obrigadinha.

E assina:
Gina Gg