Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue
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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

De roda do meu antigo escrever

Credo, que se me deu um baque do caneco quando pensei que tinha também 'voado' um outro documento de escrita onde apontei ideias para contos que nunca terminei, ideias essas que são do tempo em que me dediquei a escrever um conto sobre o tema sete pecados capitais. Dediquei-me a escrever esse conto e escrevi, chama-se 'Modo de' e está numa coletânea de nome 7 Pecados, volume I.
Há meses que ando para me dedicar de novo às tais ideias que entretanto não aproveitei, alterá-las e aprimorá-las e publicá-las no blogue, mas a vontade nunca é a suficiente.
Mas não. Falo agora do desaparecimento. O documento não se me desapareceu, qual quê, para ali anda, vivinho da costa e assunção de figueiredo. Assunpção.
Tenho de tratar daquilo, não mexo lá vai para mais de um ano, ou talvez dois. Estou curiosa, estou tão curiosa que vou ver.
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Luxúria
mexido e gravado em 13/02/2014 às 15:10:33
Inveja
mexido e gravado em 28/10/2013 às 12:38:01
Preguiça
mexido e gravado em 28/10/2013 às 12:38:39
Vaidade:
mexido e gravado em 10-02-2014 às 12:09:14
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Portanto, há alguns que não são mexidos há praticamente dois anos e outros que há mais dum ano e meio. E agora os textos, decidi que os publico hoje, tal e qual como estão. Vou apenas alterar para o tipo itálico onde o texto não passa de lembretes para o futuro, de como estenderia a ideia e a cobriria com alguns pozinhos de perlimpimpim. Deixo apenas mais uma nota: há temas com mais do que uma ideia, nesses casos não haverá linha em branco, o título a negrito faz o papel duma divisória.

Luxúria:
Sobeja d’ pecaminosa que escreve, tentando o tom voluptuoso
Era uma vez uma mulher certinha
Quem achar que sou capaz de escrever um conto erótico está muito enganado. Não sou. À partida um conto assim é aquele em que os personagens possuem características fantásticas, são compostas para os leitores crerem que o frescor é constante, o vigor jamais finda, a líbido atua incessantemente e a promiscuidade não pressupõe perversidade. Irrealidade.
Mesmo fingindo um sentimento desprendido não me sinto capaz de escrever eroticamente. Mas devia ser capaz, logo eu que possuo um nome de cariz sensual, pouco distando da obscenidade → Gina.
Nessas histórias que não sei contar, os personagens são boas pessoas, francas, prontas a amar, a rasgar o peito se for preciso, já nasceram assim, cheios de salamaleques românticos. Mas também não se deixam pisar, nem se intimidam com nadinha desta vida, resolvem tudo da melhor maneira. E atempadamente. E fazem-no junto ao final das páginas. Que quimera! O sentido de justeza tão pronto, reto, capaz, extraordinário.
Mas não passam das mesmas histórias, oh céus!
Voltando à questão nominativa: no tempo do salazarismo não era permitido que o nome Gina aparecesse impresso na cédula de nascimento. Devia ser um certo embaraço da gente que comandava este país, cambada de púdicos, pá... Parece mal isto, parece mal aquilo, raios os partam. Eles não queriam Gina na minha cédula mas não lamento o facto de todo. Sou Gina à mesma. Gina Maria. Gina na alma e na vida. Os meus progenitores foram teimosos e colocaram um nome no papel de onde facilmente se extraísse a Gina. E eis-me aqui.
Cresci com um vizinho com idade para ser meu pai a chamar-me ‚vagina‘, caso me visse passar na rua. A minha mãe nem dizia nada para eu não perceber até que ponto aquilo era mau.
Cresci com um bando de adolescentes desmiolados a apontar-me o dedo como que a comparar-me com as fotos indecorosas da revista ‚Gina‘. Eu, pequenina no saber, tão pequenina, a quase me sentir promíscua sem saber deveras o que isso significa.
Aqui colocar aquela hsitória da transportadora
Portanto, digamos que sou uma mulher a quem esporadicamente recordam que o meu nome é ‚Gina‘ tal como essa revista cheia de mulheres escanchadas e nuas e pénis esguichando esperma para as suas bocas.
Hum, estou para aqui a pensar que já me está a custar muito menos escrever cenas de sexo, ou espectros do assunto. Se calhar, pronto, vá, vou tentar escrever de beijos e abraços carnais.
«Enquanto a Mari Stella degusta um pastelinho de feijão... Maria Eduarda abre as pernas ao Serafim, o homem que trabalha nas entregas domiciliárias do talho lá do bairro. Ela com um desejo crescendo na boca do corpo, ele com...»
Ná... Veem? Não sei contar histórias destas, daqui a nada estava a falar em penetração sexual e fluídos genitais. Não sou capaz de escrever acerca dessas coisas. Isso foi lá atrás, dois parágrafos lá atrás, para aí...
Onde anda a minha sensualidade? Onde anda aquele desejo subtil no qual apenas se vislumbra uma fugaz centelha do meu recalcado potencial? Oh céus, só eu conheço o quanto é verdadeiramente arrojado!
Andiamo! (Estou a usar a língua materna da Mari Stella, a personagem que inventei mais acima, é-me muito necessário encontrar a realidade.)
Preciso da realidade tanto quanto preciso de escrever uma história com pessoas que se amem fora do risco, ou em risco. O perigo eminente é assaz luxurioso. Supostamente, claro, que eu cá sou uma mulher certinha.
E a minha vergonha já vem dos primórdios da minha existência
Acrescentar a história do corno, a do Max e da Mina, a da Isabel na papelaria
aliás, gajo angelical, explanar as cenas dos livros parolos
Papel Vegetal
Entrou uma mulher pela papelaria adentro e José empertigou-se por trás do balcão corrido.
Não nos debrucemos sobre os pormenores do balcão, cores, cheiros e texturas, o que importa agora são as folhas de papel vegetal.
«O papel vegetal... Não sei de onde vem, ou como se fabrica. Só sei que é branco, transparente e macio, como a pele da mulher que entrou na papelaria.» Foi o José que fez a comparação, foi ele que fez poesia logo que a viu entrar.
Ela queria papel vegetal, ele não.
Perguntou-lhe para que era o papel vegetal, numa ânsia de a demorar.
Depois enlaçaram-se, mesmo sendo comprometidos com outras pessoas, um e outro, mas lá se amanharam com grande promiscuidade. Entretanto a paixão esfriou, nenhum queria largar o poiso, o casamento e depois findou a relação. Hoje ela tem um vestido cor-de-rosa. Lindíssimo.

Inveja:
Sobeja d’ pecaminosa que escreve, tentando o tom tinhoso
Mulheres
A mulher cuzuda tem inveja da magreza. A mulher magra queria ter chicha.
À noite sonhava com ele
Marisa sonha com um homem todas as noites, não falha uma. No sonho o homem está para ali sentado num banquinho de pernas curtas, dobrado sobre si, monologando em frases concisas.
Marisa escuta, somente.
Parece que afinal este homem dita as frases como se lesse em voz alta, sem que façam sentido para os demais.
Mas Marisa é uma mulher especial, gosta de escrever, tanto que a sua cabeça vai buscar o homem das letras todas as noites, porque, como se sabe, todos desejamos companhia, e se existem pontos comuns, tanto melhor.
«Este homem lê só para mim, oh glória terrestre!» pensa Marisa para com o seu íntimo.
Intimista, Marisa é intimista no modo de falar, de gesticular, de sonhar, de escrever. Tudo nela se converte em coisinhas profundas, sentidas mesmo lá no fundo, naquele ponto onde todos somos boas pessoas.
As noites passam e Marisa vai conhecendo gradualmente o homem que escreve. Numa noite dessas percebe que o homem tem um diário e mais não faz do que o ler em voz alta para quem queira ouvir. E Marisa gosta de o ouvir, identifica-se com o assunto e o sentimento advindos da prosa declamada, tem um tom e estilo que se assemelham à sua própria crueza. No entanto, por causa dessa semelança, começa a despontar uma inveja pequenina.
Colocar a ilegibilidade como palavra difícil; inveja do modo de escrever
Fazer de conta que alguém me descobriu através da internet, por causa de falar tão descansadamente em drogaria.
Contar da invejosa que inveja um gajo que escreve na avenida da Républica; mesmo ao lado do supermercado; a igreja como sendo a dgv. Ou então Alvalade, com a igreja são João de Brito. Colocar a escrita no plano dos sonhos, inventar a trama e finalizar com os dois casando na igreja.

Preguiça:
Sobeja d’ pecaminosa que escreve, tentando o tom alapado
Astenia
Passar pelos mais diversos sinónimos no que à preguiça diz respeito
Alapada, refastelada, espojada, inerte,
«E eu que era tão despachada!»
É a frase que mas se lhe ouve. Envelheceu. Empobreceu. Outrora foi «despachada». Agora, se vê uma manchinha na parede, esquece-a rapidamente.
Colocar o assunto na preguiça, na letargia, na velhice, o não se limpar a casa.

Vaidade:
Sobeja d’ pecaminosa que escreve, tentando o tom ególatra
Equilíbrio
Max e Mina resulta no título deste pequenino conto - equilíbrio.
Max é mágico, é tão mágico que dá espetáculos e tudo.
Mina acompanha, como uma sombra. Mina não chateia Max. Não inveja. Não se sobrepõe.
Max é uma estrela. Exubera, como se a prepotência não lhe fosse prejudicial, ou não arruinasse os sonhos doutros seres que com ele convivem.
Mina não contrapõe Max. Nadinha, nadinha. Deixa-o ser aparecer, fazer, deixa-o ser como quer, quando quer, onde quer.
Max aperalta-se para os seus espetáculos. Ao seu redor movem-se belas mulheres
Eu, a que observa, a que conta a história, concluo que cornos desses todos queremos ter.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Está na hora

De seguida pode ler-se umas ideias desconexadas que andam nos meus rascunhos há para aí um ano, as quais neste momento não julgo que sirvam para mais alguma coisa senão para plantar no blogue.

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Há um sonho que me visita recorrentemente há dez noites: alguém me instiga a dialogar e eu respondo que não gosto de dialogar, e entretanto juntam-se muitas pessoas e todas me perguntam se gosto de dialogar, como se cantassem um jogral.
Dez. Dez noites. É então que se faz luz: é dia dez!
Tapa essa luz que me faz mal. Três, é o mês. Tapa a porra da luz, pá! Não quero ver.
Quero lá saber se a vida é bela, que tolo chavão... Agora estou zangada, lembrei-me que é dia dez, portanto não me molestem. Este dia dá cabo de mim. Não me digam nada. Não é preciso dizerem nada, ou por outra: não me interessa o que dizem, não quero as vossas opiniões. E também não se justifiquem.

Eu tenho de andar sozinha. Calcorrear a cidade. Perder-me em pensamentos maus.

Eu não quero viver. E tu?!
'Eu não quero viver!'
Pintei esta frase nas ruas de Lisboa, desenhei rabiscos vermelhos numa parede suja da capital. Não à vista de toda a gente, qual quê, está numa parede baixinha, a frase escrita ali pelo meio, que eu cá sou pela subtileza, ou se é atento e observador como eu, ou então desapareçam.
Porém, ninguém respondeu. Porque é que ninguém respondeu? Sou má, sou ruim? Não me aguentas? Hã?!
Eu não quero viver num mundo onde as pessoas são felizes. Todas, menos eu. Eu não sou feliz. Sou infeliz. Insatisfeita. Inapropriada. Inconsequente. Inconstante. IN. In é o contrário do bem, do bom, do maravilhoso, e tudo isso me enraivece. Que inveja dos felizes. In, de inveja. Também é um contrário. Um contrário do que devia sentir. Qual é o contrário de inveja?

O contrário da raiva é a apatia, a qual me é necessária para apaziguar a raiva. Preciso dela. Preciso das duas.

Tenho raiva do mundo e das pessoas. Não me controlo.
Quem inventou este mundo?
Quem fez isto assim?
Porquê as contradições?
Uma pessoa sente-se só e tem medo das multidões.
Uma pessoa gosta de flores e não consegue obter um jardim viçoso.
Uma pessoa gosta de nuvens e está um sol esplendoroso.
Uma pessoa gosta de cantar e arranja doenças na traqueia, no esófago, nas cordas vocais.
Uma pessoa comunica eloquentemente e aparece-lhe um cancro na língua.
Uma pessoa gosta de escrever e arranja tendinites.
Sumamente: vê-se ruir o instrumento físico a que se atribui maior valor e a beleza não existe nos momentos em que mais precisamos; abandona-nos; deixa-nos à mercê.
Mas não percebem que esses são os prazeres que a gente pode ter?! Que porra!

Ira:
Sobeja d’ pecaminosa que escreve, tentando o tom encolerizado

terça-feira, 26 de novembro de 2013

3614

Sinto-me maltrapilha das palavras. A sério, visto mal de blogue. Estou a escrever, e portanto confiante no que digo, escrever é fingir certezas e é por isso que insisto no tema. Mendicidade ao nível da blogosfera é comigo.
Ontem publiquei uma série de posts que espero sejam pulsantes. É o que mais quero. Quero mostrar a vida porque lido com a morte todos os dias e essa é a maneira mais sadia de me equilibrar. Penso na morte, reflito vida. Penso na morte, reflito vida. Penso na morte, reflito vida.
Ontem fiz mal pôr-me para aí a dizer que a escrita da Maria Gabriela Llansol é aluada. Que desplante. Hoje de manhã lembrei-me do que escrevera e arrependi-me tanto. Não sei que raio tenho na cabeça, nem sequer conheço nada do que ela escreveu, só por dizer que no programa televisivo, de onde me saiu a ideia para o dito post, mostraram uma série de papeis escritos pela sua mão e essa apresentação pareceu-me louca. Daí ir buscar a aluada. Aluada sou eu, que também anoto as loucuras e os devaneios em papéis que por vezes custo a decifrar, mesmo que lidos apenas umas horas depois. Já houve um ou dois que nunca decifrei. Não é que quisesse comparar-me a uma escritora, mas fi-lo inconscientemente.
Quando se é muito jovem os avós podem meter um bocado de nojo a comer. Eu tinha um tio.
Desta vez, acerca do meu mais recente conto publicado (Coletânea 7 Pecados, Pastelaria Studios Editora), não tenho obtido grande resposta, não tem sido mostrado a muita gente. Imagine-se eu para a Isilda: já viste o que escrevi recentemente, e ela lia que a Maria Alice acha que 'comer é foder' e depois nunca mais me olhava porque ia ser difícil convir que é uma personagem ficcionada, e é uma personagem que inventei, sim senhores, mas para mostrar a minha opinião. Imagine-se eu a mostrar aquilo ao meu pai, aos ricos filhos, ao meu irmão, às minhas cunhadas. Concluiriam que sou maluca, mas pior que isso, não diriam nada e afastar-se-iam um pouco, alguns fariam esgares enojados. Uma chatice. Escrever é um ato hediondo, afinal. A bem dizer: escrever é uma merda.
Olá, boa-tarde. A vida é tão boa.
Lisboa, avenida de Roma; 13:57; 9º. Lisboa, avenida João XXI; 14:15; 17º. Lisboa, praça de Londres; 14:26; 16º. Dados banais mas díspares.
Ontem, no ginásio, eu estava de abalada mas tive de me sentar um pouco à espera, então apoiei a cara na mão e deixei-me ficar a observar a rececionista e uma usuária (chamam-nos sócios mas eu não gosto do epíteto). Estava tão cansada que não quis saber se embaraçava as meninas ou a mim mesma e deixei-me estar a fazer figura de gente infantil ou então de gente velha que não tem que fazer. A usuária cochichou algo que só pode ter sido no sentido da minha atenção descarada se dever ao facto de a rececionista falar alto e gesticular imenso, tanto que esta ripostou que 'não, ela já está habituada à minha maneira de ser!' Pois estou, e até lhe acho graça, tanto que ela sabe...
No livro que leio no intervalo ('A Acidental', Ali Smith) afinal ela ainda não se matou no penhasco, nem sei se o fará. Hoje li durante pouquíssimo tempo, não deu para findar a leitura, estou a escassas páginas do fim da história.
No livro que leio em casa ('A Fé de um Escritor', Joyce Carol Oates) a autora diz que vai correr para pensar e depois escrever. Diz que é bom. Que produz. As ideias proliferam. Concordo. Eu ando por aí e dá no mesmo. Não estou a comparar a escrita da gente as duas, só estou a fazer uma comparação pequenina em relação ao resultado duma atividade que eu e ela temos em comum. Quero dizer: mais ou menos comum, ela corre, eu ando muito depressa.
Hoje resolvi fazer e apresentar uma escrita compactada. De certo modo este escrever mima-me, isola-me e livra-me da maldade aí presente. Não me importa que seja ilusão. A vida é uma ilusão. Pra quê a correria e o querer ser feliz? Pra que é que isso interessa se morro no fim?
Lisboa, Lumiar; 20:43; 9º.
Agora vai-se ver uma maçã em várias posições, fases e formatos. A maçã que já foi falada ontem. Há maçãs cá com uma sorte. Ei-la.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

...

«Imaginação: o mal involuntário de que desististe. Desistir dela é desistir de mim.» 'Lápis Mínimo', Ana Marques Gastão

Não tenho que ver com o que a poetisa escreveu mas queria ter. Estou um bocado perdida com isto do blogue e afins. Quarentão acaba em ão, quarentona acaba em ona. Grande porra. Não escrevo palavras bonitas. No blogue apresento histórias que não são entendidas como quero, nos livros apresento histórias que não posso mostrar. Tesão é substantivo masculino. Tinha de ser. Eu bem disse que não alcanço as beleza das palavras. Porra. Lamber diz-se com languidez, a língua bate nos dentes ou no lábio superior, isto em querendo pôr a sensualidade a participar na conversa. Não consigo. Lamber; languidez; língua; lábio. Qual quê, não consigo mesmo. Que não sei escrever já eu descobri há muito tempo, só que dava-me jeito que as ideias se fossem embora ao menos durante uns tempos porque estou cansada pra caraças.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A pecaminosa que escreve

Ontem, domingo, o meu conto foi lido por duas pessoas.
Ela gostou e voltou a referir que gosta do meu modo de escrever. Gostei tanto.
Ele disse que o assunto é quente. E corou. Achei-lhe um piadão. Depois quis saber se ele alguma vez tinha pensado que eu seria capaz de escrever e ele fez que não com a cabeça. Ai o que eu gosto de surpreender as pessoas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A pecaminosa que escreve
(tentando ilustrar a gula…)

«Não há amor mais sincero que o amor à comida.», Bernard Shaw

Esta frase está há meses nos meus rascunhos, à espera de oportunidade para aparecer. Escrevi da gula, revelo. O meu conto 'Modo de' assenta sobre a gula. E, vai daí, com o desenvolvimento perdi o controlo e o tema descambou, ou então converteu-se, não sei muito bem. Rabiei pra caraças para me manter no assunto. Não deu. Pumba. Coiso. Olha, paciência. Afinal de contas as incertezas e o desequilíbrio ajudam(-me) a escrever.

«Arranje-me uma marguerita, por favor. Com muito sal no bordo do copo para eu passar a língua prazerosamente, sorver o líquido turvo com uma vontade contida, os dentes fazendo as vezes duma rede que não deixará entrar o gelo dentro da boca, quero que derreta dentro do copo, esperar a marguerita como que transbordar antes de cada golinho que me há-de saber a limão muito ácido e a Tequila. Principalmente a Tequila, a ver se rodopio aqui sentada, enquanto absorvo o resto do lugar, que eu cá adoro essas cenas de olhar e tal, para as pessoas, para os objetos, pensar e cismar e disfrutar de tudo quanto é visível e invisível, plausível e impossível. Quero relaxar, o dia foi ruim, a minha vida está estranha, eu sou uma pessoa muito especial. Quero uma marguerita, é isso mesmo. Obrigadinha.»

Nota: excerto dum post meu datado de 12 de abril de 2012

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A pecaminosa que escreve

Chegaram os livros. Oh céus. Ooooh céus. Já reli a minha história, agora em papel. E pronto, já está. As histórias escarrapachadas no papel têm um peso pluma e assim sendo é mais fácil alcançar aquele desprendimento que acho necessário, o qual não alcanço com a escrita no blogue, nem pensar.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A pecaminosa que escreve

Está na hora de dar notícias. Não me apetece. Mas está na hora de dar notícias.
Não fui ao lançamento. Não quis. Sou antissocial.
Só por dizer que não ter ido equivale a não ter os livros comigo ainda. Ou seja: tenho de esperar uma semana ou duas até que cheguem através do correio. Paciência.
Já está em papel, já é oficial, já não tem importância porque o que escrevi já não me pertence, quem sabe já alguém tenha aberto o livro e efetivamente lido o meu conto.
Quem quer que venha ler o meu conto nunca mais vai ser o mesmo.
Na frase acima falei convictamente mas não estou convicta de coisa nenhuma, é antes o desejo a falar, pois escrevi o conto desejosa de transformar alguns modos de pensar. O meu conto chama-se 'Modo de'.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A pecaminosa que escreve vem aí

No próximo sábado, 12 de outubro, na Fábrica Braço de Prata, Lisboa, pelas 20:30, ocorrerá o lançamento da coletânea '7 Pecados' da Pastelaria Studios Editora, onde constará um conto meu com o título 'Modo de'.
Não quero ir (o que não significa que não vá).
Porque sinto aquele tédio que denomino como 'mais do mesmo'.
Porque não passarei de mediana a tudo quanto for expositivo.
Porque há em mim uma catrefada de sentimentos que distam da humildade e/ou modéstia e estão a um passinho da presunção.
Não quero ir (o que não significa que não vá), mas se alguém quiser, força aí.

Fábrica Braço de Prata, Rua da Fábrica de Material de Guerra, nº 1, Lisboa, sábado, 12 de outubro, às 20:30.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A pecaminosa que escreve

Está na hora de publicar dois rascunhos e ideias pouco desenvolvidas de quando andava a ver se escrevia um conto pecaminoso para integrar a coletânea '7 Pecados' da Pastelaria Studios Editora. São pedaços de texto que me andam para ali aos rebolões há cerca de meio ano.

Eu e elas

Foder pode dar trabalho, portanto: é justo que paguem às putas, esse é o trabalho delas.

O meu sonho é publicar o parágrafo acima nas redes sociais e poder continuar a receber amigos em casa, ser notada com uma anfitriã exemplar porque ponho na mesa bolo de chocolate com cobertura fresca e chá com profundas notas aromáticas, tudo preparado com sincero amor.

Sobeja d’ A pecaminosa que escreve, tentando o tom encolerizado.


Perfume enjoativo

Bah, que perfume tão enjoativo. O perfume das velhas é enjoativo porquê? Mas porquê?! Decerto é o desejo intrínseco de dar nas vistas perpetuamente. Dar nas vistas... Essa ocasião tão feminina.

Sobeja d’ A pecaminosa que escreve, tentando o tom ególatra.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A pecaminosa que escreve

Num dia desta semana enchi-me de coragem e reli o meu conto. Ou por outra: tentei reler, não consegui ler mais que um terço da história. Sei lá, acho que estrago tudo, como se da caixa de Pandora se tratasse, dali advirão males e esse tipo de coisas. Acresce ainda a vontade de fazer alterações ao que escrevi, parece que nada está como devia estar. Sabe-se que um autor não termina a obra, abandona-a. Logo... Coiso.

Ah, mas entretanto deu para recordar a primeira frase do conto*...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Em vindo o calor...

Elsa Maria já combinou consigo mesma: este verão vai fazer vestidos, blusas, saias, casaquinhos. Tudo colorido e tudo em muito, quatro ou cinco peças de cada modelo.

Só falta o verão...

Elsa Maria há-de preparar uma cena do caraças com a confeção dos vestidinhos e blusinhas e sainhas e casaquinhos de verão... Só falta o verão. Pois é.

Nota: sobeja d' Apecaminosa que escreve, tentando o tom ególatra

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dá-me nervos

As pessoas felizes. As pessoas. Que tossem. Que falam. Que se enervam.

Nota: sobeja d‘ A pecaminosa que escreve, tentando o tom encolerizado.

A pecaminosa que escreve

Escrevo agora para registar que desde que enviei o meu conto e soube da sua aprovação, nunca mais o reli. Nem me lembro como começa. A sério, não lembro, não. Se recordo o texto como um todo, há uma frase que pipoca imediatamente, pois é expressa que se farta e por junto pipoca um adjetivo invulgar na linguagem corrente que memorizei porque passei a vocalizá-lo amiúde desde a feitura do conto, mas não tenho memória nenhuma da primeira frase. Nada. Acho isto um bocado estranho, lá que não recorde o miolo da história em termos de elos de ligação ou certos pormenores, ainda vá que não vá, agora a primeira frase é assim como que não lembrar o dia de nascimento dum filho.
Não vou reler o conto para já, tenho a mania que sou estragadona, ainda dou cabo das letrinhas todas e o caraças.

A pecaminosa que escreve

Olá, olá… Trago notícias da pecaminosa que escreve. Pois bem, este tema ainda subsiste, o dos pecados capitais, ou mortais ou lá que é.
Aquando da viagem interior que tive de fazer para escrever o conto que integrará a coletânea ‘7 Pecados’ a ser lançada em setembro pela Pastelaria Studios Editora tive muitas ideias e criei muitos tópicos e/ou textos que ficaram mergulhados na inércia até há pouco tempo.
Há dias retornei aos escritos dessa altura (maio, mais ou menos dois meses, portanto), modifiquei alguns, acrescentei frases, noutros, palavras, ou eliminei-as, e a partir de hoje vou publicando algumas sobejas pecaminosas aqui e ali, se bem que nem todas figurarão no blogue.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A pecaminosa que escreve

Tenho de mudar o título do meu conto. Logo o título. E eu que nem gosto de intitular. E eu que gostava tanto do título e nem gosto de intitular. Que merda.

Então é assim: telefonaram da editora, olhe lá, a gente vai fazer uma obra pecaminosa em jeito de ser o leitor a decidir na sua cabeça em qual dos pecados insere as histórias, não vamos catalogá-las nem nada pois isso é determinar e determinar é definir e definir é castrar e isso nada tem a ver com arte e mais não sei o quê, por isso o leitor que decida.

Agora a sério: nem todos os títulos dos contos têm de ser mudados mas o meu tem porque é efetivamente demasiado previsto. O título que escolhi tem um verbo, retirei o verbo e pronto, está feito. Incrivelmente, o título definitivo era o título que primariamente eu havia criado. E está feito, não mexe mais.
Um dia explico isto melhor, por ora não quero revelar sequer uma palavra do meu conto.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A pecaminosa que escreve

Ao tempo que não se ‘ouvia falar’ dos ‘7 Pecados’ no fuçasbuque… No sábado li um post da editora que dizia para a gente descansar, não se esqueceram deste trabalho mas têm andado atarefados com o segundo volume d’ ‘Poesia sem Gavetas’ (não participo neste segundo volume). Pois muito bem, a publicação assaz pecaminosa deve estar para breve. Devo dizer que quem ler a minha história pecaminosa nunca mais vai ser o(a) mesmo(a).

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A pecaminosa que escreve

Estou lixada. O meu conto pecaminoso assenta sobre um tema ancestral e portanto não é novidade nenhuma (isso já eu sabia e já agora acrescento que não procuro temas ou histórias originais, cansar-me-ia debalde) só por dizer que ultimamente ouço amiúde o assunto ancestral que escolhi para me mostrar pecaminosa... Ele é na Radio, ele é na TV… Merda.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Alô, alô! Daqui fala a Gina Maria!

Nas publicações literárias que estão a ser cozinhadas passarei a ser ‘Gina Maria’, ao invés de ‘Gina Coiso’.
Porque o ‘Coiso’ não é nome que me pertença de nascença.
Porque não vou buscar o nome de ninguém, caso haja glória ou desgraça com os meus contos.
Porque ninguém tem nada que beneficiar dos (presumíveis) louros da minha criatividade.
Porque ninguém tem que se ver nomeado com o (presumível) descambar da minha reputação.
Porque diz que quem se chama Gina não precisa de apelido (ouvi na radio há uns tempos, Vasco Palmeirim: estou contigo, obrigadinha, pá). Acrescentei, ainda e simplesmente, a Maria.

A Maria é simplesmente.
A Gina não precisa de apelido.
Gina Maria.
Muito prazer.
Não é forçoso retribuir-me o prazer.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A pecaminosa que escreve

Lisboa, 8 de maio de 2013


Pois muito bem, foi com alegria que fiquei a saber que efetivamente integrarei a coletânea '7 Pecados' da Pastelaria Studios Editora.
O único senão - ou ligeiro sombreado por sobre a maravilhosa notícia - é que os contos serão 80, distribuídos por dois volumes e, não sendo os 49 inicialmente previstos e anunciados, não há disparidade entre os escolhidos e os outros. Ou seja: nunca saberei se sou mesmo boa nisto de escrever e mais não faço do que masturbar o intelecto.
Pronto, ok, vá, é assim: ter a mania que sei escrever é bom e faz falta. Mas não me é suficiente.
(E com estas confissões já estou a pecar...)
Adiante.
Pensando nisso dos 80: serão 80 contos ou 80 autores? Calhando percebi mal, e se assim for, o abismo encurta; estaremos mais próximos uns dos outros, uma vez que há autores com mais do que um conto.
(Oh céus, olha eu a pecar de novo…)

Não revelei ainda o nome do meu conto.
Não me apetece revelá-lo.
Não sei se revelarei.
Não revelei ainda qual o pecado que escolhi para escrever.
Não me apetece revelá-lo.
Não sei se revelarei.
Gosto do secretismo; sou misteriosa.

É nestas alturas que tenho pena de não ser uma bloguista deveras cativante, levando os leitores a manifestar-se com qualquer pipocazinha inocente ou perniciosa, desenxabida ou loquaz que eu mande para a blogosfera. Não sou. Se fosse lançaria o desafio de tentarem adivinhar. Mas não lanço. Ia ser giro. Mas não vai.

Ontem à noite, depois de saber a notícia, quis reler o meu conto. Entretanto não fui capaz, deu-me ideia que ia estragá-lo ou assim. Sinto-me mais emporcalhada que o pecado sobre o qual escrevi, o que me baralha a cabeça até mais não. Homessa, aquilo vai ser lido... Aliás: aquilo já foi lido por outrem...

Há autores que no fuçasbuque andam todos felizes a publicar excertos das suas histórias ou a tentar espicaçar os leitores/amigos – a minha história é isto, a minha história é aquilo, vocês vão gostar e ficar presos na leitura e mais não sei o quê.
Note bem: nada contra. Eu é que gostava de ser mais destemida e menos misteriosa.

E por hoje é isto. Amanhã regressarei, creio eu. Tal é presumível por ser costumeiro. Isso mesmo. Silêncio.