Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

sexta-feira, 13 de março de 2015

Aos treze de março de dois mil e quinze

:::: Sexta-feira, 13. Dia de azar, dizem. A ideia não me aquece a mioleira, quero lá saber dessa porra, tenho pena é de não ter a mesma sorte que tive há exatamente quatro semanas atrás, também uma destas sextas-feiras, 13, mas não, hoje estou de cornos mergulhados no estaminé, aguentando a vida, mais ou menos como fazem as pessoas normais.
:::: Posta-restante: há caixinha no armazém, sim senhores. As coisinhas que foram daqui meti-as lá todas. Couberam. Há horas felizes.
:::: Posta-restante: o tubinho de creme para as mãos acabá-lo-ei hoje, afinal. É mesmo um tubinho, baixinho, gordinho. Baixinho porque lhe corto a altura em não descendo o creme, tipo assim quando está no fim, pronto, corto-o ao meio e enfio lá os dedos. Raspo as laterais, começo por aí, e quando está tudo lambido toca de cortar mais um bocado à altura do tubo que vai ficando a cada dia que passa e a cada enfiadela de dedos mais pequeno, mais pequeno, baixinho, baixinho. Agora tem depositado no gargalo um pouquinho de creme, dá para uma vez, como aliás já tinha dito ontem.
:::: Dia de (disseram na Radio). Hoje é dia do sono. Dia Mundial do sono ou lá que é. Hum, ok, vá, este item é também uma espécie de posta-restante, que ontem já debitei uma ideia incipiente acerca do meu sono. Pois que agora durmo menos, muito menos. Deito-me por volta das onze e meia / meia-noite, como faço há anos, adormeço normalmente, sem dificuldade na maioria das noites, mas acordo às cinco da madrugada e a partir daí já pouco durmo. Quando acho que está na hora, levanto-me.
:::: Ontem não falei do lugar da musa, que desavergonhada... Pronto, ok, vá, agora é meio-dia e tal, daqui a pouco estou lá caída, a ver a malta, a escrever, sem ler. Há meses que não leio. Hum. Mas devia, considero que devia, seria como meter-me na vida da outra gente, isso é fantástico para esquecer as minhas coisas parvas, mas é que não tem dado para ler. Mesmo.
:::: Escrever nos moldes em que tenho escrito nestas duas últimas semanas é coisa para me fazer escrever sobre assuntos que nem sempre escrevo por pudor, ou ainda tomada por alguns sentimentos que nos moldes habituais, mais expositivos, seria incapaz. Sob esta perspetiva é estimulante não ser lida, não ser lida é libertador, oh se é. Posso vir dizer ao mundo inteiro: olha dói-me a cabeça pra caraças, ou dói-me os pés, ou tenho um problema, ou estou triste, ou quero morrer. Esse tipo de coisas. É efetivamente muito agradável estar incógnita e como que protegida.
:::: Tenho uma coisinha de ontem acerca do lugar da musa, o bolo de chocolate que cusquei num livro que estava na bancada. Inspecionei o elemento e ele mandou-me dizer que tem lá uma receita de bolo de chocolate que deve ser delicioso. É quase uma da tarde, não vou ter tempo para escrever o resto, por ora, vou almoçar e depois continuo.
:::: Cá estou eu. Quase quatro da tarde, agora. Vou então continuar do assunto e do ponto de há bocado. Dizia eu do bolo. Ok, vá, ontem dei com a tal receita, de seu nome 'Bolo de Chocolate com Requeijão', e entretanto veio-me à memória que conheço aquela receita de algum lugar, ouvi de alguém, ao vivo ou através da tv, não sei, mas recentemente tive contacto com aqueles ingredientes e aquelas quantidades. São elas:
250 gramas de manteiga amolecida
250 gramas de açúcar
6 ovos
200 gramas de requeijão
250 gramas de farinha
2 colheres de sopa de chocolate em pó
1 colher de chá de fermento em pó
A preparação há-de ser o costume, creio:
Bater a manteiga com o açúcar até ficar um creme branco.
Juntar os ovos, um a um. Bater entre cada adição.
Peneirar os ingredientes secos e juntar à massa, mexendo cuidadosamente.
Levar ao forno em forma untada e enfarinhada durante aproximadamente 40 minutos. Desenformar e rechear. Ou então não.
E é no momento em que escrevo a primeira frase do parágrafo anterior que me lembro onde vi esta receita pela primeira vez, foi numa revista que estava no gabinete da Carminho. Enquanto ela me apalpava e/ou esfregava os pés eu passava os olhos pelas receitas que estão nas revistas que ela lá tem.
:::: Lugar da musa. As gajas do costume chegaram depois de mim. Não gosto do olhar que uma me dirige, interessado mas frio, cá para mim é inveja. Às vezes há umas pessoas que.
:::: Um homem consegue despir uma mulher somente com o olhar. É uma sensação peculiar e pontual. Conheço-a, mas eu gostava mesmo era de a situação se me apresentar ao contrário. Isso é que era.
:::: Seis e tal. Até amanhã. Até amanhã, sei lá eu, ao fim-de-semana sou preguiçosa para apontar os pensamentos e depois esqueço a maioria. A registar: hoje é sexta-feira. Até quando eu quiser, então.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Aos doze de março de dois mil e quinze

:::: Dez e onze. Tanta coisa para escrever, oh céus. Estou atrasadíssima com isto de expor a minha vida num blogue. Ontem, e vem a propósito portanto não mudo de parágrafo, recebi um comentário de uma leitora, aparentemente sem blogue, notando a minha longa ausência. Fiquei estupefacta. Sério. Não é costume haver presenças no meu blogue, principalmente presenças tão atentas. Um dia torno ao blogue, na verdade o que mais tenho feito nestas duas últimas semanas é escrever, mas não mostro nada. Foi mais ou menos isto o que respondi àquela atenta leitora.
:::: Esta manhã pus-me a observar as flores cor-de-laranja que colhi ao pé do hospital há uma série de dias, para aí umas três semanas atrás, estão murchas, escurecidas, a lutar pela vida. Ia deitá-las no lixo, mas não, sábado fotografo-as, estarão ainda mais murchas e escuras, portanto belíssimas.
Já tenho a minha máquina fotográfica, ah pois tenho. Não está grande coisa, essa é a verdade, a lente continua um tanto ou quanto oblíqua, nota-se particularmente no programa 'comida', que é um dos que mais uso, uma vez que se adequa perfeitamente a tirar fotos a um motivo, a média distância, ou ainda muito perto, e também tem um brilho que não é natural. Um dia desses dedicarei algum tempo a tentar compensar o brilho excessivo, mexo naquilo tudo, exploro opções e tal, pode ser que consiga alguma coisa.
:::: Ontem chamei almas incógnitas aos leitores. Serão leitores, no futuro, obviamente, pois que agora não publico as merdas que escrevo, daí o incógnito.
:::: Tenho creme de mãos para mais uma aplicação. Entretanto já está um tubo cheiinho desse creme benfazejo, igual, pronto a fazer a substituição.
:::: Agora chego mais cedo ao estaminé. Há insónias pelo fim da madrugada e isso assim, então levanto-me.
:::: Almoço. O melhor do bacalhau à Gomes de Sá é o ovo cozido. Há um quê prazeroso na mistura do azeite que confitou a cebola e a gema de ovo cozida.
:::: Boa tarde, minha senhora, digo eu à Carminho lá no restaurante onde sempre nos juntamos e nos separamos. Boa tarde, minha senhora, digo eu à minha sogra, isto se a vejo da parte da tarde, claro, quando não diria bom dia, minha senhora. Entre elas há uma distância de trinta anos e eu a tratá-las da mesma forma. Entre mim e a minha sogra distam quarenta anos. Há aqui um resultado: dez. Gosto tanto destas contas.
:::: Ó Gina, és boa naquilo que fazes? Não.
:::: A mulher do senhor doutor estava à porta do supermercado, carrinho na mão, vazio de compras. O senhor doutor estava para vir.
Só eu, pá. Só eu pra me deter nestas minudências.
:::: O que (me) compra o ourives. O ourives compra (me) limpa pratas. O que (me) vende o ourives. O ourives vende (me) limpa pratas. Um produto muito bom, em qualquer dos casos, esse limpa pratas. O ourives é também uma joia de pessoa. Ou, para esquecer o chavão, se bem que esteja presente um quiproquó interessante, o ourives é o expoente máximo de um monte de predicados.
:::: Afazeres:
cento e dez; quarenta; dezassete – érre; á; éé
cento e dez; zero; zero; catorze – tê; ú; éé
mil novecentos e trinta e quatro – ver se há caixinha no armazém
:::: Seis e tal da tarde. Calhando já cá não venho. E eu que me apetece tanto, pá.
:::: Ah, a árvore amarela. Então, coiso, está bonita, parece viva, muito viva, aliás, com as bolinhas nas pontinhas dos raminhos e coisinhas assim fofinhas e especiaizinhas. Especialezinhas. Não sei. Especial-pequenino não tem plural, que é lá isso.
:::: Ah, ainda outra coisinha: o professor de Pilates diz que estou muito bem, que quase não é preciso corrigir-me, que se abeira e me ronda e me sonda as posições, mas que bem estou, oh pá, estou muito bem. Fiquei tão contente. Alguminha coisinha faço benzinho, não é. É.
:::: Até amanhã.
:::: Boa noite. Ah ah. Afinal ainda cá venho. É só para fazer o dia e o post acabar diferentemente. Crendo eu, que creio, e querendo, pois quero, amanhã será o último dia em que continuo a vida do blogue a usar esta lengalenga 'ao dia tal do mês coiso do ano assim'. Agora é que é: até amanhã.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Aos onze de março de dois mil e quinze

:::: Cinco para as seis da tarde. Só queria deixar registado que estou viva. É que hoje não tive tempo nenhum para escrever. Pronto, assim já sabeis, ó almas incógnitas.

terça-feira, 10 de março de 2015

Aos dez de março de dois mil e quinze

:::: Afinal não vou criar aquele blogue de que falei ontem neste blogue, seria estúpido, a ideia é estúpida, eu ficaria (+) estúpida, (+) solitária. É para esquecer (pelo menos até se me chegar a ideia contrária).
:::: Aliteração, é o que mais existe no item anterior. Será. Sei lá. Mas penso que sim, no outro dia vi escrito algures que aliteração é a gente repetir sem pejo uma mesma frase ou expressão, foi o que eu fiz, não é. É.
:::: Sonhei com dois maços de cigarros. Um tinha comprado eu, outro tinha-o achado no chão. O cenário era uma espécie de encontro com muitas pessoas, havia um enorme movimento e conversação (como o que vivi no passado fim-de-semana). Depois é que foi difícil levar aquilo para casa, às escondidas, claro que teve de ser às escondidas, numa grande aflição e coiso.
Sonhei com cigarros porque ontem estava um cigarro à porta do estaminé. Tinha o filtro meio queimado, ou lá que era, terá sido alguém na brincadeira a experimentar fumar ao contrário. Sei lá.
:::: Bom, tenho saudades de voltar a escrever muitos e muitos posts e não manter um compridão como tenho feito nos últimos dias. Tenho também saudades de publicar os meus textos mas não o vou fazer para já, que as saudades não são fortes o suficiente, há ainda uma parte de mim, muito viva, que não me deixa mudar de atitude.
:::: Compras. Pois é. Tenho de lá ir amanhã. Ou hoje à noite. Mas é melhor amanhã, é.
Flocos de aveia; sal para máquina; cápsulas de café; amaciador para roupa; cebolas. Isto a não esquecer. Depois não esquecer também o resto, o que na verdade pertence ao costume das minhas compras: pão; manteiga; leite; iogurtes; legumes; leguminosas; massas; arroz; queijos; enchidos.
:::: Ontem à tardinha lá fui eu à senhora doutora dos olhos. Pois que no olho esquerdo não houve qualquer alteração, pois que o olho direito se notou pior. Pumba, lentes novas, armação igual. Vou poder continuar a maravilhar as pessoinhas com os meus óculos vermelhos.
:::: Comprei mais um tecido. Tem um estampado miúdo nos tons vermelho, rosa, preto e branco. Vou fazer uma espécie de t-shirt, assim para o compridinho, para usar com as leggins pretas ou as cinzentas e depois cobrir-me quase toda eu com o meu casaco de malha vermelho, um que comprei há dias numa loja enorme que há ali para cima, e que já tinha recebido alguns modelos da nova época.
:::: Amanhã tenho parte da manhã livre, o que me vai dar para ir às compras, como já referi, e também para lavar as casas-de-banho. Assim já fico com o serviço meio adiantado para o fim-de-semana.
:::: Se eu morresse agora iam ficar ali assim três papelinhos onde apontei outros tantos lembretes:
o senhor xis deve-me quatro quilos de óxido de ferro
o senhor ipsílon deve-me cinco lâmpadas fluorescentes
eu tenho de atualizar o preço éme
E se eu não tiver substituto(a). Como será. Como seria. Na verdade não tenho. Talvez o meu colega soubesse decifrar estes apontamentos e prosseguir com as tarefas. Será. Seria. Obviamente, seria. Ninguém é insubstituível.
Talvez eu até nem queira morrer. Digo isto porque ontem podia ter deixado um carro estropiar-me e o que fiz foi afastar-me para não levar com ele em cima, é que aquilo deve doer como a porra, essa perspetiva fez-me proteger o corpo, mesmo querendo desesperadamente morrer.
Querer morrer é uma tolice de tamanhão. Sei disso. Mas tenho de escrever. Quem aguentar a minha prosa, aguente. Quem a achar demasiado depressiva, que se afaste, é que eu tenho mesmo de prosseguir com isto de escrever o que tenho dentro da cabeça. Escrever é muitas vezes libertador. E agora está a sê-lo.
:::: Das compras grandes cuja lista no outro dia produzi: risquei as novas lentes dos óculos. Falta ainda:
a bela máquina de bater bolos
os eficazes cremes para a cara
mais tecidos, mais, mais, mais
… Acho que só faltam estas coisinhas da listinha...
Bom, na verdade não lembro de cor a dita listinha, tenho de a ir pesquisar.
E que tal acrescentar uma boa torradeira elétrica à listinha. Quando digo boa digo rápida e competente, nada que se assemelhe a qualquer uma das duas que tenho em casa. Uma leva um ror de tempo a escurecer o pão e tem uma das portas descaída, o que faz com que se tenha de colocar ali uma peça de cerâmica para ela não tombar, e já agora acrescento que a malta lá de casa é esperta que se farta e por isso a peça que segura a porta é de cerâmica para não derreter, é nomeadamente o porta-rolo de papel de cozinha; a outra torradeira leva também muito tempo a escurecer o pão, mas menos, e não é minha desde nova, chegou-se-me vinda de um lar alheio, sei lá eu o que aquelas pessoas já puseram dentro da torradeira, não é. É.
:::: Pontos de interrogação. Ah ah. Não os digito. Não quero. Esta moda dura-me há semanas. E depois quero que me percebam, não é. É.
:::: Há dias propus-me estender os blogues que leio e seus autores mais a sua escrita, bem como se me leem ou então não, se eu os comento ou então não, há quanto tempo os leio. Vou começar, isto sem saber se termino hoje, o mais certo é não ter tempo para tudo mas logo se vê. Seja lá como for o blogue é meu, não é. É. Portanto eu construo-o como quero, não é. É. Falta ainda dizer que por causa das coisas apresento a minha lista de blogues por ordem alfabética, mas isto perante o nome real, que eu cá, também por causa das coisas, mas de outras coisas, alterei os verdadeiros títulos. Portanto vou ter aqui uma salganhada do caraças. Tão bom.
erros no meio da rua
Leio este blogue não há muito tempo, uns quatro ou cinco meses, para aí. Gosto de o ler - ou não o teria mantido aqui há uns dias quando andei a limpar a lista – mas a autora escreve enormes posts, e eu não tenho lá muito tempo, e apresenta demasiados salamaleques para o meu gosto no seu modo de escrever, mas pronto, leio de vez em quando, e de vez em quando sou surpreendida, por isso continuo as minhas visitas, ainda que espaçadas.
Este é um daqueles blogues que não leio integralmente.
Comentei este blogue uma única vez. Esta bloguista nunca comentou o meu, creio até que nunca cá entrou.
vozeirão desmando
Gosto bastante deste blogue. Muito mesmo. É uma mulher que o escreve. Não é que escreva desmesuradamente bem, não, é um tanto ou quanto confusa, mais ou menos como se estivesse a digitar exatamente como pensa, mas é um gosto lê-la. Isto porque a percebo, ainda que sinuosa na sua escrita, não me baratina tanto assim.
Não leio assim há muito tempo, creio nem chegou ainda ao ano. Não leio este blogue integralmente.
Nunca comentei este blogue, portanto esta bloguista não sabe da minha existência.
anita doutro país
Há anos que leio este blogue. Gosto tanto mas tanto do modo de escrever desta senhora. Não tem vergonhas, simplesmente não restringe nada. É escritora e é também muito apreciada na blogosfera. Neste blogue não há caixa de comentários, por isso obviamente nunca lá comentei coisa nenhuma, mas, se tivesse hipótese disso, creio firmemente que não comentaria, este é o tipo de blogue que dispensa comentários.
Bom, é claro que esta senhora não faz ideia que a Gina existe e que também tem um blogue, não é. É.
irresiste ao astro-rei
Pronto, lá vem um blogue que ainda mantenho na lista por conta das fotos. Há fotos excelentes neste blogue. Mesmo. Mas mesmo, mesmo. Já os textos e os temas... Eh pá, pronto, sabem aquelas pessoas que vivem bem, que estão bem, que são inteligentíssimas (sim, sim, dá para perceber) mas depois vai-se a ver e a coisa é tão perfeita mas tão perfeita... que enjoa. Sabem. Então é isso. Os temas escritos aborrecem-me mas este blogue continua dentro do meu principalmente por conta das belas fotos que a autora consegue fazer e publicar, como já referi.
Deste blogue vejo todas as fotos, já os textos, saltos alguns.
Comentei uma ou duas vezes este blogue, portanto esta senhora sabe da minha presença, mas nunca cá veio ver-me e dizer-me coisas.
blás amargos e doces
Este é um blogue que em qualidade literária é assim... mais ou menos, vá. É que acho piada à pessoa, por isso ando por lá. É muito jovem e escreve como fala, portanto os seus posts são efetivamente inartificiosos e desprovidos de malícia ou pretensão. Debita essencialmente em volta tanto da literatura atual como de clássicos e também se dedica um pouco a opinar sobre este ou aquele escritor.
Mas a sério, acho um piadão à rapariga, noto-lhe sinceridade e jovialidade, isso é assim como que uma brisa fresca num dia de verão.
Leio este blogue talvez há anos, já lá comentei creio que duas vezes, a bloguista nunca retribuiu a visita.
dama do círculo
Ora aqui está a dama de maior lonjura no que toca às minhas leituras de blogues. Leio este blogue, se não me engano, desde dois mil e sete. Esta é uma bloguista que não desenvolve muitos assuntos acerca da sua vida pessoal, limita-se a apresentar idas a eventos relacionados com arte, às vezes uma coisita ou outra de olhares mais atentos à vida que a rodeia, mas nunca refere grandes deslumbramentos, creio que é por causa da sua enorme discrição.
Já comentei este blogue inúmeras vezes e esta bloguista de vez em quando vem cá, a bem dizer talvez ela tenha deixado mais comentários no meu blogue que eu no dela, mas pronto, a gente também não anda a competir, não é. É.
grande impasse
Adoro este blogue. A sério: a d o r o. A bloguista é um bocado estranha, talvez pouco comunicativa, afinal, quem diria, pois se tem um lbogue... ai perdão, blogue, não é. É. Imagino que arranjou um alter-ego para escrever, creio que na verdade não é assim tão rezingona como se apresenta, aliás: ela mesma já confessou isso algumas vezes, só por dizer que esta bloguista não é sempre rezingona, é muitas vezes triste e queixosa, outras bem-humorada, portanto não me cansa, notando-se no blogue uma presença de carne e espírito.
Referi essa coisa do alter-ego mas não foi no sentido negativo, todos nós construímos pessoas dentro de nós, eu cá vai-se a ver e não sou nada assim como parece no blogue, o que quero dizer é que ela construiu o alter-ego para desabafar, que é mais ou menos o que eu faço.
Leio este blogue há um ano e tal, ou menos, na verdade não sei. Fiz quatro ou cinco comentários. Esta bloguista sabe que leio o seu blogue diariamente. Nunca cá pousou os olhos.
num fio esticado
Este blogue é recente, por isso não o leio assim há muito tempo. Gosto muito do modo de escrever desta senhora. É intimista mas não muito. Pronto, é assim uma coisa, vá, mais ou menos pessoal, com recordações à mistura, sobre assuntos variados, portanto também não me cansa ler este blogue.
Nunca comentei este blogue, logo: esta senhora não tem a menor ideia de que a leio interessadamente.
eles os quatro
É um blogue muito fofinho, muito fofinho mesmo. As fotos são um mimo para os olhos e para o coração, a escrita, em menor escala se comparada à extensão de fotos que por lá se pode ver, é também muito boa. Crua, como eu gosto.
Há um ano e tal que visito este blogue e me delicio com as fotos, nunca comentei, o que faz desta bloguista mais uma que não me conhece de lado nenhum.
Paro agora com isto de desenvolver opiniões sucintas acerca dos blogues que habitualmente leio. Estou cansada deste assunto e ademais quero escrever acerca de outras coisas. Amanhã, ou outro dia qualquer, continuo.
:::: Três e picos da tarde, agora. Neste dia, por volta desta hora, há cinco anos atrás, já eu estava em casa, descansando. Estava realmente muito precisada desse descanso, nos anos que entretanto foram passando já atravessei fases em que precisei tanto ou mais ainda de descansar daquela maneira. Mas não. Nunca mais o fiz. Por um lado teimosia, por outro vergonha. Tem-se sempre muita vergonha das doenças mentais. Raramente nos rodeiam pessoas suficientemente conscienciosas para nos darem a desculpa de que não nos encontramos no nosso melhor, sendo-lhes muito mais fácil pensarem que temos mimo a mais.
:::: Já vai em três, o número de vídeos que tenho para ver. Falo de um blogue onde às vezes paro (e que não faz parte da lista que comecei há bocado a explanar) para ler e cuscar. O bloguista teve a ideia de fazer um questionário aos bloguistas que segue, questões simples relacionadas com este mundo apelidado de blogosfera, e eu gosto de lá ir espreitar e ouvir as opiniões de outros bloguistas. Foi uma ideia estupenda. Um dia ainda lhe copio as questões e eu própria as desenvolvo com as minhas conclusões acerca desta temática. Pode ser que esteja para breve.
:::: Fiz um compêndio com alguns dos símbolos que existem num teclado. Quatro linhas de cada um, ou dos que me lembrei, desde parêntesis a pontos finais, passando pela arroba e parando nas aspas, há mais ou menos de tudo um pouco. O primórdio era preencher o blogue longamente, fazendo desistir as pessoas (as poucas pessoas que visitam este blogue) de lê-lo, uma vez que o scroll tardava em fazer chegar um post 'normal', com texto e/ou imagens. Sim, eu queria muito que não viesse cá ninguém. Mas ninguém mesmo. Mesmo. Eu sozinha. Eu como sei estar, que é sozinha. As pessoas aborrecem-me, primeiramente porque não sei lidar com elas, segundamente porque não sabem lidar comigo. As pessoas são-me todavia necessárias para construir as minhas histórias, entender as minhas questões. De resto, não. Tirando a minha gente lá de casa, não. Tirando ainda a minha mãe e o meu pai, não.
Fiz o compêndio, está na parte mais baixa do documento onde escrevo no pc do estaminé, mas não sei se o vou publicar. Planeei fazer a coisa em fases, intitulando cada uma com números por extenso, escritos em latim. Gosto tanto de latim... Numa letra enorme, na letra maior que o senhor Blogspot permite publicar, e ainda acrescentava o bold. E assim como que esconderia o que ando a escrever. Esconderia. Escondo. Esconderei. Nem sei que tempo verbal viverei.
Se não passará de uma ideia, esquecida a posteriori... (esconderia)
Se efetivamente concretizo a ideia e acabou a conversa... (escondo)
Se deixo passar tempo e a concretizo no futuro... (esconderei)
:::: Tou xinha dessono.
:::: Têm estado uns dias espetaculares, soalheiros e até quentes. Maravilha. Um dia acaba, estamos a dez de março, mal será que este tempo dure assim daqui até ser outono.
:::: Árvore amarela. Hoje não fui para ela. Mesmo assim aparece por aqui esta minha amiga. Quem não reparou, repare: eu nunca digo 'miga árvore, eu digo amiga árvore. 'Migas e 'migos são aqueles que na verdade não têm parte com a amizade. Não há amizade mais profunda que esta pela minha amiga árvore amarela, eu vou sempre vê-la e dar-lhe atenção e ela só não retribui as visitas porque não pode sair dali. Mas seja como for, quando lá vou, escuta-me atentamente. É esta a verdade. Se não responde pouco me importa, os silêncios também dizem coisas e o silêncio da árvore amarela diz aquilo que eu quiser.
Não ter visitado a minha amiga árvore amarela tem unicamente que ver com o facto de hoje ter visitado a pedicura, a Carminho, que além de me tratar dos pés, me pintou mais uma camada de verniz nas unhas das mãos e ainda acrescentou uma camada de capa protetora de vernizes. Eu estive lá vai para aí numa semana e ela, que é uma fofa, revitalizou-me o aspeto das mãos.
:::: São quase cinco da tarde, não sei se ainda cá virei para apontar mais parvoíces, é que ainda tenho de rever este enorme texto.
:::: Seis e tal, agora. Ainda cá venho para dizer que... Esqueci-me, pá. A sério: esqueci-me. O tempo que levei a abrir o documento e a fazer scroll até chegar cá abaixo foi o suficiente para se me abalar do pensamento o que vinha escrever. Ora porra pra isto.
:::: Amanhã irei talvez, no pouco tempo que terei para escrever, dar conta de alguns rascunhos que andam para aqui a encher este documento. Um deles até posso começar já. Há semanas atrás pensei em fazer uma lista de coisas a que estou habituada e outras a que não estou. A ideia era fazer um texto giro, incomum, bem escrito, definido, poético, mas entretanto desisto e ponho aqui o rabisco com semanas de debitado:
«siga a vida
estou habituada a isto e aquilo
não estou habituada a isto e aquilo»
:::: Até amanhã.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Aos nove de março de dois mil e quinze

:::: Bom, para começar revelo que vou efetivamente continuar a escrever sm publicar e que, como tinha planeado e apontado neste documento, esta semana intitulo os posts segundo a regra que já institui neste primeiro, é que assim as semanas ficam diferenciadas.
:::: No sábado apontei umas coisitas no bloquinho rudimentar, estava num restaurante em Vila Nova de Mil Fontes e rabisquei o seguinte:
. O que leva as pessoas a virem as estas coisas, se há tanto sofrimento.
. Ataques: dois. Um no wc dos Pastéis de Belém, outro sobre a Ponte 25 de Abril.
. Paisagens lindas, e eu que agora não me lembro de mais coisas... Estas primeiras impressões estão a ser debitadas em Vila Nova de Mil Fontes, às 14:06.
Fiz uma viagem enorme neste fim-de-semana, Alentejo do meu coração, vi-o uma vez mais, do alto da minha mota, visitei os meus pais nesse mesmo Alentejo, naquele coração seco, mas lindo, árido, mas belo, e que por ora se encontra verde. O meu pai no sábado fazia anos (83) e ontem à noite houve um jantar especial pelo aniversário da minha sogra (85). Foi um fim-de-semana preenchido.
:::: Ainda bem que hoje vai dar para dar o passeio habitual do intervalo grande.
:::: Tempo para escrever, durante esta manhã, montes e montes de momentos e sentimentos e coisas parvas me ocuparam a cabeça durante os últimos dois dias, nada de relevante agora se me aparece para escrever. Também pode ser uma questão de momento, quiçá daqui a nada a musa chegue ao estaminé.
:::: Olha, estou aqui a lembrar-me agora: hoje cosi o botão das minhas calças com linha amarela, fui interrompida mais ou menos como da outra vez, linha amarela pendendo do cós das calças e tudo. Mas foi o outro botão, o de cima, agora existem dois botões nas minhas calças cosidos com linha amarela.
:::: Quantas vezes já escrevi linha amarela hoje. Quantas vezes há amarelo na minha vida. Árvore amarela.
:::: Ando a convencer-me a criar um novo blogue sem avisar ninguém. Ninguém. Assim, as poucas pessoas que sabem que escrevo coisas num blogue, esquecerão. Esquecê-lo-ão. Esquecer-me-ão. Lembrei-me de chamar 'não percebo nada' ao novo blogue, que criarei com a chegada da primavera, isto se houver coragem. Não percebo nada, porque eu não percebo nada; não percebo nada, porque ninguém percebe nada. Alcunha...: Nada. Pois.
Sim, preciso de coragem para manter o novo blogue sem ninguém. Não revelar o meu nome e manter em segredo os lugares onde me movo é-me dificílimo. Às tantas nem conseguirei concluir esta ideia... O primeiro passo para consegui-la na perfeição era não me pôr para aqui a revelá-la. Tenho de esconder este blogue antes de publicar todos os posts que tenho em rascunho. E se alguém descobre esta merda, digo este documento no pc do estaminé, onde primariamente rabisco as cenas parvas do costume... Não perceberá nada, claro, ora essa.
:::: Então e que tal contar como foi o passeio de mota. Eh pá, pronto, foi fixe e foi chato. Mais ou menos como são todos. Não sei conversar com ninguém, ninguém sabe conversar comigo. Assumo apenas cinquenta por cento da culpa, eu não sei conversar, os outros também não, logo: coiso. Não percebemos nada. Quando digo conversar, digo conversar, não digo falar. De falar toda a gente é capaz.
Um senhor, ontem de manhã, em Beja, ao despedir-se de mim desejou-me um feliz Dia da Mulher. Gostei da lembrança dele. Só mesmo pela lembrança, é que eu nem me lembrava disso. Acho importante comemorar-se o Dia da Mulher no sentido de homenagear as que sofreram imenso com as diferenças sociais, culturais, as que lutaram para que eu hoje pudesse estudar e votar. Acho também importante que se continue a lutar pela igualdade de direitos no trabalho. Não acho nada bem que se promova um certo tipo de igualdades, que não são igualdades nem são nada. Homens e mulheres jamais serão iguais.
:::: Comi uma maçã. Comi meia maçã, na verdade, que a metade de cima estava a apodrecer e por isso farinhenta. Fui buscar outra, descasquei-a, pareceu-me boa, cortei-a na horizontal, estava assim meio a começar com o mal da anterior, e eis que fui interrompida para atender dois clientes de seguida, os malandros não me deixaram comer, depois então, quando pude, comi. Estava boa, a segunda maçã, ácida e isso assim.
:::: O dia hoje não está por aí além de bom. Há cinco anos atrás o dia estava péssimo, portanto: pior. Nove de março de dois mil e dez. O horror. Ia matar-me lá em baixo no armazém. Com uma corda presa naquele lixo que são os tubos de água que esperam o milagre de um dia serem aplicados numa obra qualquer. Assim, seriam. E também amarrada ao meu pescoço, essa corda. Ou então cortava os pulsos com o canivete que anda lá os rebolões e que serve normalmente para cortar mangueira.
Isto do suicídio tem muito que se lhe diga. Por um lado, o lado daqueles que nunca viveram experiências deste tipo, é demasiado mimo na cabeça dessas fracas pessoas ou vulgares chamadas de atenção sobre si próprio. Não discordo totalmente mas também não desenvolvo as minhas razões, que não me apetece, reforço apenas que quem não sabe a aflição que é viver, quão doentio pode ser simplesmente existir, não sabe nada da vida, por isso é mais feliz, a felicidade sempre andou de mãos dadas com a ignorância e com os espíritos tolos.
Nesse dia, por volta da uma e meia da tarde, passei na rua mais silenciosa de Lisboa e o alarme de um carro disparou ruidosamente. Já não me lembro lá muito bem mas acho que foi por eu tirar uma foto qualquer, acho que o clique da máquina acionou o alarme do carro. Com o susto dei um salto enorme e fiquei trémula e atrapalhada com essa ocorrência. Estava muitíssimo nervosa com outras coisas e aquilo alimentou imensamente os meus nervos. Coisas de quem sabe como é, de quem já passou por isso. Então faz algum mal o alarme de um carro disparar e fazer banzé. Claro que não. Mas isto quem está doente é assim, e eu estava.
:::: Cliente. Não 'miga, tem seis furinhos, não é lisa, são seis, não são quatro. Seis furinhos, dois deles são quase impercetíveis. São seis. Não 'miga esse bocadinho não é liso, não senhora, contém dois furinhos quase impercetíveis, assim pouco profundos, e quatro que se veem muito bem. Não 'miga, são seis.
::: Três minutos para a uma. Vou almoçar. Isso de escrever neste parâmetro que já dura há uma semana, faz com que efetivamente publique as coisinhas parvas que escrevo no próprio dia. Ca girro...
:::: Escrito à mesa de almoço, enquanto esperava o prato de comida:
esccrever parvoíces, mimimi,
escrever o que quero, mimimi
escrever o que me apetece, mimimi
árvore amarela, mimimi
banco de jardim, mimimi
velho sentado no banco, mimimi
senhores do almoço, mimimi
senhores das letras, mimimi
olha aqui uma coisa, mimimi
queria escrever do fim-de-semana, mimimi
queria escrevê-lo como o pensei, mimimi
árvore amarela, mimimi
garfo na mesa, mimimi
borrego – duas meias-doses, mimimi
:::: Depois de deixares as notas em cima da mesa segui-te os passos. Subiste a avenida chorando. Subiste mais uma avenida. Choravas. Quando atravessaste a praça uma menina atrasadinha olhou-te avidamente. A senhora do banco mandou-te rubricar com uma frase invulgar: assinai, senhora. No lugar da musa uma mulher olhou-te avidamente, enquanto todas as outras te ignoraram. Olhaste a árvore amarela avidamente*. Olhaste as vinte e seis árvores com menos avidez que aquelas. A árvore amarela não tem folhas novas, as outras vinte e seis, algumas têm. Não quiseste pôr-te a decorar quais têm e quais não têm. Não paraste para apontar esses factos. No muro de pedra estava sentado um senhor, não te sentaste tu. Notaste nesse momento que o muro por agora se encontra ao sol, e que por sinal quando é verão, não, está totalmente à sombra. Mais à frente, no banco de pedra que diz hater e violeta, de um lado e de outro, estava eles sentados. Era para ti, o banco. Que ruínzes. Sentaste-te então num banco de jardim onde raramente o fizeste. Puseste-te a olhar ao redor, para perceber as diferenças. Mesmo assim as árvores da praça estão nuas, o céu azul, as torres da igreja de pé.
:::: *Vendi cera amarela pelo meio de escrever o item anterior. Parei exatamente na... árvore amarela. A cor amarela hoje persegue-me. Às vezes parece que a vida está toda emaranhada num só assunto de onde não se sai nem por nada, neste caso não saio da cor amarela.
:::: Que tal debitar já hoje o que aconteceu faz amanhã cinco anos. É melhor.
:::: Não houve foi tempo para escrever o item anterior. Fica para amanhã, ou então não.
:::: Quatro e trinta e um. Daqui a nada saio para ir à senhora doutora dos olhos. Saio muito antes do suposto, que antes vou passear por aí. Vamos a ver o que ela me diz dos olhos, lentes novas, armação nova por conta das lentes novas não suportarem a armação dos óculos que já tenho, que é estreita.
:::: Até amanhã.

sexta-feira, 6 de março de 2015

À sexta-feira

:::: Afinal ontem não pus as fotos das minhas mãos e unhas no blogue. Não ficaram bem o suficiente, já as eliminei e tudo. Fora daqui, vá.
Afinal ontem já não voltei a escrever, ficou um post magrinho, magrinho. Afinal ontem tive uma tarde fantástica. Não fui devagarinho por aí fora. Afinal, não. 120 km/hora, ali assim na via onde se pode. Tão bom.
Afinal fui-me lembrando a tarde inteira de cenas que queria pôr no blogue, cenas bué d.a giras. Mas não.
:::: Depois de viver aquilo, fui às compras. Isto, ontem. Comprei quase tudo o que tinha na lista. Comprei:
lixívia de esguicho
sal cozinha
arroz carolino
arroz basmati
açúcar amarelo
Não comprei:
sal máquina
Entretanto, já em casa, dei por falta de:
aveia
E na próxima ida tenho também de comprar:
amaciador de roupa.
:::: Isto é tão giro e especial que vai ter de figurar no blogue: «Eh pá, onde é que a gente vai dividir aquela merda?» Faz parte do dia de ontem. E já está. Fica assim, não mexo mais.
:::: Eram dez e cinquenta e dois. São onze e trinta e três. Na primeira hora tinha acabado de olhar para o relógio. Ia escrever. Ia escrever que não suporto estar aqui e que por causa disso quero morrer. Ia escrever que não suporto pessoas e que por causa disso quero morrer. São insuportabilidades impreteríveis, tenho de as viver. Quando o cliente entrou, o que interrompeu o que vinha escrever, e que entretanto já escrevi, eu tinha uma lágrima no rosto, outra no olho. No outro dia disse que já me apanharam em muitas figuras, dentre elas chorar, não é. É. O senhor era simpatiquíssimo. Quis ver um modelo de chave que está na parte de cima do expositor, quis ver com as as mãos, eu até brinquei a dizer que também gosto de ver com as mãos, e depois ele viu-se aflito para recolocar a chave no seu lugar. Riu. Ora como eu sou muito grande, dizia ele, arrastando as palavras. O senhor deixe estar, eu já arrumo, descansei-o eu. Mas ele insistia, a sorrir, em bicos de pés. Simpático que só visto. Riu-se então com mais gosto ainda e desistiu. Afastei um pouco a chave de nós dois, pronto, não a vendo, o homem finalmente descansaria.
Ah, eu também ri com prazer. E pensar que há cinco minutos estava a chorar.
:::: A minha vontade é desistir completamente do blogue. Eh pá, coiso, que se me falta o ar.
:::: Estou muitíssimo apreensiva e ansiosa com o fim-de-semana que vem aí. Vou até ao Alentejo, num daqueles passeios de motards. Não me apetece nada ir. As pessoas aborrecem-me. As suas coisinhas más e as suas queridezas fofinhas aborrecem-me sobremodo.
:::: Meio-dia e três. Lembrei-me agora mesmo, quando voltar a publicar no blogue vou fazer assim:
Agarro em cada símbolo que há no teclado
|
\
“
@
#
£
$
§
%
€
&
*
Quiçá também
{
}
[
]
'
«
»
Ou ainda
«
»
~
^
E preencho metros e metros e mais metros de espaço no blogue. Montes de espaço ocupado com elegibilidades. Tão bom. Hum. Orgásmico, até. Os visitantes da página vão desistir de rodar o scroll do rato. Ah ah.
Meio-dia e sete. Levei quatro minutos a escrever esta merda. Há decerto record, não é. É. E não me pertence, não é. É.
:::: Lembrete: vou já colocar uma série de símbolos, dos que falo no item anterior, mas assim muitos e muitos e muitos e muitos, e quando me der nos cornos, pumba, coiso, tenho tudo a postos, copiar-colar; copiar-colar; copiar-colar, até me apetecer parar.
Bom, fui tentar fazer mas entretanto descobri que o primeiro símbolo - | - se em grande quantidade cria uma tabela. Que merda. Passo à frente.
:::: Meio dia e cinquenta e quatro. Vou apontar e aprontar mais umas coisitas e vou almoçar.
:::: Quase quatro horas da tarde. Porra pá, não vou ter tempo para desenvolver todo o percurso nem os acontecimentos e as circunstâncias do intervalo grande. Antes que não tenha mais tempo deixo já os tópicos:
indecisão: avenida tal ou então a tal
chocolate, comprei um, enormíssimo prazer no trincar, mastigar, engolir
senhora do banco, que a máquina de contar o dinheiro me estragou a nota, oh céus, sim foi isso mesmo, rasgou-lhe um pouquinho, máquina assassina, chamou-lhe ela, máquina destruidora, chamei-lhe eu, ah ah, ah ah, rimos muito as duas, mas não por tolice, é que foi mesmo giro
no jardim passaram umas putas que iam para o lugar da musa
lugar da musa, a igual queixa-se à menina que serve os cafés que hoje está naqueles dias em que não quer falar com ninguém, ver ninguém, penso que nunca fomos tão iguais como hoje, 'miga
lugar da musa, há burburinho, montes de gente e o caneco, olhei ao redor, comprometida, apontei as parolices que agora debito e estendo um bocadinho
lugar da musa, as putas chegaram, i-ei...! mas são só duas e eu vi no jardim para aí umas quatro, uma delas fez para a outra o gesto de agarrar numa chávena e beber, como que a oferecer um cafezinho, assim lá longe, que a outra já tinha ido sentar-se
comprei uma t-shirt amarela e verde e branca, é gira mas não a devia ter comprado
já há duas árvores com folhas novas na rua mais bonita de Lisboa, a terceira do lado esquerdo, a quarta do lado direito, ambas a contar de quem vem de cima
fiquei tão contente com aquilo, depois sentei-me no último banco de quem vem de cima para apontar a posição das árvores e chorei desesperadamente por causa daquela coisa dos extremos.
:::: Dentro da minha cabeça estive de roda daquela ideia de descrever o que acho acerca dos blogues que leio, bem como dos seus autores e do seu modo de escrita, e decidi que não vou desvendar quem são, a menos que lhes ponha uma capa protetora, tipo assim:
erros no meio da rua;
vozeirão desmandado;
anita doutro país;
irresiste ao astro-rei;
blás amargos e doces;
dama do círculo;
grande impasse;
num fio esticado;
eles os quatro;
que bela suína;
é dia até ser noite;
reviravolta do relógio;
novidades do universo;
sol de pouca dura;
dar a ler com cafés e bolos;
blogue com nome;
prato do dia;
o sal das pipocas.
E é isto. Acho mesmo que vou mas é fazer assim. Escuso de estar com ideias parvas, posso ser mais sincera e tudo. A bem dizer vou tratar disto já na próxima semana, e nessa semana conto continuar tão escondida como tenho estado até aqui.
:::: Mandaram há pouco o sms com a informação de que a minha máquina fotográfica está pronta. Oh pá, tão bom, assim vou ter ocupação enquanto me movo no meio das gentes passeio fora e isso.
:::: Quando saí entrei em lojas.
Numa retirei quatro modelos, três blusas e uma t-shirt, do expositor e fui para o provador. Nada feito, uma não me serve nos braços (!), outra pareço uma saca de batatas, outra parece que ando com uma capa da chuva em forma de t-shirt e a outra não me lembro, só sei que não gostei de ver nenhuma pousada em mim.
Na outra loja escolhi três pares de calças do mesmo tipo de tecido, umas numa cor e de um determinado tamanho, as outras duas noutra cor e cada uma de seu tamanho. As primeiras são muito giras mas é na pilha onde se encontravam, são muito claras, evidenciam por demais as minhas coxas grossas, as outras, mais escurinhas, escolhi o tamanho menor.
:::: Pronto, o dia está no fim. Dezoito e tal, agora. Vou contar as palavras e os caracteres até ao findar do item anterior... 1236 palavras; 6668 caracteres. Oh céus, que poucochinho...

quinta-feira, 5 de março de 2015

À quinta-feira

:::: A chave do carro e um pacote de lenços que afinal de contas, e como registei ontem no blogue, leva mas é guardanapos dobrados em não sei quantas partes... Vazio, agora, que para limpar as ventas já tive de lá ir buscar o único que havia... São aditamentos à longa exposição que ontem fiz acerca do conteúdo do bolso de fora da minha mala. Grata por toda a atenção.
:::: A urtiga que no final da semana passada tinha crescido imenso, a qual quis fotografar e depois publicar no blogue e mais não sei o quê... Foi cortada. Oh. É certo que saía tão fora do seu lugar que ainda a gente se picava nela, e picada de urtiga é coisa ruim, mas pronto, queria fotografá-la (com o telemóvel) hoje e assim sendo não vale a pena.
:::: Incrivelmente, hoje que não tenho assuntos desinteressantes e listinhas estúpidas para estender no blogue, estou triste. Bom, também estou preocupada, apreensiva, ansiosa, que daqui a duas horas ocorrerá uma cena para lá de fixe mas também esquisita, onde vou ter de me portar bem, falando o menos possível. Tenho estado a manhã toda irritada e impaciente. É por causa da cena para lá de fixe. Também estou triste. Eu já tinha dito que estou triste, não é. É. Sinto-me só mas sem querer esse estado, que quando quero o estado solitário, tudo bem, não é. É. Melhor seria ocupar-me com a descrição dos blogues que leio. Estou a pensar fazer um post, daqui a uns tempos, ou inserir um item num destes longos posts que agora crio, onde explano o nome do blogue, só o nome, nada de alcunhas ou endereços eletrónicos, se leio diariamente ou então não, se comento, se comentam, se já cá puseram os 'pés' alguma vez, se sabem que eu existo. Vai ser tão giro.
:::: Hoje é aquele dia em que não trabalho de tarde, daqui a nada lá vou eu. Estou cheia de nervos. Os nervos mantêm uma pessoa viva, não é. É. Há vantagens. Melhor, sob determinado aspeto, do que andar apática, quiçá moribunda, ou então verdadeiramente deprimida, arrastando os pés pelas ruas, escondendo as lágrimas por baixo dos óculos, não é. É. Vou viver, então. Viva estou, i-ei. Agora não quero morrer, que é lá isso, tenho coisas fixes para viver. Só estou triste por conta do vício, a tristeza é viciante.
:::: Saio daqui ao meio-dia e meia. Agarro no carro e bazo. Devagarinho, Gina Maria, tu vai devagar.
:::: Meio-dia e vinte e sete, não sei se escrevo mais alguma coisa hoje. Até amanhã, ou então não.

quarta-feira, 4 de março de 2015

À quarta-feira

:::: O que mais me apetece agora é pôr-me para aqui a enumerar o conteúdo do bolsinho de fora da minha mala, isto tomada de toda a minúcia. Embora aí, então.
# Bloquinho rudimentar. É ali que se encontra sempre; é ali que sempre o encontro; é ali que sempre o coloco. Ao momento tem folhinhas escritas com lembretes ou tópicos ou outra merda qualquer que se lhe queira chamar. Na folhinha de cima diz para não esquecer do açúcar amarelo espalhado no chão.
Era uma vez... Ná, foi ontem, esqueci-me de desenvolver isso, é que vi no chão da rua mais bonita de Lisboa um saco todo estropiado e uma série de géneros alimentares espalhados pelo chão, com as embalagens abertas e derramadas, dentre elas um pacote de açúcar amarelo, exatamente daquele que ainda não comprei e que inclusivamente coloquei na minha lista de faltas e já escrevi duas vezes no blogue. Ai que vontade de o apanhar... Mas também estava aberto e derramado e portanto deixei-me disso. Cá para mim foi um meliante qualquer que arrancou o saco das mãos de uma velhinha qualquer que tinha ido às compras. Pobrezita. Se assim foi, claro. É que pode ser uma coisa qualquer, não é. É.
Nas duas folhinhas a seguir há o lembrete de não me esquecer de desenvolver o assunto da caixinha do meu pai e os seus dizeres manuscritos. Já o tinha efetivamente desenvolvido ontem.
Quarta folhinha, vou-me a ela agora e reza resumidamente assim: 'desenvolver a compra da camisola laranja'. Então é isso, tenho uma camisola nova, cor-de-laranja. Mais em concreto comprei mas foi uma t-shirt. De verão. Espantoso como fico logo mais fina quando envergo apenas uma t-shirt. Tão bom, pá. Mas a t-shirt, então, experimentei-a, gostei dela por demais, que não me aperta nem mamas nem barriga e vai daí fico bem-parecida, que eu cá gosto pouco de andar a espalmar as banhas que tenho. Tem buracos no peito, só por dizer que é forrada por baixo desses buracos e vê-se um desenho qualquer, qualquer, hoje estou um bocado dedicada a esta palavrinha, olarila, mas dizia eu da t-shirt, e assim ao redor da buracada, ou esburacada, tanto me faz, há brilhantes e coiso, que um dia vão cair, com as lavagens, ah pois é, mas paciência, que isso pouco me importa.
Folha número cinco, começo pelo que está escrito mais abaixo e que é 'das borbulhas'. Bom, afinal ontem ainda deu tempo para me dedicar ao assunto, quer isto dizer que se encontra no post anterior, ainda que sucintamente descrito. Mais acima apontei a 'ordem inversa outro lado da rua'. Não me lembro lá muito bem o que queria dizer com isto mas sei que são duas frases e que devia ter posto uma vírgula depois da segunda palavra. Não vou guardar a folhinha, vou copiar este pensamento para uma folha nova e guardá-la, que um dia a musa relembra-me e orienta-me, pelo menos isso acontece algumas vezes.
A sexta folhinha diz 'o mundo a girar, o escorrer da água'. Sei perfeitamente o que quero desenvolver com este tópico, só não sei se hoje tenho tempo e paciência para isso, portanto recoloco a folhinha no seu lugar, tão linda a minha folhinha, e por ora não mexo mais.
# A minha caneta. Não é bonita nem feia. É uma caneta, tem desenhos e publicita uma porra qualquer que não me interessa especificar. É com ela que aponto as coisinhas no lugar da musa e em todos os outros lugares por onde me detenho a escrever e o caraças.
# Eis-me chegada ao porta-chaves... Que por sinal não é meu, é dos meus pais. Pediram-me para fazer duas chaves... A bem dizer não foi assim, eu é que lhes pedi a chave da porta de casa deles para duplicar porque já temos chegado lá de surpresa e é um problema eles ouvirem a gente a bater à porta, assim, pronto, tenho uma chave. Fiz duas porque depois dou outra ao meu irmão, que também se queixa do mesmo. Entregarei a chave original aos meus pais no próximo sábado, que vamos lá em passeio.
# Que venha o próximo! É o pingente do fecho do meu casaco de andar no estaminé. Retirei-o e pu-lo ali porque sim. É tão bonita que um dia idealizei tirar-lhe fotografias assim e assado e desta maneira e daquela. Ainda não o fiz porque me esqueci que andava carregada com aquele pertence tão especial e também porque por enquanto não tenho máquina fotográfica, e não ter máquina fotográfica tira-me a vontade de tirar fotografias, que eu bem sei que me posso despachar com o telemóvel mas não é igual.
# Olha o pacotinho de lenços que afinal não são lenços nem são nada mas são sim são guardanapos que eu dobro meticulosamente primeiro uma vez e segundo duas até atingirem o tamanho do pacote que dantes continha lenços e como não pus vírgulas esta frase ficou incompreensível. Ao momento tenho um só guardanapo, lenço, no pacote. Duas vírgulas. Ah ah.
# Documentos da minha viatura. Documentos da viatura?! Sim, eu ando com os documentos da minha viatura e habitualmente quem conduz nem sou eu nem nada, mas acontece que peguei no carro anteontem e vai daí para ali ficaram. Já agora acrescento que não conduzo todos os dias mas ando à pendura com quem conduz, portanto, havendo necessidade de chegar a mão a estes importantes papéis, estão ali, não é. É.
# Um isqueiro que não é um isqueiro, é uma peça para pôr no isqueiro do carro ou da mota e que serve, este em particular, para carregar baterias de telemóveis. Vamos precisar do dito no próximo fim-de-semana e assim anda já comigo. É mais uma peça para aumentar o peso da minha mala, claro. Que se há-de fazer, não é. É.
# Verniz para pintar as unhas. Bom, este extraordinário pertence far-me-á escrever à farta. Logo mais vou à Carminho arranjar as unhas das mãos e achei por bem trazer um verniz de casa. É que nem sempre me agradam os que ela tem na valise da manicure, de maneiras que escolho um dos meus. É lilás, ou lá que é aquilo, mas é sobretudo lindo, é um tom que tanto fica bem no inverno como no verão, não se comporta de acordo com o sombrio deste tempo que se vive agora, o inverno, nem apela à vivacidade e alegria do verão que aí vem, é uma coisa ali no meio, subtilmente saudosa do tempo quente, vá, é um tom que não choca e é incrivelmente belo. Ontem tinha pensado ah e tal vou tirar fotos do antes & depois. Mas não, que é lá isso. Para já não tenho máquina fotográfica, e portanto não tenho vontade de fotografar como já referi anteriormente, depois tenho as unhas limpas de esmalte mas como estão muito compridas, isto do comprimento é relativo, mas que querem, para mim, estes dois ou três milímetros de unha a sair fora do sabugo fá-las serem compridas, a um passinho de se quebrarem, mas o pior disto, o que me faz desistir do 'antes' fotográfico, não é bem isso, é que as unhas assim tendem a sujar-se facilmente, e portanto ia-se ver um risquinho de sujeiras que quase todas têm por ora, isto por mais que tente limpá-las. Logo à tarde conto tirar então as fotografias do depois, que assim já mim gostar, não é. É.
E completei a lista de pertences que vivem no bolso de fora da minha mala. Isto, hoje, que amanhã quiçá muda ou isso.
:::: Lá em baixo vão figurar duas imagens onde se pode ver uma receita de pão que vinha no pacote de açúcar que ontem mencionei, aquando de me dedicar ao lanchinho de aniversário com a dona Lurdes.
:::: Dia de (disseram na Radio). Hoje é dia de abraçar um militar, da máquina de costura, da matemática e creio que ouvi que é dia de mais coisas mas já não me lembro quais são. Não vou abraçar um militar mas isso é coisa para já ter feito em tempos, não vou costurar mas tenho montes e montes de pena, talvez faça contas de multiplicar, de somar, de diminuir e de dividir. Daí não passa.
:::: E se todas as conversas fossem gravadas? A cru, sem cortes e/ou melhoramentos no que se disse? Estava aqui a pensar que era giro ter gravado as conversas telefónicas em que hoje já participei. Era giro, falando eu sobretudo com quem não me conhece senão a voz, era giro. Esta última conversa foi no sentido de saber se os senhores tais comercializam espuma em flocos, que o meu antigo fornecedor está a protelar o fabrico, vai daí a gente vira-se para outro lado, claro. Mas não é isso o que quero escrever agora, quero escrever desta conversa, do tom com que falo ao telefone, se sou tão simpática como me parece, se me entendem, se me querem ouvir. Sim, estou a falar de trabalho, eu sei, mas é o mesmo, ora caraças, eu sou eu, sou eu no trabalho ou em casa ou na rua. Eu sou sempre eu. Serei.
:::: Um quarto para a uma, quase horas de ir almoçar. Deixei de lado o bom-dia e a boa-tarde que usei no blogue durante meses, se calhar anos. Quis mudar. Quero sempre mudar porque não estou bem em lugar nenhum. Pode ser insatisfação ou desassossego. Prefiro pensar na segunda hipótese, é mais inteligente e até mais poética.
:::: Três e treze da tarde. De volta, pois. Pois, paciência, tenho de me enfiar neste buraco, ou, como costumo dizer: de volta ao lugar soturno.
:::: Afinal o verniz que tenho nas unhas não é o que trouxe de casa, a Carminho tinha um tom tão lindo nas unhas que a plagiei, foi intencional mas quase lhe pedi desculpa por parecer uma catraia sem gosto ou aprumo, e daí o imitar de outras vidas. Ó menina Gina, ora essa, disse ela, então eu não me importo nada com isso.
Tenho então as unhas num lindo tom rosa escuro. Tirei-lhes fotos mas não sei se me vou lembrar de as passar para o computador. Seja lá como for, quiçá me lembre amanhã e amanhã as coloque no blogue, neste post ou no post de amanhã mas sempre lá em baixo, qualquer imagem que apareça neste tipo de escrever que agora tenho aparecerá no fim das letras.
:::: Porque é que estou a criar estes longos posts, supostamente desinteressantes para a maioria das pessoas? Primeiro é porque sim, segundo é porque quero, terceiro é porque considero forçoso arranjar assunto com minudências tão minudentes mas tão minudentes e tão minudentes... que mais me parece que quero mandar as pessoas embora daqui. O cerne está indiscutivelmente nessa questão. Que não tenhais dúvidas. Olarila. Quando disse que sou insocial, era isso mesmo que queria dizer, não é mais nada senão isso. Quero que me deixem sozinha, a solidão liberta-me.
:::: Logo à noite tenho de pôr na minha pen a tal foto do trio de árvores de que falei ontem. Imprimo-a, toscamente, claro, que esta impressora não se mete com grandes imagens, que é lá isso, mas mesmo tosca, mesmo a preto e branco, dará para posteriormente fazer a comparação. A não esquecer: a data da tal foto é vinte e dois de abril de dois mil e catorze. Se conseguir aguentar até fazer um ano sem fotografar o local... Melhor.
:::: Tenho um frio estúpido. É assim como que uma dormência desconfortável à superfície da pele e uma dormência intensa por baixo da pele. É uma sensação horrível, às vezes até parece um fogo, mas frio.
:::: Depois da manicura sobrou um tudo-nada de tempo, pus-me a rodear o mercado para o escoar. Só de pensar em me enfiar neste buraco...
:::: Estou a pensar seriamente em estar dois ou três meses sem publicar os posts rascunhados. Ainda não sei se tenho coragem para isso, se bem me conheço haverá uma altura em que o escondimento me prende ao invés de libertar, portanto passa ao inverso. Foi assim em agosto, aquando do mês e meio em que estive escondida e/mas sempre a escrever. Ao início foi libertador, mais ou menos como está a ser agora, mas depois começa a fazer-me farnicoques ter as merdas que escrevo visíveis apenas para mim. Não há volta a dar, quem escreve gosta de mostrar o resultado da sua criação, há um lado narciso nisto de escrever, ainda que intimamente, como eu.
:::: Quatro e quarenta e dois...
:::: Quatro e cinquenta e quatro, quase hora do lanche, do passeio, da parvoeira que é deambular pelas ruas de Lisboa. Só por dizer que hoje não posso ir. Oh céus.
:::: Tenho alguns planos para o futuro, designadamente efetivar alguns retoques em mim e algumas compras especiais e lembrei-me de os escarrapachar no blogue. Depois, quando acontecerem as compras, escarrapacho novamente, assim como que a fazer pontes entre o que queria retocar e comprar e o que realmente retoquei e comprei.
# Tratar do cabelo, cortar, pintar, hidratar. Não é nada de novo, o que vai acontecer é que será antes do programado. Vou ver o Mimi, vou cansar-me de o ouvir, vou ficar alterada cá por dentro com as suas opiniões e as suas respostas impensadas, vou tentar apaziguar a minha indignação, afinal são apenas três ou quatro vezes por ano que lá vou, isso aguenta-se.
# Encomendar o resto da linha para o rosto. Queria tanto tê-la já aqui... Se bem me lembro o restante é composto por um sérum e um creme para os olhos. Este último bem preciso dele, tenho umas olheiras até ao queixo. O sérum é mais para esticar e levantar um pouco as peles, os meus quarenta e seis anos e oito meses já pesam na pele e ela vai estendendo para baixo.
Tecidos. Eh pá, tecidos, sei lá que tecidos, tecidos, pronto! Várias cores, montes de vestidos, montes de saias, quiçá blusinhas, mais vestidos e mais saias e ainda mais vestidos.
# Ir ver das lentes. Pois, é que nos últimos meses tenho sentido que estes óculos já não são o que eram. Além disso nas últimas semanas tenho escrito imenso, portanto ponho-me frente ao computador muito tempo seguido, isso dá-me cabo da vista. Tenho de lá ir, dá-me a ideia que o estrago é grande, e assim vou ter de mudar de armação também, julgo eu.
# Máquina para fazer bolos. Quando digo máquina para fazer bolos, digo aquelas máquinas xpto. Caríssimas. Multi-funcionais. Enormes. Bolos e pães. Tarteletes. Massas de todo o tipo, portanto. Estou estalando de a ter na minha cozinha, aquilo é que vai ser, caneco...! Até já ando a estudar onde a vou pôr e tudo. Queria vermelha mas ao que parece essa já não é comercializada. Há outras marcas, aquelas marcas que os chefs usam.
:::: O item anterior, o das compras futuras e isso assim, foi sendo escrito ao longo do dia, como a esta hora é que o terminei, pumba, coiso, espeto com ele aqui assim, mais para o fim que outra coisa e acabou a conversa.
:::: Cinco e dezanove, agora. Oh pá... Não posso mesmo ir arejar a cabeça, que chatice. O dia está mais ou menos no fim, afinal de contas não devo levar muito tempo a desopilar daqui.
:::: Mais logo vou ao ginásio. Estou desejando de me mexer daquela maneira, fazer Pilates, encimar a elíptica, como que pedalar, que aquilo é o que parece, muito embora não seja bicicleta.
:::: Achei um piadão a um cliente que acabou de sair. Queria uma ficha tripla mas os tipos que lhe mostrei não lhe agradaram, então rematou o 'negócio' afirmando que ia ali assim ver se havia o que queira, que levar uma daquelas não ia levantar a loja por aí além com uma compra tão pequena. Teve mesmo piada. Ri-me e tudo. O que não é difícil.
:::: Palavras até ao término do item anterior: 2662 (capicua, ah ah); caracteres até ao término do item anterior: 14589.
Isso de eu escrever muito é mesmo verdade. Escrevo muitíssimo.
:::: Até amanhã.
.


terça-feira, 3 de março de 2015

À terça-feira

:::: Porra pá, estava a ver que não me desenlaçava do trabalho e das chagas. Cá estou, então. Logo de manhã (e este post, sendo o meu blogue presentemente construído com muitos posts e não com um imenso, devia chamar-se 'cliente') cosi o botão nas minhas calças. Senhoras e senhores, finalmente o botão está pregado. Preto, o botão; amarela, a linha. Pois. É já costume, esta disparidade. Estava eu, bela e sábia, cosendo o meu botãozinho, quando me ponho a pensar 'eh pá nunca fui apanhada nestes preparos, noutros já: a fazer chichi, descalça, a cantar, a chorar, mas nestes não, a ver se não é hoje e tal, olha eu aqui de ventre exposto, calças a cair' e não sei quê. Bom, dá para antecipar o final, não é. É. Entrou um senhor, já na altura do remate do botão, escondi-me, deixei a agulha enfiada no cós e preparei-me para entrar em cena, mas antes disso olhei para baixo e vi a linha amarela pendurada, toca de me ajeitar apressadamente enquanto sentia o frio da agulha na minha pele e o senhor indagava: tem sacos para o lixo. Ah ah. Que giro, um dia tinha de ser, não é. É.
:::: Lá vou eu dedicar-me ao passado, estes posts é o que têm de (mais ou menos) aborrecido, agora vou falar de coisinhas que aconteceram ontem depois de sair do estaminé.
:::: De tarde estive um bocadinho de volta da Internet, encontrei uma notícia: o Filme 'Música no Coração' completa cinquenta anos em dois mil e quinze. Grande filme, pois, ganhou não sei quantos óscares, daqueles mesmo importantes, vi inclusive um vídeo da Lady Gaga interpretando um apanhado de canções do dito filme. Olha, gostei muito, ainda pesquisei no youtube a ver se já andaria por lá e assim punha-o no blogue, mas não.
Vi pela primeira vez esse filme na primavera de mil novecentos e oitenta e cinco, no antigo cinema de Loures, aquele que fica mesmo encostado a um aglomerado de departamentos da Câmara, onde há uma torre que dispara uma sirene em todos os meios-dias do ano, dantes era aí que a gente via as películas, agora vamos ao centro comercial e a coisa passa-se no digital. Nessa época eu tinha dezasseis anos, quase dezassete, como a moça da canção, nunca mais esqueci isso. Depois revi o filme noutros anos, talvez no Natal ou assim, que este é filme de família que deixa o frio lá fora e se põe ao redor de uma mesa cheia de comidas reconfortantes. Gosto sempre de rever. Aquela parte em que a Maria faz as roupinhas das crianças com as cortinas é espetacular.
:::: Como referi ontem, o rico filho veio cá buscar-me. No caminho ia calado, ele e eu. É muito diferente do pai. Eu também sou muito diferente do pai. É parecido comigo, o rico filho, fala quando/se tem algo a dizer, raramente joga conversa fora. Entretanto, ao conduzir, o rico filho fez ali uma coisa, enfim, com alguma perigosidade, é jovem, medo não há, nunca apanhou grandes sustos, nunca lhe aconteceu escavacar um carro e portanto ficar apeado e blás. Eu já, o pai também. Com o susto retesei o corpo e fiz um gesto brusco com o pé direito. E pergunta o rico filho:
'Estás a travar, mãe...?'
Já me viram isto... Eu mais ou menos calma, ele de sorriso trocista. Depois adverti o que tinha de advertir, ora, ao que ele respondeu simplesmente:
'Está bem, mãe, não te preocupes.'
Esta é decerto a frase que os pais de jovens adultos mais ouvem. A gente que não se preocupe, não é. É.
:::: Ali, não. Ele preferia estar no meio dos pombos, a limpar.
Ali, não. Eu preferia estar a escrever.
Ah mas ele preferia estar no meio dos pombos para referir uma situação onde andasse enterrado em merda e assim fazer uma comparação díspar.
Eu pensei, sem vocalizar, pois é mano, mas olha que escrever é uma grande merda em certas alturas. Ele não sabe. Devia ter-lhe dito.
:::: Eram quatro pedacinhos de plástico, no lixo estão três, logo: falta dar cabo de um. Foram depositados à vez e em dias e lugares diferentes.
:::: Amanhã regresso ao ginásio. Olha eu a falar do futuro, afinal. Pois é, regresso ao ginásio, ai que saudades pá. Não fui logo ontem porque tinha de ir levar os meus pais a Albernoa. Foi boa, a viagem, saí de casa... Olha eu a falar do passado... às cinco e meia da tarde, até passei pela praça de Londres:
Lisboa; praça de Londres; 17:59; 15º
:::: Assim que cheguei ao estaminé li um recadinho: Gina, por favor chama a atenção do guarda noturno que coiso e tal e isso assim. Esteve cá ontem, esse guarda, a receber a módica quantia de. Módica porque uma quantia é sempre módica, não é. Não sei, se calhar não. O guarda noturno assobiava e fazia barulhinhos com a garganta enquanto eu mexia nas notas todas que tinha de lhe dar. Acho que o atrapalho/baratino/descomando, mas também acho que não sou só eu que o atrapalho/baratino/descomando, acho que este tipo de homem se atrapalha na presença de toda e qualquer mulher.
:::: O meu pai gosta de fazer registos de datas e factos resumidos em todo o lugar onde um risco de marcador se mantenha, como por exemplo no portão do quintal, no poste, no pau de levantar a roupa no estendal, nos pequenos ou grandes objetos que tem pendurados por fios fininhos junto ao antigo pombal. Já anteriormente registei no lbogue... ai perdão, blogue que o meu pai tem esta característica, a qual inclusivamente fui buscar e portanto saio a ele, só por dizer que faço isso num blogue. No outro dia aconteceu eu precisar de saber em que data comprei a máquina fotográfica por causa da avaria, não fosse a garantia ainda cobrir o desarranjo, pois bem, em vez de passar uma série de minutos à procura de papéis, disse à rica filha olha lá deixa a mãe ver aí uma coisa no meu blogue (na hora era ela que estava plantada à frente do computador) e escrevi as letrinhas 'nova máquina fotográfica' no retângulo que dá acesso à pesquisa e pumba, apareceu o resultado: montes de posts onde está escrito a frase pesquisada e entre eles um onde o conteúdo era então a nova máquina que tinha sido comprada aos trinta ou trinta e um de março de dois mil e treze, portanto estava na garantia, sim senhores, quanto ao resto, os homens daquele estaminé têm tudo informatizado, não precisam do 'papelinho' para nada.
:::: Porque é que na maioria das vezes escrevo números por extenso quando podia poupar tempo e trabalho calcando nas teclas dos números, não é. É. Poque tenho a mania que me vou evidenciar com minudências; porque gosto de escrever e acho um desperdício despachar a coisa; porque dou indubitavlemente mais valor às letras.
:::: Meio-dia e trinta e quatro e já escrevi isto tudo. Mil cento e cinquenta e uma palavras; seis mil trezentos e sessenta e dois caracteres, até terminar o item anterior. Olha eu a falar do presente e a escrever os números por extenso e portanto a falar do passado também por causa de estar a lembrar o item aqui por cima. Ah ah. Mas pronto, coiso, ser essa a hora de agora (os minutos passaram a ser trinta e seis) significa que é quase horas de almoçar. Está também na hora da gula, apetece-me trincar chocolate, colocar um quadradinho ou dois ou então um e meio dentro da boca e mastigá-lo(s) sem esconder a voracidade nem o prazer. Vou estar no banco do jardim que tem as pessoas de pedra e tem também a bicicleta. Vou espirrar. Tenho pingo no nariz. Depois venho cá dizer se fiz estas coisas ou então não. Comer; espirrar e isso assim. Posso morrer entretanto. Se há coisa que penso amiúde é o dia em que não vou poder mais atualizar o lbogue... ai perdão, blogue e principalmente não vou poder escrever mais. Isso pode acontecer por ter morrido esta pessoa que escreve, o que significará que ficam rascunhos no blogue e no computador, as pessoas descobrem-nos no futuro, e espantar-se-ão comigo. Mais ou menos como aquele senhor a quem o meu colega anunciou que escrevo, que já participei em várias coletâneas e divulgou o endereço do blogue. Vai daí o homem pôs-se a ler o blogue e apreciou-o imenso, dizendo que sim senhor, sou formidável, nunca pensou que eu, enfim, que surpresa, agora é que me conhece, antes nunca pensaria que eu. Formidável, foi o adjetivo com que me coroou. Este pedacinho de texto para aqui fica, longe de olhares impacientes, é consabido o quanto um longo texto (se apresentado na Internet) aborrece o leitor. Eu tinha de escrever este facto um dia, não é. É. Do espanto deste senhor leitor perante esta pessoa que escreve. É disso que falo. É que isto do 'formidável' ocorreu para aí no Natal, passaram cerca de três meses.
:::: Olá, são três e tal da tarde. Este pedacinho de texto serve apenas para separar as partes do dia. Olarila. Quero ainda acrescentar que as miudezas ocorridas durante o grande intervalo não vão ser apresentadas cronologicamente. Que é lá isso. Posso não ter tempo de organizar as coisas e vai daí deixar algumas por fazer. Assim, pronto, coiso, vou escrevendo conforme me for lembrando, que isso sempre foi o meu costume.
:::: Cheguei cedo ao banco de pedra. 14:32; 18º. Sentei-me na berma mais à minha direita, olhei para o trio de árvores novamente e idealizei que quando voltar a andar com a máquina fotográfica dentro da mala vou copiar a foto que tirei o ano passado em abril, enquandrá-la igualmente, ou parecido, vá.
Entretanto, ao depois de vasculhar todas as fotos de dois mil e catorze, vim a descobrir que não tirara duas fotos nesse lugar, mas apenas uma. Ou então a outra pertencerá a dois mil e treze, não sei. Mas um dia eu tiro outra foto, quiçá no dia em que a outra faz um ano, era giro, e depois comparo, será giro.
:::: A propósito de árvores, a árvore amarela já mostra pequeninas bolas nas pontas de alguns ramos, principalmente na copa, onde recebe mais sol e outras coisas boas. Depois fui mirar as vinte e seis árvores. Igual, bolinhas nas pontas mas não sobretudo nas pontas, isso não.
:::: De manhã tinha muito sono, agora tenho muito sono. O meu descanso anda esquisito há semanas, para além de ter dormido mal durante muitos dias seguidos, o que ao presente já não se me afigura, uma vez que tenho repousado de seguida nestas últimas noites, sem acordar com sonhos parvos e isso, mas ainda assim continuo a acordar às cinco e tal da madrugada e fico para ali a tentar descansar mais, era bom que dormisse mais, que não tenho necessidade de me levantar a essa hora, e vai daí passo o dia ensonada.
:::: Deixei no caixote do lixo, ao pé das horas e dos graus que anuncio mais acima, o outro quadradinho de plástico, acho que foi assim que lhe chamei, e uma chave inutilizada. Termina a história.
:::: Tenho borbulhas. A primavera vem aí...
:::: Lembrei-me agora do chocolate. Pois, não comi. Ao almoço estava sozinha, portanto não tive a ajuda do meu colega para me acabar com um quarto da minha comida, então olha, comi todo o conteúdo do prato e fiquei de estômago cheio, satisfeita e sem mais vontades que o café no lugar da musa.
:::: A minha mãe revolta-se com o mal-estar da avançada idade, diz que bastavam cabelos brancos e rugas, que já não é pouco para suportar, para quê isto das dores?! Ó pá...! Concordo, penso exatamente assim e ainda agora se me começou a decadência. Um dia faço uma listinha das coisinhas más e publico no blogue.
:::: O meu pai. Outra vez, que há bocado quando me joguei a escrevê-lo era para dizer o que registo seguidamente. Mostrou-me uma caixinha branca, era de um relógio, Casio, de sua marca, julgo eu, só por dizer que o meu pai escreveu Cacio na caixinha. Depois escreveu ainda:
13-7-10
garrafões pouço
'Pouço' também está com erro, é poço, claro. E acabo de constatar que não recordo o resto que ele lá pôs, mas seja lá o que for, a verdade é que o que recordo já dá para ter uma ideia. Eu, eu é que tenho a ideia. Aquele registo foi para marcar o fim de uma tarefa. Dantes o meu pai ia ao poço das Fontaínhas, Albernoa, buscar água em garrafões, agarrava no carrinho de mão e lá vinha ele carregado deles cheios de água. Essa atividade cessou por conta da tal idade avançada de que também sofre, assim como a minha mãe, também ele tem dores e males. Raios a partam, pá, que qualquer dia vão-se-me os progenitores, deixando eu de os ver. Registo-os despudoradamente algumas vezes. Quero lá saber se o que escrevo não se percebe, ou se é desinteressante colocar estas coisas na Internet, que leia quem o quiser fazer.
:::: Eram dez para as cinco quando a dona Lurdes assoma à porta, foi isto pouco depois de concluir o item anterior. Diz ela:
Ó Gina, vem lanchar, que eu hoje faço anos.
Fui. Chá de camomila e tiramisu e bolo de laranja com chantili e mais coisas que eu quisesse mas não quis. Dividimos o bule de chá e os bolos. Falou e falou e falou e falou. Estive quase para a interromper a dizer:
Ó dona Lurdes, já viu que temos as duas casacos roxos? Olhe lá, então e a sua saia é da mesma cor que a minha camisola, andamos as duas a combinar duas cores que não combinam...
Mas não.
Não pus açúcar no chá, como é meu costume, e guardei o pacote de açúcar, que o dito tem lá uma receita de pão de mel e eu queria coscuvilhar aquilo...
:::: O dia de trabalho está mesmo a terminar. Está aqui um senhor a comprar uma fechadura. Parece aquele ator que fez 'O Lobo', que agora não se me lembra o nome do homem, pá. Paciência.
:::: Até amanhã.

segunda-feira, 2 de março de 2015

À segunda-feira

:::: Este fim-de-semana escrevi pouco, como costume, e para além disso não publiquei o pouco que escrevi. Foi por falta de vontade de mostrar o que escrevo, ando nisso outra vez e decidi voltar à fase do escondimento. Pois bem, doravante e até que me aconteça o volte-face, escrevo e escondo. Entretanto, a bem dizer, preenchi anteontem e ontem uma série de papelinhos dos meus com coisas que hoje desenvolveria. Acho eu que desenvolveria, quiçá me daria para o contrário. Quis deixar chegar a segunda-feira a ver como me sentia, e pronto, realmente sinto que vou desenvolver os tópicos que rabisquei no fim-de-semana, construindo um só post, e assim continuarei cada dia em que me esconder. Obviamente isto não quer dizer que escreva-e-esconda diariamente, pode ocorrer a eventualidade de escrever todo um dia num post e à noite publicar, não sei, logo vejo. Para fazer a separação entre assuntos clico quatro vezes nos dois pontos e mais uma vez no espaço e assim sei quando exponho um assunto diferente do parágrafo anterior. Acho que fica giro. De resto não é nada que não tenha já aparecido no blogue.
:::: Sábado, logo de manhã, ainda na cama, pensei assim:
Quando e onde. Havendo lugar para. Claro que sim. E questão. Questão de. Sendo verão, era o calor, sobretudo.
Fixei aquilo e rabisquei quando me levantei. Oh, então, saiu-me assim, ora essa. Qual a circunstância para um discorrer confuso como este. Sei lá.
:::: Já na sexta-feira, tinha escrito uma parvoíce que depois não publiquei e que entretanto ficou disparatada, uma vez que o senhor Blogspot agora já deixa as pessoinhas da sua casinha publicarem pilas, mamas e períneos, desde que se avise antes acerca do conteúdo sexual que a página tal possa ter, para não ferir suscetibilidades e essas tretas, o que efetivamente já acontecia. Mas, todavia, fica aqui o que escrevi:
«Vais pôr uma imagem deste calibre no blogue.
Vou pôr uma imagem deste calibre no blogue.
Vais pôr a imagem a encimar o blogue quando dizes que sobrevalorizas as palavras se comparadas às imagens.
Vou pôr a imagem a encimar o blogue quando digo que sobrevalorizo as palavras se comparadas às imagens.
Vais provocar o senhor Blogspot, sabes disso.
Vou provocar o senhor Blogspot, sei disso.
Vais fazer com que o senhor Blogspot prive o público geral do teu blogue.
Não vou nada.
Vais querer que isso aconteça.
Isso não vai acontecer, esta imagem é sensual e artística.
Não é nada, tens as pernas abertas, estás mais disponível do que imaginas.
Discordo. Já pensaste na sensualidade imensa que existe numa imagem que mostra tanto com tão pouco. Ora imagina lá.»
Fica aqui o que escrevi... Mas sem a dita imagem, um dia ela chega ao blogue.
:::: Olha eu no sábado a pensar que tenho de retomar a leitura. Pois tenho. Mas hoje não vai dar, que só trabalho de manhã, daqui a nada vou bazar daqui, e só costumo ler num tempinho curto que se me afigura durante o intervalo grande. Curto mas produtivo em muitos dos dias e portanto suficiente. Em muitos dos dias, quero eu dizer que tenho fases de grande desordem mental e não consigo ser consistente na leitura. A desordem mental existe também no escrever, ultimamente tem sido assim, eu escrever, escrevo, mas é muito do interior, não sendo propriamente entendível para que alguém de fora os compreenda. Mas nessas alturas escrevo imenso, fico cansada dos olhos, da cabeça e falo menos, e, mesmo que fale, baralho-me toda, digo o contrário do que quero transmitir, exatamente o contrário, oh céus, e não consigo explicar-me verbalmente, estou demasiado habituada a escrever as ideias.
:::: Olha o que descobri nos meus rascunhos:
«Já sei como fazer um poema! Iupi! É agarrar no que quero dizer, escrever em prosa e depois quebrar a linha onde estaria um ponto final, uma vírgula ou uma respiração. No último verso remato com um ponto final e está pronto o meu poema.
Já sei como fazer um poema
Iupi
É agarrar no que quero dizer
Escrever em prosa
E depois
Quebrar a linha onde estaria um ponto final
Uma vírgula
Ou uma respiração
No último verso
Remato com um ponto final
E está pronto
O meu poema.»
Oh pá tão bonito... Ah ah.
:::: Hoje é dia 30 de fevereiro. Sim, sim, oh sim. Ah ah. E isto é baseado numa ideia que já ontem pus no blogue (mas deixei em rascunho porque sim). Qual 2 de março, qual quê. Agora gostava de pôr aqui um imagem do mês de fevereiro e do março e tal, mas não vou pôr, é que depois não fica no lugar que quero, ali assim à esquerda ou à direita deste agrupado de palavras e depois fica um post feio, ou, se não feio, então mal desenhado, disforme, e isso eu não quero cá. Posso descrever, não é. É. (hum, terei voltado à carga do 'não é, é'...?!) O mês de fevereiro tem desenhado por mim um retângulo onde inseri números e letras, estes, oh: 24 → S. B. Que lindo. Eu sei o que quer dizer, é quanto baste. O março não tem nada senão o que lhe é devido. Rasguei a folhinha do fevereiro, pumba, pumba, pumba, três rasgões, e aparece o março, limpo, ah.
:::: Bom, ontem, domingo, foi dia para haver tempo para ler merdas na Internet, claro que os blogues estão no grupo, não como sub-grupo, mas como o grande grupo, sei lá, ora, gosto de ler blogues. Entretanto, aí pelo meio de tantos blogues que li ontem, notei que há muitos onde é possível constatar a que horas o bloguista publica os posts. O meu blogue não mostra, sei lá porquê, na verdade nem me interessa as horas a que publico as minhas parvoíces. Mostrando, seria esquisito, escrevo de dia e publico à noite, tudo de enfiada, chegando portanto a inserir dois ou mais posts num só minuto. Sou mesmo especial, pá.
:::: Olha 1 código, ah ah, guê ú guê éme, ah ah.
:::: Nas leituras d' ontem, que inclusivamente já referi, li a palavra 'anódina'. Anódina... ?! Fui pesquisar o significado no site daqueles senhores que almoçam comigo quase todos os dias. Ah, isso de ser anódina é uma pessoa sem importância, irrelevante, que pouco faz.
:::: 'Gosto sempre de vir à tua casinha, tens uma casinha muito bonita, muito limpinha.' O falante, a falante, antes isso, era a minha mãe, que tem estado cá. Ela e o meu pai, ora bem.
:::: Desarrazoada...?! Olha outra, mas esta é fácil perceber, é sem razão, claro que é uma situação ou uma pessoa sem razão, desarrazoada. Nem era preciso ir ver no dicionário, que a gente por umas tira outras, aqui nem dá para pular o chavão, é que às vezes falta-me a imaginação, mas fui ver na mesma.
:::: Na grande maioria dos blogues onde ontem caí estava oculto a data em que os posts foram editados. Achei aquilo estranho, eu cá não conseguiria editar o meu sem o datar, mas isso sou eu, claro, só por dizer que fiquei a pensar que às tantas passava-se algo estranho com o senhor Blogspot.
:::: Também durante a leituras dos blogues, ontem, uma vez mais estou no dia de ontem, tive vontade de comentar em dois deles. Num, a pessoa mostrava fotos da feitura de um bolo simples e na última aparecia num cantinho um relógio onde dava para ver que eram seis horas. Da tarde, supostamente. Era para dizer 'ah e tal olha que o lanche fez-se tarde e coiso'. Mas não. Sei lá, chateia-me comentar. No outro dia disse que era insocial também no virtual, não foi, então pronto. Um outro comentário que tive vontade de publicar foi em relação a uma pergunta que estava num blogue, o bloguista queria saber o que achamos disso de desabafar num blogue, se alivia ou então não. Eu ia responder mas depois ia sair-me um testamento acerca disso, ainda por cima o homem não me conhece, a mim ou ao meu blogue, aquilo ia ser de difícil digestão, que me sinto complicada pra caraças nisto de me fazer entender.
:::: Ontem, outra vez ontem, porra pá, daqui a pouco acaba-se-me o tempo e não escrevo mais nada d' hoje, mas adiante. Dizia eu, ontem andei num site a ver coisas diferentes, afinal, já quase me esquecia e ainda bem que apontei, era um site onde são traduzidas expressões do latim para o português. Eis algumas:
res nulliu = coisa que a ninguém pertence
data venia = delicado pedido de permissão para discordar do interlocutor
diem perdidi = perdi o dia
albo lapillo notare diem = marcar o dia com pedra branca/ser feliz durante o dia
:::: E, finalmente, chego ao dia de hoje. Quer dizer, já me tinha passeado, logo ao início do post, mas foi só a referir os meus planos para o doravante e até ao volte-face, que decerto ocorrerá, e também em mais um ou dois pontos ali para o meio, mas este post está efetivamente mais preenchido com o passado do que com o presente. Então, o dia, ora bem, rico filho vem cá buscar a mãe. Ó mãe, o pai disse para eu te ir buscar, 'tou aí à uma. Pois então vá, vem de lá, que cá te espero. Isto hoje acontece assim por conta de uma questão sui generis e que permanece oculta, não é para desenvolver no blogue.
:::: Cliente:
Olhe, eu vim ali ao centro de saúde com a minha mulher e vi aqui a tabuleta a dizer que fazem chaves, eu queria duas destas, uma de cada, a seguir já lhe venho cá buscar, está bem?
Eh pá, está bem, se me vem buscar... Já tenho boleia do meu rico filho mas pronto. Caraças pá, isto é só homens de roda de mim.
:::: Vou estender este post mais um bocado indo buscar um rascunho que me anda aqui há dias, é que daqui a pouca deixa a graça toda que tem. O dito pertence às minhas visitas ao lugar da musa e diz assim:
Açúcar ou adoçante?
Ah, nada.
Hum.
Nada, disso.
Hum.
...
Um café?
Sim.
Um café?
Sim.
Então, dois.
:::: Sai mais um rascunhozinho da treta com alguns dias:
Aqui há atrasado publiquei um post dos meus clientes no fuçasbuque. Umas pessoas puseram os cliques no 'gosto', o que não prova que efetivamente leram mas pronto, e outras duas foram sinceras pra caraças, e mandam de lá um comentário que diz: 'não percebo nada'. Ora bem, uma dessas pessoas já me tinha vindo perguntar (presencialmente, no fuças tenho essencialmente pessoas que conheço na vida real, muito embora não me relacione amiúde com muitas delas) como é que era aquilo, se era referente a algo que se tenha passado no balcão, então mas as pesoas são mesmo assim, então mas isso aconteceu, então mas isso foi como, então as pessoas fazem dizem essas coisas, mas quê e quê e quê. Eh pá, pronto, não estou habituada a tanta atenção relativamente às merdas que escrevo, vai daí respondi normalmente mas cá por dentro fiquei esquisita. Adiante. A outra pessoa que disse que não percebeu nada, é um primo afastado e emprestado, que não é do meu lado da família, a bem dizer mal conheço o homem, e vai daí, emjeito de complemento ao 'não percebo nada', diz:
Isso foi na loja do tio Quim?
Ai que vontade de responder... Respondo aqui: é 'migo, é na loja do tio Quim, a loja onde eu trabalho, tás a ver...? Eu trabalho lá e às vezes, pronto, quer-se dizer, acontecem coisas assim, que se há-de fazer, há pessoas para tudo e que não percebem nada...
E agora vou embora. Deixo fotos das flozinhas que colhi ontem. São fotos tiradas com o telemóvel, por ora é o que há, no futuro creio que será diferente.


domingo, 1 de março de 2015

O mostrador das horas

O meu blogue, sei lá porquê, não revela a que horas publico os posts, e ainda bem. Olha o que seria um blogue atualizado diariamente com vários posts com um minuto ou nem isso de intervalo entre eles. Esquisito. Que rápida. Como fará. Amanhã explico. Pelo menos conto com isso.

O estender dos dias

Hoje é dia vinte e nove de fevereiro.