Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

sábado, 10 de agosto de 2013

Términus

Terminei de ler o livro 'Os Íbis Vermelhos da Guiana', Helena Marques.
Senti falta de desavenças no romance. A família é perfeita, os acontecimentos calmos, o que a meu ver lhe retira encanto. Mas não é que não tenha gostado nada do romance, nada disso, é que faltaram picos de coisas más.
Num dos comentários da contracapa está escrito que...

«(...)só fruirá este romance quem o ler com o espírito das crianças que ouvem uma história sem questionar a sua verdade, ou dos ouvintes dos mitos e legendas dos antepassados transmutados em seres exemplares.»

… E foi isso o que não fui, não que me tenha esquecido de ser infantil, antes porque não sou infantil, nem creio em seres exemplares.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

...

Já não escrevo como se tivesse muita importância. Diz que o cérebro é um músculo que precisa de ser exercitado, quando não, atrofia, o mesmo acontecendo, então, com a escrita. Então é isso. Só por dizer que não estou mais feliz nem mais aliviada nem nada disso assim.

...

Não pode haver nada que aluda ao meu nome nem hábitos que lembrem a minha presença. É como se eu não pudesse existir.

Que horas são?

Há montes de tempo que olho para esta torre e a admiro sem saber porquê, umas vezes cheia de vontade de saber coisas acerca do lugar ou inventá-las, ontem sem que me interessasse espiolhar o assunto. No entanto lá tirei a fotografia.
As horas do enorme relógio nunca coincidem com as que o carro e o telemóvel mostram e dizem que são. Resta-me dizer que a foto foi tirada em Lisboa, por entre o aeroporto, a segunda circular e os Olivais, no dia 8 de agosto de 2013 às 19:47.

Peixinhos lindos dos pacotes de açúcar da Sical

Estendal...
Manta de Retalhos...
Marina...
Olho Pestanudo...
Patriotismo...
Peixe-gato...
Peixinho Lindo...
Sardinha a Sério...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um dia morro...

… E as cartas que escrevo no computador serão lidas por estranhos. Melhor contá-las antes que.
Continuo a escrever, ainda assim continuo a escrever. Mas pouco, se comparar com as habituais torrentes.

...

«Põe no papel tudo o que te vai no coração.
Nunca tenhas vergonha do assunto ou da paixão que sentes pelo assunto.
As tuas paixões «proibidas» podem revelar-se, quem sabe, o combustível que alimenta a tua escrita. Tal como aconteceu com o nosso grande dramaturgo Eugene O'Neill, que lutou toda a sua vida contra o pai, que lhe morrera muito antes; como o nosso grande estilista da prosa americana Ernest Hemingway, debatendo-se ao longo da existência contra a sua mãe; como Sylvia Plath e Anne Sexton, lutando ambas até ao fim com o sedutor Anjo da Morte que as procurava aliciar para o êxtase e o arrebatamento do suicídio. O instinto para a violenta autolaceração em Dostoévsky, bem como o sádico castigo dos «descrentes» em Flannery O'Connor. O medo de enlouquecer em Edgar Allan Poe e de cometer um ato irrevogável e indizível – matar o pai, ou a mulher, estrangular e tirar os olhos ao gato, mascote de alguém «muito querido». A luta com o teu «eu» escondido, ou «eus», favorece a tua arte; essas emoções funcionam como o combustível que alimenta a tua escrita e torna possível horas, dias, semanas, meses e anos do que aos outros, à distância, terá o aspeto de «obra feita». Sem esses impulsos incompreendidos, pode muito bem acontecer que sejas uma pessoa aparentemente mais feliz, e um cidadão deveras envolvido na tua comunidade, mas é muito pouco provável que consigas criar algo de substancial. (…)
E, ainda e sempre, põe no papel tudo o que te vai na alma.»

'A Fé de um Escritor', Joyce Carol Oates

..........................................................................................................................

Pensamentos (meus) recorrentes dos últimos dias: 'Escrever não é isto; escrever não é assim; escrever não é como faço; escrever não é como escrevo; escrever não é o que escrevo; escrever embrutece-me; escrever não traz felicidade, endeuso o ato de escrever; exagero, procuro particularidades nas pessoas e momentos especiais e lugares encantatórios, está tudo errado; a minha vida é diferente.'
E depois encontro livros com excertos como o de cima, que me instigam a continuar com isto de escrever.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Na estrada,
perante o escurinho da noite,
com painéis luminosos a sossegar...

Grande estreia do rico filho. Esta é a foto mais gira do moço ao volante.

Términus

Terminei a leitura do livro 'Os Objetos Chamam-nos', Juan José Millás. Gostei muito. Muito, muito. São contos estranhamente contados, alguns são mesmo surreais. Recomendo. Perguntei a outro leitor o que tinha achado deste livro. Diz que gostou muito, achou muito interessante. Isto sou eu a estender o assunto, que já não sei que dizer mais. Melhor deixar uma dessas crónicas abaixo.

O mistério e o absurdo

«Ela estava a instalar um programa no computador quando ele entrou na sala e confessou que se tinha convertido.
-Convertido em quê? Ou a quê? - perguntou a mulher tirando uma disquete e introduzindo outra com a língua fora da boca, como quando fazemos um trabalho manual que requer muita concentração-
- Ao catolicismo.
Sem deixar de falar com o marido, ela mantinha um diálogo excitante com o computador, cujo rato movia de um lado para o outro, ao mesmo tempo que escutava com ansiedade o ruído de tripas proveniente do disco rígido. Cada passo levado a cabo sem tropeços parecia-lhe mais um milagre da Natureza do que da técnica.
- E a partir de agora, fá-lo sem concupiscência? - gracejou.
Ele abandonou piedosamente a sala e não voltaram a encontrar-se até à hora do jantar. A mulher estava contrariada porque acabara por não ser capaz de carregar o programa devido a um problema da memória operativa.
- É mais fácil – disse ela – enfiar o catolicismo no cérebro de um homem do que um processador de testo no disco rígido de um computador portátil. Os computadores são mais delicados do que vocês. De facto, tu foste comunista, social-democrata, budista, ginasta, cineasta e agora católico. Se eu tentar carregar toos esses programas no IBM, ele bloqueia por causa da memória operativa. De certeza que tu só tens memória RAM. Vai ao médico para ver o que ele te diz.
Ele comeu o galo frito e as acelgas refogadas com humildade, sem responder a nenhuma das provocações dela, e depois de jantar retirou-se para o quarto enquanto a mulher ligava a televisão, selecionando um programa sem qualidade em que a locutora tinha uma cruz pendurada ao pescoço. Não sabia se estava irritada com o computador ou com o marido. Pouco depois, adormeceu, mas a buzina de um carro acordou-a passados cinco ou dez minutos. Debruçou-se na varanda e viu um homem fora de si, cujo carro estava bloqueado por outro em segunda fila. A mulher rompera águas e não havia maneira de conseguirem um táxi pelo telefone porque transmitiam na televisão um jogo de futebol considerado transcendente. Ela foi ao quarto e encontrou o católico a dormir à rédea solta, como se não tivesse problemas de consciência. Depois de se despir, deixou-se cair violentamente junto dele, que acordou sobressaltado.
- Então agora és contra o aborto? - perguntou ela.
- Já podes imaginar que sim – disse ele, esfregando os olhos.
- E a favor da pena de morte.
– Não tentes confundir-me. O facto de me ter convertido não implica que não tenha as minhas contradições, mas sim que preferi o mistério ao absurdo
- Meu Deus, que frase. De quem é?
– De um bispo, acho eu.
– Claro. Quer dizer que eu neste momento te pareço absurda? Porque se é isso, divorciamo-nos na semana que vem.
– Eu não te disse que temos de nos divorciar.
– Mas disseste que sou absurda podendo ter ao lado uma misteriosa. Jamais me passaria pela cabeça que as católicas tivessem mistério, estás a ver. Como se não lhes chegasse a morbidez da pureza.
Como ele não respondia, levantou-se violentamente da cama e gritou:
– Sabes o que te digo? Que se tu voltas À religião, eu volto ao haxixe.
Saiu do quarto e regressou pouco depois com um charro aceso que lhe passou depois de dar duas ou três passas. O homem fumou-o com alguma ansiedade e quando lhe fez efeito disse:
– E ainda não fui muçulmano, nem mórmon, nem quacre. A vida é um prodígio. Já o meu pai mo dizia antes de deixarmos a província: em Madrid, um homem pode ser o que quiser, o que quiser. Agora quero ser católico.
– Tens de arranjar tempo para te dedicares aos videojogos. Os computadores são tão apaixonantes como as religiões.
– Vamos ver como correm as coisas – disse ele, e virou-se para se entregar ao sono. Ela ligou o rádio e sintonizou um programa dedicado ao satanismo que ouviu deitada de barriga para cima, pensando no problema que tinha com o computador. O despertador não tocaria antes das sete.»

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Tenho uma amiga...

Atão tu pões os teus filhos no lixo, mulher?!
(Afirmativo.)
Oh, mulher... Atão porque não pões as fotografias dos miúdos aqui neste lado?! É porque assim estão de frente pra ti?!
(Afirmativo.)

A magia das flores de plástico;
A beleza das flores de plástico



Depois de tratadas com a máscara suave e as cores substituídas por preto, branco e cinzas do Picasa.

A chave do meu coração....


5 do 8 de 2013

Lisboa; praça de Londres; 14:26; 28º; com vento dum qualquer lado, a rosa-dos-ventos que dite, vento traiçoeiro, isso sei eu.

Segunda-feira

A empregada do homem da frente deve estar de férias, não há cobertas ao sol nesta manhã.

Segunda-feira

À segunda-feira de manhã a minha roupa de trabalho cheira bem.