Há dias que não ponho nada de novo no blogue, o que está longe que se farta da normalidade, uma vez que sou mulher para me por a criar imensos posts num só dia, tudo tem graça e motivo, e para deixar rascunhados uma carrada de outros tantos, tudo tem graça e motivo. No entanto não tenho tido tempo para o blogue nem tampouco para escrever posts com a graça e o motivo que encontro na vida. Mas... Hoje estive na alameda. Pois. E tirei fotos. Noutro dia comentei com o Luís 'vê lá tu que todos os dias ando por aqui e que me lembre nunca tirei fotografias à fonte...' A Fonte Luminosa estava desligada, a água não jorrava, qual esplendor qual quê, ainda que fosse domingo. Paciência, a fonte é bela na mesma, há água na mesma, para a ver é favor observar as fotos abaixo do texto. São trinta e sete.
Gina, a mulher que tem um blogue
domingo, 28 de dezembro de 2014
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Baú de Natais
É verdade que esta época do ano está muitas vezes mascarada de boas intenções. E também é verdade que nos deveríamos preocupar durante todo o ano em partilhar e fazer o bem. |17/12/2006|
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Com o intuito de marcar a quadra natalícia, tenho andado a ver se me lembro de um Natal que para mim tenha sido inesquecível. Lembro-me de algumas coisas passadas no Natal em várias das etapas da minha vida e que me marcaram positivamente ou não, mas não existe nenhum Natal inesquecível. |21/12/2007|
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Se eu escrever uma carta ao Pai Natal não estarei a ser original nem um bocadinho só, pois não? |11/12/2008|
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O Inverno começou hoje.É Natal, há decorações a ele alusivas que são qualquer coisa de esquisito...
Ou de magnífico...
É Inverno, é Natal e a vida é uma merda. |21/12/2009|
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Quando entrei, a dona Maria do Céu quase correu para me mostrar a mesa de Natal preparada para duas pessoas. Havia pratos, talheres, guardanapos, castiçais e flores. Todos os objectos eram simplórios mas asseados e a mesa estava posta com grande esmero e minúcia. Já que tenho tanta confiança perguntei-lhe quem esperava para jantar, certa que a dona Maria do Céu esperava realmente alguém. Devo dizer que ela não se fez rogada e com toda a alegria e simpatia habitual repondeu que esperava uma amiga. Levada por alguma ingenuidade que a desenvoltura dela não despistou, acreditei piamente no que me dizia. Só depois me pus a pensar que a mesa posta com tanto cuidado mais não era que uma forma de se sentir acompanhada na noite mais familiar do ano e que o mais certo era ela passar a noite de Natal tão desacompanhada como todas as outras noites do ano. |29/12/2010|
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Passei no Lumiar e cuidei de estar noutra cidade qualquer, está tudo iluminado, há inclusive uma extensão enorme de luzinhas dando as boas-vindas à freguesia. Um primor.
Aqui por estas bandas a luz natalícia anda muito pobrezinha, em comparação com anos anteriores. Na Praça de Londres há apenas uma árvore iluminada com a cor excelsa do Natal: vermelho. Está linda, toda preenchida por pontinhos luminosos, desde tronco a ramos. À hora do almoço já se encontra luzindo tenuemente e à noitinha chega o esplendor vermelho. Na Praça do Chile alguém se lembrou de enfeitar o Fernão de Magalhães com chapéus de chuva abertos. Quero dizer... uns abertos, outros meio abertos e ainda outros totalmente fechados. À noitinha acende-se a luz e a obra de arte, que nada tem a ver com Natal, pisca-pisca formando uma visão sui generis.
É assim o Natal. Tempos de crise, é o que dizem... |16/12/2011|
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Se não houvesse Deus não havia Natal e este seria um simples dia de outono sem visões futuras de prendas e luzinhas pisca-pisca. |14/12/2012|
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Na loja de artigos de casa e com motivos natalícios, ou seja: azevinho pintado, há pratos e travessas com marcas castanhas fingindo ser esmalte lascado. Passei a unha. Passei a ponta dos dedos. Senti as rugas do fingimento do fabricante. É apenas tinta castanha, pinceladas às ondinhas a querer parecer feitas ao acaso, por causa da longevidade da louça e isso, quando na verdade a louça é nova e está para venda nas prateleiras da loja.
E hoje, mau grado, e tem um bocado a ver com o parágrafo anterior, esteve aqui um cliente que disse ser aficionado das coisas antigas e dos modos antigos de fazer as coisas. Coisas. E coisas. Parvo. Uma pessoa tem de se modernizar, ora que porra. |18/12|2013|
Véspera de Natal
Que original, o título, mas tem razão de ser. É que nunca fui ao supermercado numa véspera de Natal, foi hoje a primeira vez. Habitualmente encho a despensa ao longo do mês e quando chega este dia tenho tudo em casa para me governar. Mas este ano, não. Já contando com enchente pelos corredores, cheguei às cinco para as nove convencida que ainda ia esperar um pouco pela abertura do supermercado. Qual quê, nada disso, eu a subir na escada rolante e dois senhores a descê-la, cada um com o seu carrinho de compras cheio, todos satisfeitos... O dito abrira às oito e meia. Oh.
Indo buscar outro assunto igualmente relacionado com a véspera de Natal, para dar razão ao título do post, este ano a minha mesa vai ter sobretudo doces daqueles que sei fazer de cor, doce das camadas, arroz-doce, baba de camelo. Já está tudo no aparador. Agora estou aqui, já se vê.
Há bocado, quando ia a caminho da mercearia para buscar mais umas coisas, dei com a imagem abaixo... Tem tudo a ver.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
23 de dezembro de 2014
::: Bom dia, são dez e tal, e ao que parece hoje tenho um pouquinho de tempo para arejar a cabeça. Oh céus, que saudades de escrever. Nem é saudades do blogue, é de escrever.
Estamos no Natal, não há que enganar, é música na Radio, é luzes na rua e nas lojas, é montes de gente na rua e nas lojas, é carros à barda na estrada, é burburinho, é confusão. É o Natal.
Não sei se vou ter muito mais tempo para escrever hoje, de maneiras que pronto, como este post me sair, assim sairá. E agora perguntam os leitores 'mas não são todos assim' e eu respondo que 'não são, não senhores', há textos que me exigem preparação e calma e daí resultam alterações, o que não vai acontecer com este, onde somente me debruçarei em termos de erros ortográficos e/ou de digitação e uma frase ou outra que note no momento estar mal construída. Até já, tenho de ir ver das ratoeiras.
::: Boa tarde. Meio-dia e picos, agora. Deixei os pulverizadores no lugar e andei de roda das limas e dos cremes para a barba. Tenho um pouco mais de tempo para isto de escrever minudências. Hum. Ora bem.
No domingo encontrei uma imagem na internet onde se via a praça de Londres (Lisboa) e a demarcação onde futuramente se construiria a igreja. Diz que era uma imagem de 1950. Fez-me impressão ver tudo ali à volta deserto, não havia o jardim nem as árvores, creio inclusive que nem os prédios em frente existiam, para me certificar teria de encontrar novamente a imagem e não tenho lá muito tempo para essas coisas. Contudo lembro que se via a espinha das ruas onde passo quase todos dias, é o lugar onde dei com a oitava árvore, numa rua, e a árvore amarela, noutra rua. Será que já existiam em 1950. Não é uma pergunta, apenas indago, na verdade não quero saber, faz de conta que existiram sempre e que estavam à minha espera, isso é uma maneira de me sentir especial. As meninas, lembrei-me agora, também não existiam as meninas-estátua. Daqui a nada vou lá passar. Agora há café ao pé das meninas mas nunca lá fui bebê-lo.
::: Meio-dia e muitos picos. Continuo sem concentração para escrever... Fui interrompida para fornecer rolhas de cortiça e para receber um valor em dívida. Relativamente à falta de concentração, a mesma falta-me mas é para ler, não para escrever como referi, enganei-me. Gosto mais de escrever do que de ler, fugiram-me os dedos para o prazer maior. Pois é, não consigo ler, não tento ler. Desde que terminei o último livro tenho vontade de o deixar no banco de jardim onde já deixei dois. Primeiramente acho que é melhor ideia deixá-lo noutro lugar, por exemplo junto à estátua que sorri, só para não fazer tudo igual, que eu cá tenho a ânsia de me livrar daquele sentimento sufocante que o 'mais do mesmo' me transmite. Mas talvez o deixe no banco de sempre, esperando que seja a mesma pessoa a recolhê-lo.
::: Faltam não muitos minutos para a uma da tarde. Ontem tirei fotos para anunciar os bons-dias e as boas-tardes como é costume mas entretanto não as publiquei. Portanto as ditas aparecerão no final deste post. Uma delas é girísima, era já noite cerrada quando saí da casa de uma cliente. Do cimo da rua António Pereira Carrilho avista-se a extensão da mesma e também toda a rua Morais Soares, a qual está iluminada com as luzinhas de Natal, bem como a estátua do Fernão de Magalhães que por estes dias brilham estrelas por sobre a sua cabeça e ombros. Tirei uma foto que ficou um horror... Nova interrupção. Ai menina a como é a espuma. Vou almoçar. Não sei se volto.
::: Boa noite. É muito tarde, já. Tinha pensado ah e tal logo à noite vou escrever as coisitas que não tive tempo de escrever de tarde, mas qual quê. Vou passar as fotos de que falei de manhã e despeço-me aqui. Até amanhã.
domingo, 21 de dezembro de 2014
sábado, 20 de dezembro de 2014
Sábado, hoje
Ao sábado, o que tenho para fazer é limpar e cozinhar. Essencialmente. Obrigada. Até sempre.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Último
A quem interesse: o expediente está no fim. Se isso interessa: já é noite. Se for interessante: termino o dia com dois encontros marcados para o próximo dia vinte e nove.
• Dona Lurdes virá ao estaminé para eu roubar dez minutos ao trabalho e bebermos um café e conversarmos.
• Senhor Romão virá somente para conversarmos acerca da minha interessantíssima vida.
Conta de subtrair
três mil e noventa e um
menos
dois mil novecentos e catorze
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quatro para um, vão sete, e vai um atrás
um mais um é igual dois, para nove, vão sete
nove para dez, vai um, e vai um atrás
um mais dois é igual a três, para três, zero
igual a
cento e setenta e sete
Cliente
Neste post eu é que vou falar, não a cliente.
A cliente quer um bocadinho de enchimento para almofadas, só um bocadinho. Já agora, se não estiver a ser muito chatinha, a cliente quer que lhe encha a minúscula almofada e que lhe remate a abertura com pontos certos. Pensando bem, penso eu, que este post é sobre mim, a cliente quer que lhe lave o rabinho. E se for lá a casa passar-lhe o pano nos móveis, melhor ainda. Ah, e tem o fogão tão sujo... Janelas. Tapetes. Armários.
Resta a dúvida: não sei se tenho dinheiro para tanta despesa...
Boa tarde!
Depois do clique disse à Carminho que ia rodear a estátua do Fernão de Magalhães e dava a volta. Assim foi.
Do ano passado
O homem das castanhas tem vestido o colete com nome antitússico. Já o ano passado era assim. Sabia eu e sabia o homem do blogue que já o ano passado era assim.
Um avião
Um avião que parte pela manhã,
não sei se é militar
nem se vai atirar uma bomba ao ar.
| Um aviãozinho militar |
| Atirou uma bomba ao ar |
| Em que terra foi parar? |
| Loures |
| Ah ah |
não sei se é militar
nem se vai atirar uma bomba ao ar.
| Um aviãozinho militar |
| Atirou uma bomba ao ar |
| Em que terra foi parar? |
| Loures |
| Ah ah |
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Sabes
Sabes que para percorrer aquele corredor tens de dar trinta e dois passos. Cada vez que isso acontece endireitas os ombros e avanças com uma vontade que não esmorece.
Sabes que ela guarda o dinheiro no armário por baixo do lavatório, dentro da caixinha dos pensos rápidos. Cada vez que a vês baixar-se para alcançar a nota dobrada em quatro desvias o olhar para não tomar parte no seu segredo.
Papel
Estive com o cartão-de-visita de uma empresa na mão. Observei-o atentamente. Informa as coordenadas a inserir no sistema gps para se ir lá ter. Vejo letras e números, e símbolos como graus, apóstrofos e aspas. Achei um piadão àquilo, até me comoveu, a sério, isto porque segui o caminho da minha ignorância, há nela uma certa candura. Ah, quando eu não conseguir ser nadinha, nadinha pueril... Mal vou.
Cliente
Acerca do tamanho de um tapete para banheira, por entre gargalhadas:
«Ah, é grande, é bom, dá para duas pessoas tomarem banho ao mesmo tempo, têm é de estar muito juntinhas, mas dá.»
Cliente
Exprime-se com o atabalhoamento próprio dos emigrantes ainda inexperientes na língua portuguesa. Diz que:
A minha chave entorteleceu.
O senhor de outro balcão
Fui a um estaminé amigo deste e apresentei-me. Logo após isso, repentinamente, o senhor que estava atrás do balcão perguntou:
Então e o senhor Joaquim, está bom?
Respondi afirmativamente.
É então que o amigo deste estaminé, como que pedindo-me desculpa com o olhar por toda a sua atenção se ter desviado para alguém que não estava presente, indaga:
E a senhora, como está...?
Eu também estou bom, obrigada.
Ah ah.
Vida nova
A rica filha tem novo emprego.
Primeiro dia: 'tou bué cansada mas foi giro'; 'olha mãe a vista de lá é muito bonita'. Pedi-lhe para tirar fotos.
Segundo dia: 'ó mãe, os carros ali andam bué devagarinho, realmente aquela estrada não é para andar a cinquenta à hora'. Este comentário era referente à multa que me foi aplicada recentemente.
Terceiro dia: 'ó mãe, olha as fotos'. Olhei. Vê-se o Tejo, a margem de cá e um barco enorme.
Três em Um
A imagem abaixo existe porque há tempos fui ao cabeleireiro e pensei assim: olha, às vezes ponho no lbogue... ai perdão, blogue o antes&depois da manicura portanto desta vez vou fazer o mesmo com os cabelos. E dei início à demanda. Obviamente comecei por tirar fotos com as guedelhas a precisarem de aparo. No dia do aparo, assim que vi o Mimi torcer mechas e agarrá-las à cabeça com molas, pensei em lhe anunciar 'olhe lá eu agora vou tirar fotografias a mim mesma, ok’. Mas não. Sei lá, não estava na disposição me pôr a clicar e a tentar fazer caras giras perante alguém que na verdade nem me conhece. Passados dias tirei mais fotos à franja já aparada. Não havia uma que se aproveitasse, e se eu tentei. Entretanto deixei-me cá de coisas e misturei três fotografias no picasa. Portanto, na imagem abaixo vê-se dois olhos e três olhares.
Obituários
Há obituários para pôr em dia. Tenho mesmo de me jogar ao tema, há memórias que quero registar.
::: O senhor da meteorologia, aquele que apresentava o pequeno programa (pequeno em minutos) da meteorologia aqui há uns anos. Anthímio de Azevedo. Morreu. Entrou no estaminé algumas vezes. Da primeira vez fiquei com a impressão que o conhecia de algum lugar até que me disseram de onde. Depois, de longe a longe via-o aqui ou ali, a dar a sua voltinha, como os velhos fazem, para não parar de viver, que dizem que parar é morrer. Ultimamente, e não exagero, via-o praticamente todos os dias e à mesma hora junto ao trinta e um da alameda, cruzava-me com ele na calçada, evidentemente que o reconhecia mas ele não fazia ideia de quem sou, portanto não o cumprimentava. Conto isto do cruzar de vidas porque o avistei dois dias antes de ouvir dizer na Radio que ele morrera, o que me deixou com uma sensação esquisita, a verdade é que aquele homem fez parte da minha infância.
::: Outro que me lembra a infância é o Sousa Veloso, aquele senhor que apresentava e dirigia o mítico programa TV Rural. Deste não tenho grande coisa a dizer, a não ser que há uns tempos usei num post a sua frase de despedida: 'senhores espectadores, despeço-me com amizade'.
::: Morreu o Zé do restaurante. O sô Zé era um daqueles velhinhos que gostava de ser atendido por mim, de certo modo curtia-me a valer, o que significa que há no mundo menos uma pessoa a gostar de mim.
::: A dona Maria do Carmo... Ora bem, se este é um post direcionado para obituários, a dona Maria do Carmo é mais uma a acrescentar à lista. Morreu. Não há muito a dizer, o que acontece para ela figurar neste post é que aquando do nosso relacionamento diário eu ainda não escrevia num blogue tão frequentemente como de há uns anos para cá, e que se assim tivesse acontecido, a dona Maria do Carmo seria certamente um tema comum.
::: Uma senhora que figurou algumas vezes no blogue, nomeadamente, e é a palavra correta, nomeadamente, é a dona Maria Luísa. Lembro-me de fazer um post em que a referia como 'a senhora que tem nome de praia' porque na altura houve um acontecimento daqueles mediáticos, tipo tragédia e isso assim, na praia Maria Luísa, e eu fiz um post por tê-la ouvido dizer que não sabia da existência de um areal com o seu nome. Também tirei uma fotografia à sua janela, por ser invulgar e pu-la no blogue, e andei uns tempos a cirandar em volta do assunto. Morreu, a dona Maria Luísa. Digo morreu porque não sei se deu pra perceber...
É um cristal
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Último
Cinco e meia da tarde. O céu de Lisboa apresenta laivos alaranjados o que prenuncia um amanhã soalheiro.
Na avenida
Na avenida há uma pequena tabuleta agarrada ao tronco de uma árvore anunciando que aquela é a 'árvore dos desejos'. Tenho para mim que basta a gente parar, mirar a tabuleta, inclinar a cabeça para observar minuciosamente a copa e pensar naquilo que quer. Deseja.
Lugar da musa
Lá estava a senhora que encomendara a caixa de chocolates a levantá-la. Observei a senhora no sentido de perceber se é realmente parecida comigo. Não é. Nada.
Já há muito tempo que não vinha aqui, diz uma senhora para um senhor. Fiquei a pensar que vou ali todos os dias. É simplesmente um termo de comparação da minha parte, no fundo passo a vida nisso. E se fosse só eu...
Eh lá, bebi um café fortíssimo, hoje. E extraordinário. Enquanto sinto o estalo da cafeína observo o lugar, sem que tente como que vê-lo pela primeira vez, nada disso, é antes vê-lo outra vez e descobrir novidades, sem no entanto por elas ansiar.
Agora tenho mais tempo livre, não leio, não levo livro, não quero ler. Um dia isto passa, a leitura far-me-á uma falta imensa, colocar o pensamento em personagens e vivências que não são as minhas tem algo de salutar para quem escreve. Um dia.
Ainda não falei
Ainda não falei do cante alentejano ter ganho tanto destaque a nível mundial. Tenho o costume de não me pronunciar quando os temas são frescos, é uma mania minha, muitas vezes debito as minhas considerações durante o rescaldo dos temas mediáticos, mas desta feita até essa fase deixei passar, indo hoje dizer o meu poucochinho acerca do tema em questão.
Não há na minha família senão alentejanos pelo menos até para aí à quinta geração, todos nascidos e criados no Baixo Alentejo, é portanto um orgulho saber que este povo foi destacado com semelhante galardão. Não posso dizer que tenha assistido a muitos cantares in loco, na família mais chegada havia somente um tio ou outro que após uns copitos se atrevia a cantar publicamente, e outro contra para isso não acontecer muitas vezes foi o facto de não ter crescido no Alentejo, ainda que tenha crescido a ouvir a minha mãe cantar. A minha mãe sempre cantou lá em casa. Sempre. Contudo, durante os lutos não cantava, fazê-lo era como que uma afronta de tamanhão. No entanto nunca ouvi o meu pai cantar, se bem que tenha ouvido as tais histórias do cantar alentejano. No tempo do namoro era costume os rapazes subirem as ruas, à noite, cantando a plenos pulmões para as suas amadas. Corria inclusive a história de que em determinada rua subia apenas um dos rapazes, por nessa rua morar apenas uma amada, chamavam-lhe 'a rua do lá vai um'. Não, esses tais não eram a minha mãe e o meu pai...
O teu pai canta bem, o que é que julgas?!
Era o que dizia a minha mãe e isto é tudo quanto sei acerca da voz do meu pai.
Entretanto termino o post transcrevendo um texto que escrevi há cerca de três anos, o qual contém não só palavras minhas como do escritor e bloguista Napoleão Mira, ele sim, sabe como comentar o cante alentejano. É ler abaixo.
Sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Terminei de ler o livro 'Ao Sul' de Napoleão Mira. Adorei a sua escrita, o modo como descreve as alentejanices que tão bem conheço.
Escolhi um pequeno excerto de um capítulo que retrata a matança do porco - e tudo quanto lhe está inerente - passada na aldeia da qual os meus pais são oriundos – Albernôa – e aqui o deixo. Porque a minha alma é mais alentejana do que de outro sítio qualquer, porque cresci com as questões alentejanas, lá ao longe, é certo, mas cresci com os costumes, o falar, o cantar (a minha mãe cantava muito). E a alvura. Até a alvura a minha mãe trouxe de lá. Ver ferver a cal era um dos meus passatempos preferidos em criança. Depois a minha mãe caiava o muro do quintal. Ficava tão branquinho... É porque as minhas raízes são as do sul que me identifico tanto com este livro.
«Pela tarde e quando o vinho naufraga nas gargantas dos comensais, alguém solta as primeira notas duma velha moda local. O momento torna-se quase solene e, em uníssono, como se as vozes fossem braços que se enlaçam, acontece a magia da alma alentejana em que a emoção emerge à flor da pele, e lá de dentro, do que temos de mais profundo, solta-se o grito lancinante da terra, imagem de marca de uma gente que se abraça para cantar e que canta em forma de abraço.
Quando a noite se faz verdadeiramente noite, quando o frio de Janeiro já não é bom parceiro, quando o vento zune através das frestas, sabemos que está na hora de abalar, coisa que se volta a fazer cantando:
Vamos nós saindo
Por esses campos fora
Que a manhã vem vindo
Nos lábios d' aurora»
Página 147
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Da brejeirice
Nos últimos posts estou um bocado sexual, bem sei e também sei que termino o dia com a malícia no vermelho. Calhando devia ter chamado '69' ou 'canzana' a este post, mas não me apeteceu.
Da peitaça
Todos os anos venho para aqui dizer que no inverno é que é, tenho as mamas grandes por causa da quantidade de camisolas que trago e mais não sei o quê. Então pronto, este ano não há exceção:
Estamos naquela altura do ano em que tenho um par de mamas bem nutrido, culpa das camisolas todas que trago vestidas.
Do cinema orgástico
Durante o orgasmo elas clamam por deus em gemidos copiosos. Pelo menos é o que se vê nos filmes, e se dizem que a arte imita a vida, pumba, coiso.
Dos momentos ranhosos
Há momentos em que a minha vida se resume a uma simples dúvida: em qual dos bolsos terei metido o lenço de assoar.
Da prioridade questionável
Esquerda, direita;
esquerda, direita.
Primeiro: a esquerda;
segundo: a direita.
Os melhores no fim.
esquerda, direita.
Primeiro: a esquerda;
segundo: a direita.
Os melhores no fim.
Da consensualidade
Ontem à noite andei pelo Loureshoping, procurando prendas para ofertar às pessoas que me são mais chegadas. Entrei numa perfumaria, expliquei mais ou menos o que queria e informei também a faixa etária da ofertada. A moça salta de lá com inúmeras opções de aromas e texturas, o que me baralha até mais não. Então lanço a perguntinha:
'Não tem uma linha com um cheirinho que seja consensual?'
Entretanto, não querendo estar para aqui a armar-me ao pingarelho (e para tal já estou a usar isto do pingarelho, uma expressão corrente, portanto imprópria para eu usar quando escrevo, se ademais hoje estou numa fase, tão boa mas oh tão boa, em que tenho a mania que escrevo diferentemente e que sou extraordinária) mas é que depois de ver o olhar perdido da moça fiquei com a sensação que não devia ter usado a palavra que apresento em itálico.
Tiriririri!
Toca o telefone. Ouço dizer 'Xutos & Pontapés', num acabar de conversa que claramente não era para mim.
Boa tarde, diz ele quando se apercebe que estou presente do lado oposto da linha, o meu nome é tal e eu queria falar com alguém responsável.
Pode falar comigo, respondo, neste momento a responsável sou eu.
Hum, não, eu queria mesmo era falar com o responsável... Pronto, o responsável pela drogaria, está a ver?
Aqui está a dar-me jeito realçar que a conversa é telefónica.
Estou, digo eu, então só vai poder falar com ele amanhã, que hoje já não vem.
Segue-se um rol de sim-senhores(as) e com-certezas e amanhã-ligos e até-amanhãs.
Num tempo não muito distante deste telefonema parvo que se farta, o responsável pela drogaria ligara-me a perguntar:
Ó Gina, se calhar já não vale a pena ir para aí, que é que achas?
(Eu até mando no patrão e depois não sou responsável pelo estaminé. Homessa.)
Do intervalo grande
:::Subia a avenida quando vejo um extenso cortejo de crianças, vinham duas a duas, de mãozinhas dadas, vestidas de vermelho, ponteando a vistosa indumentária com enfeites brilhantes aqui e ali, fizeram-me lembrar duendes felizes. Havia um corredor de pessoas aos lados, umas observavam embevecidas, outras fotografavam ou filmavam tão especial evento, não menos embevecidas. Entretanto ouve-se pelo ar a sirene de uma ambulância. A vida é assim, no mesmo momento: a singela felicidade e a tragédia meteórica. Tão inexplicável que isto é.
:::A camisola, ainda não a tenho. Verniz das unhas, logo vejo se igualo o tom à camisola ou não. 1º camisola. 2º verniz.
:::Senhoras do banco, hoje são duas. 1ª jogou a mão à manga do meu casaco para ver ser era fofinho e sorrimos, eu e ela. 2ª jogou a mão à manga do meu casaco para ver se era fofinho e sorrimos, eu e ela. E era só isto.
:::Lugar da musa. Às vezes estou a rabiscar nos papelinhos quando o moço me vem levantar a chávena. Mesmo considerando que ninguém dos presentes está interessado no que escrevo, fico sempre aflita, temendo que se consiga ler à distância de meio metro. Mas acrescento ainda que fico particularmente aflita se o moço vem levantar a chávena e estou a debitar coisitas acerca dele, o que efetivamente já aconteceu duas vezes.
:::Lugar da musa. Canta o Rod Stewart. Este homem consegue também ser natalício. Let it snow, let it snow, let it snow.
::: Lugar da musa. Agora que ando arredada da leitura, naquela fase em que nem sequer tento ler, sobra-me tempo. Hoje pus-me a olhar para as bancadas e notei que uma delas tinha todos os livros tombados de maneira a que se vissem as folhas e não as lombadas, visto dali era portanto uma visão deslavada. Nota: esta não é a primeira vez que me ponho a escrever da visão deslavada que um conjunto de livros pode ser, e da outra vez fi-lo referindo-me exatamente ao mesmo lugar e objetos.
:::Na rua mais bonita de Lisboa. Acho que o ramo da oitava árvore, aquela que susteve durante meses a mola com o dizer... Na verdade já não tem a ramagem igual, ou seja: o raminho caiu. Hei-de confirmar isso nas imagens do blogue.
Boa tarde!
Então pronto, folhas. Umas delas arranquei da árvore, seja lá como for mais dia, menos dia ia apodrecer e cair, as outras apanhei do chão.
Ontem
Outro post relacionado com ontem. Porra. Vivo apegada ao passado sem querer.
Ontem, lá vou eu ao passado, ontem fui ao sapateiro deixar a minhas botas e tal como descrevo no post o homem que me atendeu não foi lá muito simpático. Depois, à tardinha, quando as fui buscar, toca de o bicho estar todo melado e sorridente e o caraças. E isto porquê? Porque sou da drogaria. Isso. Da drogaria. Repito: sou da drogaria. Quando saí ele deve ter relacionado a morada com o lugar e percebeu que pertenço à drogaria. Ora essa, mas afinal não valho por mim mesma...?
Hipocoisa
A hipocrisia que se vive nesta época não me chateia por aí além. Diz-se que as pessoas competem entre si em questiúnculas como o tamanho e o preço das prendas que dão aos amigos e familiares, há inclusive quem diga que recebe prendas recicladas, prendas que no fundo não se quer receber ou não se gosta e então se oferece sigilosamente, ou não, por troca de outra.
Quanto a mim não é esse tipo de hipocrisia a que mais abomino.
Abomino a hipocrisia dos pedintes, nesta altura é vê-los aparecer de mão estendida, alguns gemem, outros choram, são todos uma cambada de parasitas, não me convencem do contrário.
Abomino a hipocrisia pós-natalícia, aquela que leva as pessoas a desdenharem das prendas que receberam, mas sobretudo a desdenharam do ofertante.
Bem, este post é diferente
Bem, este post é diferente, não é do esquecimento nem da incoerência, é da ausência. Eu hoje ia, note bem: ia, fazer um post giríssimo onde referiria que ontem a folha estava deitada em cima de papel branco, a fazer sombras bonitas, sem drama, e que hoje a encontraria com o caulezinho enterrado junto aos clipes, em pé, tão senhora de si mesma.
Mas não.
Hoje, quando me lembro desta temática tão capaz de suscitar o mais desperto interesse, vou até ao potezinho dos clipes e... Onde é que está a folha?! Não está, nem sei onde está, simplesmente desapareceu. Paciência, eu hei-de encontrar outros interesses consideravelmente despertos para pôr no blogue.
No domingo
No domingo tirei uma foto depois de cortar dois dentes de alho miudamente e de ter pousado a faca. Quero dizer: não pousei a faca, qual quê, segurei-a com uma mão enquanto tirava a foto com outra. Chegada a hora de publicar as parvoíces do costume no blogue, disponho já de uma foto que transferira para o pc onde aparece parte de um livro ('O Dicionário dos Sabores', Niki Segnit) aberto na página 140, onde se pode ler um trecho referente a cebolas e alhos. A ideia primordial era juntar as duas imagens e pumba, coiso. Entretanto esqueci-me de publicar esta em particular. Pois. Ultimamente ando nisto, criando posts do esquecimento e também da incoerência que apresento no lbogue... ai perdão, blogue.
Deixo então a dita foto.
A unha desta bloguista
Apresento novamente a unha desta bloguista mas sem foto a provar em que ponto está.
Ora bem, o verniz estalou e a unha, sei lá porquê, parece que cresceu imensamente durante a noite, está a modos que falhada, mas sofrendo de uma pequena falha, portanto não arranha lá muito nem se prende muitas vezes nas roupas. E ando assim: cheia de vontade de a cortar, de voltar a pôr o sabugo a descoberto. A ver vamos se me contenho.
Cliente
Deixou uma folha a4 muito preenchida (quero eu dizer quase sem margens, cabeçalho e rodapé) com uma mensagem cristã, onde refere (vou opinar tendo feito apenas uma leitura transversal porque o assunto não me interessa lá muito e menos me interessei quando vi escrita a palavra 'selestício') que o Natal não é o nascimento de Cristo e que a grande festa é simplesmente uma celebração da passagem do outono para o inverno criada por um carola qualquer dos tempos remotos e que com o passar das gerações se foi transformando nesta festa imensa por quase todo o planeta.
Este post existe por dois motivos:
Um:
À despedida desejei à senhora umas boas festas, o que, tal como refiro acima, descobri depois, não se coaduna com aquilo em que ela acredita...
Dois:
Pediu-me o preço daquela peça que tenho na montra, mas não era aquela peça, era outra maior, a que eu tinha lá, não, não era nada aquilo, era maior, era maior a peça que eu dantes tinha lá, ora pois já se vê, a gente passa pelos sítios e vê as coisas e não há nada melhor do que comprar logo que se vê, mas era maior, era maior a peça que eu dantes tinha na montra...
É devido ao ponto número dois que este post se chama 'Cliente'.
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