Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Bom dia!

Melhor começar o dia criando um post onde me desculpo da incoerência que aparece num post de ontem e exponho uma foto supostamente endireitada com um programa que o pc do estaminé possui. Dizia eu ontem que esse programa endireita as fotos e mais não sei o quê e depois espeto lá uma foto que mesmo assim está torta. Pois.
Ora bem, a dita foto está torta, sim senhores, mas é que o programa referido endireita as fotos apenas na horizontal, não na vertical. O que acontece para toda aquela inclinação que (afinal ainda...) se vê na foto é que a minha máquina tem um problemazito qualquer que faz com que determinadas perspetivas pareçam a parte de baixo de um cone. Tipo assim a gente cortar um cone ao meio pela horizontal e depois escolher a parte de baixo. Isso mesmo.
Agora que já me expliquei, deixo foto do bom dia de hoje. É o céu deste lugar, como se apresentava às nove e cinquenta e seis. O céu é algo omnipresente e informe em simultâneo e por isso não se percebe se inclinei a máquina para fazer este clique ou então não, ou seja: não há nesta imagem nenhuma parte de baixo da forma de um cone.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Troca de letras

Quando escrevo lbogue, querendo escrever blogue, e me ponho com a cantilena do costume, 'ai perdão' e mais não sei o quê e depois retifico a palavra digitando 'blogue' e tal, quero ressalvar que me engano realmente, se bem que o meu pedido de perdão seja algo teatral.

Do tempo que passou

Tenho oito anos e muitos meses de blogosfera, portanto sei o quanto um blogue pode prolongar a sua existência subsistindo através dos comentários dos leitores, há inclusive bloguistas que dependem imensamente da resposta viva dos leitores, sem os quais jamais continuariam escrevendo, não suportando portanto esse tipo de solidão. Talvez esses bloguistas gostem afinal mais do apreço e da companhia do que de escrever. Não me surpreende, mas não é esse o meu caso. Confesso que no início adorava receber comentários mas hoje em dia nem por isso, sei lá, acho que me habituei à solidão, no fundo estou sozinha, o que me compraz, é consabido que a solidão está implícita à escrita e a outras formas de arte.
Os comentários, não sendo por mim desprezados, nem os considerando desnecessários, atualmente não são de todo desejados. Continuo a ter caixa de comentários, claro que sim, por mera curiosidade de saber o que os leitores têm a dizer, isto quando efetivamente têm algo a dizer. De resto, um lbogue... ai perdão, blogue sem caixa de comentários não é um blogue, é um livro digital.

A unha desta bloguista

A minha unha está mais ou menos bem. Pronto, ok, vá, já cresceu bastante, quase galga o sabugo e o esconde e tal, mas passo a explicar porque não acho que esteja plenamente – e finalmente – curada e/ou normal.
Fui à manicura há treze dias. Habitualmente a Carminho passa-me por sobre as unhas já pintadas um produto qualquer que ao que parece é milagroso e fixa o verniz durante um tempão. A sério, passados estes treze dias ainda tenho o verniz quase intacto. Quase. E, então, vamos, lá, a, ver, qual foi a única unha onde verniz estalou? A doentinha, pois. Abaixo pode ver-se o verniz como que reconstruído, estive a dar mais uma camadinha ontem à noite.

Boa tarde!

Cliente

Três da tarde. À porta um cliente esperava a abertura do estaminé.
Ah, estava aqui a ver quando abriam.
Diz ele e di-lo porque sim.
Estava à minha espera.
Pergunto eu, porque não tenho mais nada para dizer.
À sua espera não, à espera que abrissem, não sabia que era a senhora ou outra pessoa qualquer que vinha abrir.
Dizer 'então, quer queira, quer não, estava à minha espera' não valeria a pena, percebi que o meu humor não se ia safar.

Ela foi

Fui ao cabeleireiro no outro dia. Em certa altura diz o Mimi assim: ó Gina, que carinha é essa, não esteja assim tão triste que eu daqui a nada já vou pôr as mãos na sua cabeça.

Almoço

Ele entala o cabo do garfo entre o anelar e o mindinho.

Constatação

Constato repentinamente que vendo luminares. Têm é de ter um fiozinho, estão suspensos, sim senhores, mas têm de ter uma corrente a ligar, tipo um cordão umbilical como alimento e isso assim. É no entanto prioritário que não se confundam com o sol e/ou a lua.

Cliente

Interrompo a laranjinha, deixo-a a meio, pousada na secretária, a oxidar, oh céus, para aviar um cliente que quer «sessenta centímetros vezes dois daquela tirinha branca que tem lá dentro uma molazinha» e «quatro... não, cinco pecinhas para enfiar na molazinha».
De volta à laranjinha noto que não oxidou. Maravilha.

Post narcótico

Drogas é o meu nome do meio. Com um nome destes dou um bocado nas vistas, bem sei. As pessoas abrem a boca e indagam: ah, mas, drogas, daquelas drogas...? A minha resposta é quase sempre: hum, não, isto é uma drogaria, logo, vendem-se drogas.
Vendesse eu das outras drogas. Ah, vendesse eu das outras drogas. Arranjaria mais dinheiro por minuto e por metro quadrado, faria as minhas vendas de porta fechada, mas não seria por isso que não era (re)conhecida.

Terminei o pote do sal

Terminei o pote do sal que tinha trazido de Espanha, em junho, quando estive lá de férias e fui muitas vezes à praia banhar-me e dourar a pele. É um sal especial, marinho. Tem um toque algo húmido e a bem dizer não sei se salga mais ou se salga menos que o sal regular, sei que é caro que se farta e que é muito bom porque supostamente não tem cenas parvas daquelas que fazem mal à gente, digo azia, engrossar o sangue, altear a tensão arterial e isso assim.
Agora vou deixar uma foto de como aquela praia andaluza se apresentava em junho deste ano.

Tinha também esquecido

Em pé de igualdade com o post anterior, tinha também esquecido esta foto (ver abaixo).
Há uns tempos andei para aí a fazer pesquisas no blogue e fui dar a janeiro deste ano, onde referia que considero a dezena do ano (14) feia que se farta e mais não sei o quê (querendo ler clique-se aqui) e depois disso, talvez um dia ou então após escassas horas, não sei, venho a descer uma rua de Lisboa e vendo o que se vê na foto lembrei-me logo de ter encontrado o tal post, só por dizer que fiz o clique um bocado à pressa e deixei a dita foto torta, mas como tinha esta história interessantíssima para deixar no blogue, bem como tinha ainda de reforçar que o pc do estaminé possui um programa que endireita as fotos tortas, olha, pumba, coiso, crio um post com uma foto endireitada forçadamente.
Ah é verdade, o programa supracitado também entorta fotos que estejam direitas, para isso tem de se desnivelá-las, ao invés de nivelá-las. É giro, aquilo, no fundo a gente faz o que quer com as fotos.

Uma abelha que não (me lembro se) voava, que não (me lembro se) voava

Tinha esquecido esta foto nos meus arquivos. Não há muito a dizer sobre este clique, basicamente era uma abelha que não voava porque estava um frio do caraças e que o meu colega acolheu por sobre a sua mão por modo a aquecê-la e como que reavivá-la. Entretanto não me lembro como terminou esta história, se a abelha sempre voou ou então não, portanto ficamos assim.

Cliente

Dados do cliente: Dona Zenaide, rua Porta do Luar, nº 5 – 1º frt, Lisbomba.
Trabalho a executar: puxadores e isso.

Fui ao sapateiro

Fui ao sapateiro deixar as minhas botas para pôr capas e coser um pedaço da perna. O homem pediu-me para deixar a morada e eu fiz um certo ar de espanto.
Então, disse ele com maus modos, temos de ter aqui alguma coisa escrita, o nome ou a morada.
Passou-me o espanto e fiquei baralhada sobre que morada dar, é que sendo uma mulher de sorte tenho duas disponíveis, e por fim lá me decidi por aquela onde estou mais tempo e que fica mais longe, talvez fique a norte, não sei, mas era giro ficar para esses lados por causa do frio de agora.
Ora bem, sou também lojista para registar os clientes nos livros mediante as moradas, pondo em algumas situações os nomes de lado, sem que contudo isso seja feito com desprezo, mas porque eu trabalho dentro das casas das pessoas...
Todavia, no post a seguir a este, para contrariar... É lê-lo.

Era 1 X

Era uma vez um casaco que estava há uns dias no roupeiro. É azul, o casaco. Tirei-lhe fotos e depois percebi que ficaram desfocadas. Vê-se a banda e o botão, ainda que desfocados. Vê-se também o pelinho e talvez se perceba a quentura de que é capaz. E se é capaz. No último dia em que vesti este casaco fui à rua Lopes ver um trabalho, era o que dizia o papel que tinha num dos bolsos.

Bom dia!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Boa noite!

O Natal cá em casa

Comprei um bonequinho que dá luzes de várias cores. Tirei-lhe fotos e assim. O Natal anda cá em casa.

Boa tarde!

Eu disse

Eu disse que (se me lembrasse) hoje ia ser dia para tirar fotos ao ramo que achei no chão da praceta, não disse? Então pronto, ei-las.

Bom dia!

A cadela não se quis cruzar com as ovelhas. Insisti, eu própria pouco à vontade em ver os bichos assim tão perto, alguns até bem curiosos, aproximando-se e tal, mas a cadela estava demasiado medrosa para insistir, voltei pra trás. Ficam as fotos cortadas, se bem que a minha ideia era mesmo fotografar essencialmente as patas das ovelhas. As fotos estão também desfocadas mas não as dispenso devido ao momento que retratam.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

...

She sees them walking in a straight line
That's not really her style

(Ecosmith, Cool Kids)







É sexta-feira

Hoje foi dia para desejar um bom fim-de-semana à autoridade. Eu depois conto tudo. Tudinho. Olarila.

Do frio imenso de hoje

Haja esperança, daqui a seis meses vou estar cheia de calor, mostrando grandes extensões de pele.

Lugar da musa

O moço que serve os cafés cumprimentou-me com um bom-dia, muito embora fossem duas da tarde. Sorri e respondi:
'Ah, pois, que lá fora ainda é de dia.'
'Pra mim, é!'
Respondeu ele. Não percebeu a piada, claro que não percebeu a piada. Para ele era bom-dia porque ainda não almoçara, para mim era bom-dia porque é dia até ser noite.

Acho que foi ontem à noite

Acho que foi ontem à noite que achei um ramo de flores no chão da praceta, seja lá como for foi numa noite recente. Esse ramo de flores estava dentro de um embrulho cónico, transparente, como são os embrulhos das flores naturais.
Calhando foi alguma amada que não achou piada ao ramo que o amado ofereceu e o jogou ao chão.
Calhando foi a inabilidade de alguém que em conjunto com os sacos das compras lá pra casa, deixou cair sem dar por isso.
Se me lembrar, amanhã tiro fotos ao ramo, às flores. Com a luz do dia e tal. Os tons são: branco, lilás, amarelo, verde. Vão ficar giras. A bem dizer tenho saudades de fotografar flores lá em casa. Amanhã mato-as.

Do sono intermitente

Ora bem, ontem pus-me para aqui a dizer que à noite se calhar não ia dormir porra nenhuma e mais não sei o quê. Devo então dizer que dormi tão intermitentemente como na noite anterior a esta, ou seja: acordei à 1h, às 3h e às 5h, com meias horas de espertina em cada desses acordares. Já começo a estar cansada desta falta de descanso...

Bom dia!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Sete mil e trinta

Se venho escrever no blogue que me sinto espantosamente infeliz e que às vezes me parece que vou morrer de tristeza, também venho revelar pequenas glórias e alegres momentos. Querendo confirmar é questão de fazer uma pesquisa transversal neste blogue, ou então munir-se de uma paciência desmedida e lê-lo na íntegra.

sos

peço socorro hoje também, mas maior

Sem título

Tenho de esquecer as minhas questões, desviar a atenção do meu cerne depressivo. Pronto, ok, vá, de vez em quando sinto uma enorme necessidade de chafurdar na minha própria tristeza, sei que quando bato no fundo não há mais caminho, daí já só se pode subir, mesmo que obliquamente ou aos rebolões, subir é o caminho. Isso ou a morte e eu não quero escolhê-la ainda.

Lugar da musa

O moço que serve os cafés apontou para uma grande caixa que tinha em cima do balcão, pedindo muitas desculpas perguntou-me se era eu a senhora que lhe tinha encomendado uma caixa de chocolates, lembrava-se que quem lhe tinha feito tal pedido era uma senhora assim mais ou menos como eu e mais não sei o quê.
Não fui eu, 'migo. Nem vontade disso. Hoje. Especialmente.

Ó

«Ó mulher, como é que consegues estar aqui? Não te dói a cabeça? Ó mulher, sai lá fora de vez em quando!»

Esta malta desconhece a insuportabilidade em que vivo. Conhecendo, não me confrontaria com este tipo de indignação, tampouco me tentaria com tais conselhos.

Volta, não volta

Milena Tibúrcio, a bem-dispostinha, não tem uma camisola nova.
Gina, a mulher que tem um blogue, não tem uma camisola nova.

Avenida acima

Devia ter escolhido subir uma outra avenida.
Mesma avenida, igual, mesmo sintoma.
Recorrência.

Boa tarde

Dormir

Insónias. Não sofro frequentemente com insónias mas nos últimos dias tenho dormido mal. Primeiro comecei por acordar às cinco da manhã e ficar o resto do tempo acordada até me levantar à hora que é suposto. Uns dias depois deu-me para acordar às 3 da madrugada e ficar acordada um ror de tempo até adormecer, para voltar a acordar no horário normal. Esta noite acordei à uma da madrugada, fiquei acordada um bocado, adormeci e voltei a acordar às 3, adormeci um bocado depois, acordei às 5, adormeci, acordei na hora normal. Tenho para mim que logo à noite não vou dormir porra nenhuma.

Avenida acima, já noite, num destes dias

Avenida acima há muitas, muitas estrelas brilhando.
Avenida acima há muitas, muitas luzinhas piscando.

Já agora

Já agora apresento uma outra foto que tirei ontem à noite, poucos minutos depois da que consta no post anterior, quando galgava a avenida Santos e Castro em direção à ip7. Depois ic17. Depois a8. Depois en8. As coisas que eu sei...

Fotografar

Já tentei algumas vezes fotografar a minha árvore de Natal. Mas não fica bem. Nada bem. Não sei o que há com luzes, neste caso fracas e minúsculas, ou com o brilho das fitas, talvez fira a lente da máquina, sei lá. Depois, se rodo a máquina numa ou outra direção que me pareça mais favorável, apanho a abertura das cortinas ou um canto do móvel. Não fica mesmo nada bem.
A foto que apresento abaixo é a de uma árvore de Natal de rua, sita na rotunda da Alta de Lisboa. Fiz o clique ontem à noite. Não é que ache que a foto está o máximo... Quero dizer: acho pois, esta foto está o máximo, foi tirada em movimento, daí o riscado das luzes.

Bom dia!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Boa noite

Raramente estou vazia de assuntos para escrever, o que por vezes acontece para ter um dia em que quase não escreva, como hoje, é que tenho a cabeça cheia do que é impublicável.

sos

Cacau em pó

Por causa do post anterior, lembrei-me: não consigo reler o meu mais recente conto, aí sim, reside uma incapacidade.
Tenho alguma pressa de ver o conto publicado, assim já não me pertence, e quando deixo de ser dona do que escrevi, desvalorizo e então consigo ler. Ler-me.

Leitura

Não é que no presente não consiga ler, é que não pego sequer no livro, deixo-o ali estar, não tenho vontade de ler e nem tento fazê-lo.

Composição

Composição

Bom dia!

Esta foto prova que posso retificar as fotos que tiro à pressa e me saem inclinadas, ou seja: uso o programa do windows live para endireitá-las. Tão fácil. Bom dia, então.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

eu e tu

sou eu que
sou irresistível
ou
és tu que
és irresistente

em grande

maior sonho
dois pontos
escrever o mundo
inteiro
ao pormenor
não descrevê-lo
não inscrevê-lo
nada disso
escrevê
travessão
lo
ponto final

eu

escabrosa

Sem título

Tenho inveja de quem escreve subtilmente e é entendido na perfeição. Talvez eu seja demasiado autoexplicativa. Talvez eu seja demasiado. Talvez eu seja somenos. Talvez não seja nada disso. Talvez seja muito daquilo. Escabrosa. Não percebo, e escrever não me faz perceber nada.

Milena Tibúrcio

Milena Tibúrcio é alguém que inventei há uns meses com base na minha pessoa. Até fiz um blogue. Houve aí uma época em que considerei ser melhor esconder a Gina e pus-me a escrever sob uma espécie de pseudónimo. Não resultou. Fiz por parecer que a Milena Tibúrcio era a parte bem-dispostinha de mim. Mas não resultou.

Das estações

Outra vez o retirar das luvas, o desenrolar do cachecol. Hoje está um frio terrível, tanto que enteso o corpo numa tentativa de não senti-lo. Compenso com a psicologia invertida:
Faz de conta que a temperatura está alta.
Faz de conta que trago comigo uns brincos tão compridos e festivos que me roçam os ombros nus.
Faz de conta que os meus cabelos estão acobreados pelo sol.
Faz de conta que tilintam pulseiras com o movimento do meu andar.
Faz de conta que caminho lassa devido ao calor.

Rascunhar

Acabar com os rascunhos, é preciso. Não acabei ainda com isso de rascunhar, a minha história não termina, por muito que tente. Ou terminará, então, com o terminar da escrita, com a possibilidade de escrever. Anseio que se me não falte essa possibilidade, preciso disto, qualquer dia rebento, mas preciso desta ocupação porque não sei conversar.

Do intervalo grande

Lugar da musa. E pronto, cá estou, escrevendo, pra mim.
'Quer bolachinha ou quadradinho de chocolate?', pergunta o moço que serve os cafés, e a minha mente passou revista em três palavritas: enxaqueca, cinco dias. Mesmo assim escolhi o chocolate.
A livreira sorriu-me e piscou-me o olho, e disse olá, ainda. A sua postura aparentava complacência ou resignação, não sei bem, não sei qual escolha. As suas três ações, despoletadas pelo simples facto de olhar para mim, vieram-lhe ao depois de abraçar e içar uma enorme pilha de livros. Complacência. Resignação. Pois.
Velhinho dormindo em sofá negro. Tiro foto. Não tiro foto. Tiro. Não tiro. Não tirei.

Da baralhação

Neste momento estou um bocado baralhada, não sei se é melhor limpar os óculos...
...
Pausa na escrita.
...
Já limpei os óculos, continuo baralhada, afinal o problema é mesmo na cabeça.

Notícias*

Agora, quando conduzo, se espreito pelo retrovisor e vejo um táxi... não vejo um táxi, vejo um carro da Polícia. É por causa daquele apetrecho que os táxis têm no tejadilho, assim de repente parece mesmo o apetrecho da Polícia. Isto há-de passar...
Agora, o meu vizinho, que é polícia (sim, ele sabe desta história), mas que sempre encontro vestido à paisana, cumprimenta-me com um aperto de mão, coisa que dantes não fazia. Isto dá-me tanto que pensar...

7000

7000 posts, neste ponto. Este blogue tem 2 anos, 4 meses e 28 dias. E não conto as horas, os minutos e os segundos porque me ia dar um trabalho do caraças.
7000 posts, neste ponto, dá uma média de 7, 97 posts diários.
Gosto tanto de escrever.
Sério, quem diria...

Cliente

Este post não é propriamente com um cliente no papel principal mas sim com esta que escreve. E se engasga. Bem, quero dizer: esta que escreve engasga-se mais ou menos.
Joguei a garrafa de água à boca e toca de beber para acalmar uma sede incrível. De repente entra um senhor e devido ao meu pronto seviço fiz um gesto brusco demais, ficando com uma gotinha minúscula no lugar onde é para entrar somente o ar que respiro e a boca cheia de água, mas mesmo cheia, a fazer bochechas. Queria cumprimentar o homem e não conseguia. Durante aquele impasse ainda pensei em verter a água para o chão, assim em maneiras de o homem não perceber, mas entretanto decidi antes ir, também sorrateiramente, até ao wc e despejar tudo no lavatório. Ressalvo que isto se passou durante uma meia dúzia de segundos e passado esse tempo já eu estava plantada à frente do homem, prontinha para o atender mas a fazer um esforço descomunal para controlar o pequeno engasgo. Pois, eu sei, ainda bem que era um engasgo dos pequenos. No fim disto tudo o homem só queria saber onde era a rua tal. Pior: o homem queria saber se eu sabia onde era a rua tal. Não sei se dá para perceber a diferença...

30

Ontem andei de roda do youtube à procura de um vídeo que tem trinta anos. É de Natal. Devido a esta procura acabei por deixar a pairar no blogue, ontem, como último post, duas linhas do poema dessa canção: 'It's Christmas time, there's no need to be afraid'(Band Aid, Do They Know It's Christmas?)
1984. 1984. Em 1984 eu já sabia que tinha de trabalhar para me sustentar, se bem que achasse que a minha vida pouco mais era do que ir a um bailarico ou outro, dançar agarradinha a putos da minha idade que nunca vira na vida senão naquele momento, apaixonar-me desmedidamente só porque isso aconteceu e, ainda, mas não menos interessante, esconder os cigarros nas ervas à beira do caminho. Se a minha mãe soubesse...



Aproveito o mesmo post para também publicar outro vídeo com os mesmos trinta anos.

Fiz doce de ovos

Adoro confecionar doces, é indubitavelmente o meu tema culinário preferido. Uma das grandes questões da doçaria é o facto de esta ser uma ciência exata, pouco se podendo desviar em termos de quantidades. Não tem nada a ver com uma comida de tacho que a gente põe lá dentro muito alho, se gosta muito de alho, muita cebola, se gosta muito de cebola, pouco tomate se não gostamos lá muito do piquinho que este deixa no refogado, muito ou pouco disto ou então daquilo. Não tem mesmo nada a ver. Quero com isto dizer que há certas coisas que não sei ainda fazer, como por exemplo o doce de ovos. O doce de ovos tem um ponto impreterível, a calda tem de estar numa determinada temperatura e com uma determinada redução. Nem mais, nem menos. Ali. Pumba. E eu, mesmo sabendo da ciência que a doçaria exige, tenho a mania de me guiar pelo instinto...
A vizinha deu-me ovos. Muitos. E eu pensei, olha, boa, fixe, vou aproveitar e experimentar fazer doce de ovos. Não me aconteceu acabar com uma omolete doce no tacho, não senhores, mas a verdade é que o creme, ainda que tenha engrossado, não ficou homogéneo, quando 'descansou' as gemas escorreram para baixo, ficando o açúcar e a parte mais cremosa e espumosa no topo. Congelei-o. É claro que vamos comê-lo na mesma, é doce, sabe bem, a malta lá em casa não é muito esquisita com o aspeto que as coisas têm. Agora só tenho de fazer um molotof com as claras que sobraram, e que também congelei, e regá-lo com o meu doce de ovos de duas camadas.

6996

Seis; nove; nove; seis. Capicua. Lembrei-me. Uau. Um bocado sexual, esta capicua, lá isso é, nunca poderia portanto esquecer-me de a referir, qual quê. Hum.

A viagem da minha vida

A viagem da minha vida pode ser aquela que fiz há dez anos, dois mil e quatro, andei por França em direção a Paris. Foi lindo, experienciei uma série de novidades e houve surpresas maravilhosas, sabia lá eu que França era assim tão cheirosa e arranjadinha.
A viagem da minha vida pode ser aquela que fiz o ano passado, dois mil e treze, revisitei França, mas não nos mesmos lugares e estradas, e também Espanha, Andorra e Itália. Foram quinze dias completamente loucos e invulgares, nunca tinha feito tantos quilómetros em tão poucos dias.
A viagem da minha vida pode ser a primeira vez que andei de mota. A mota era do meu irmão. Eu tinha catorze anos, ele vinte. A viagem não durou mais do que cinco minutos. Para quem conhece o Pinheiro de Loures, imagine a distância que vai da rua do Beco até ao café ao pé da paragem das camionetas que vão para Guerreiros, Ponte de Lousa, Malveira e afora. Cinco minutos, talvez nem tanto. Berrei que eu sei lá. Que medo. O meu irmão ria-se da minha reação infantil. Não havia cá capacetes, qual quê. Apeei-me, cheia de tremeliques. Não me lembro bem mas acho que o meu regresso foi feito a pé.
A viagem da minha vida pode ser a primeira vez que andei de mota com o Luís, há cerca de um ano atrás. Para mim era a primeira vez que andava com ele, e era para aí a quarta ou quinta vez que ele próprio conduzia um veículo daquele género. Foi um bocado irresponsável, inconsciente e inconsequente de ambas as partes, no entanto não poderia ser de outra maneira, tinha de ser naquele momento, senão jamais seria, entretanto a consciência do medo far-se-ia sentir. Ora bem, a minha primeira vez com o Luís foi terrífica. Andar de mota à pendura tem a sua ciência e é preciso um sangue frio difícil de arranjar, a gente não pode contrariar as inclinações do condutor, arriscamo-nos a cair e a aleijarmo-nos seriamente. Descobri nessa altura que, se calhar, e tal, afinal, até nem quero morrer nem nada disso, qual quê, lembro-me de passar rente às frases que eu própria escrevi numa parede:
'Eu não quero viver. E tu?!'
… E sentir que queria tanto mas tanto e tanto viver.

Chiu

O silêncio
O silêncio é coisa que normalmente não procuro
O silêncio é coisa que normalmente desejo
O silêncio

O Natal

Sou uma pessoa solitária, sou-o porque sim, não que tenha algo contra ajuntamentos (e até bacanais) mas a minha personalidade não se dá com pessoas durante muito tempo seguido. É por isso normal que às vezes imagine um Natal sem pessoas, inclusive sem consortes, os quais, menos mal, não me abandonam, que é lá isso.

Tratava obviamente da Consoada, mas em quantidade reduzida.
Fazia bacalhau com natas e couves salteadas com amêndoas, o suficiente para duas doses, uma delas guardava para daí a dois dias.
Comprava um bolo-rei pequenino que só abria quando fosse para comer, nada de o cortar logo às fatias, que os bolos sendo pequenos secam rapidamente.
Confecionava fritos de abóbora, torta de doce de ovos, arroz-doce. Colocava tudo em pequenas travessas.
Dispunha frutos secos num prato de mesa.
Via os filmes que queria ver. Em silêncio.
Nos intervalos, que seria eu a determinar quando fazê-los, vagueava pela casa. Em silêncio.
Lavava e arrumava tudo. Em silêncio.
É certo que imagino um Natal sem pessoas à minha volta como sendo uma ideia aprazível, mas ainda assim é-me impossível deixar de sentir o habitual rodopiar pela cozinha, e ouço também as vozes dos comensais do costume e até os chamamentos e as atenções da cadela.
Mas eu ia gostar de passar um Natal sozinha, para saber como é.
Ah, é verdade, e a árvore de Natal, fá-la-ia? Hum, creio que sim, no entanto, caso a solidão se estendesse por mais anos, tenho a certeza que deixava rapidamente esse costume...

E pronto

E pronto, lá fiz o bolo mármore, como já tinha publicado no sábado, e hoje é dia para publicar a imagem que tinha digitalizado do pacote de açúcar e transcrever a receita. E traduzi-la, claro.

Bata muito bem 300 gramas de açúcar fino com 125 gramas de manteiga amolecida.
Acrescente 3 ovos batidos e mexa bem. Misture 2 decilitros de leite (usei natas, sei lá, apeteceu-me), 1 colher de chá de canela e 1 pitada de sal, batendo sempre.
Seguidamente acrescente pouco a pouco 250 gramas de farinha e 1 colher de chá de fermento (peneirei a canela e o sal, que afinal só acrescentei neste passo, a farinha e o fermento, quanto a mim fica melhor).
Coloque 2/3 da massa noutro recipiente e junte 75 gramas de chocolate em pó.
Deite as massas alternadamente na forma untada de manteiga (também polvilhei a forma com farinha, considero mais eficiente no que toca a não deixar o bolo pegar).
Leve ao forno médio durante 35 minutos (o meu esteve no forno uns 45 minutos, tenho o costume de colocar os bolos a cozer na prateleira do meio, o que aumenta o tempo ao lume mas os deixa mais fofos).

E pronto

E pronto, o feriado passou-se, pus umas coisas em dia, roupas e pós da casa e tal, dei um passeio enorme com a cadela, tirei montes e montes de fotos à cidade, como de resto se vê mais abaixo neste mesmo blogue.
E pronto, hoje há trabalho, acabou a conversa.

Bom dia!

Tenho umas certas saudades disto, escrever e coiso, vai daí achei por bem iniciar a escrita de hoje com uma foto da minha bolsinha nova – é fashion, tem mochos e tem chaves lá dentro. Tem inclusive (só um pouquinho mais de paciência, por favor, que ainda quero dizer uma coisita) um pequeno fecho por fora que é onde guardo as chaves do estaminé. Dá-me jeito, assim sei onde estão, não ando às apalpadelas, o molho de chaves do estaminé, incrivelmente, é o que mais uso.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014