Ó Luís, só mesmo eu para me lembrar destas coisas e só mesmo tu para teres paciência para elas. Ah ah.
Gina, a mulher que tem um blogue
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Trapadas
No tempo em que tive um blogue mais ou menos assim como que coiso e mais não sei o quê, fiz um post a falar das roupinhas em diferentes anos, centrando-me somente nas de verão. Agora, passado este tempo, dois anos, falta registar a farpela de dois mil e catorze e a de dois mil e quinze.
Dois mil e catorze
Blusa de renda cor de pêssego, de quando os pêssegos são claros e rosados, sendo portanto uma cor indefinida, e saia de um rosa avermelhado, e já somei mais uma cor indefinida. Mas lá que ficava tudo em família, ficava, digo as cores, e digo ficava, no passado, porque estraguei a saia quando a pus na máquina num programa com temperatura alta demais e pumba, coiso. Resta a blusa. É linda. Ainda não a vesti este ano.
Dois mil e quinze
Do ano corrente parece que a farpela favorita é uma saia de pintinhas tão minúsculas que mais parece uma só cor. Hum, agora que penso nisso noto que afinal é mais ou menos a mesma cor que a saia da farpela anterior. Essa saia fica maravilhosamente com uma camisola bórdô que tem um decote decorado a contas. Ora acontece algo aborrecido com essa camisola: as contas são pesadas, o que faz com que o movimento desloque o decote para baixo. Ora acontece – sim, estou a repetir o início da frase anterior, é propositado – que assim sendo mostro as mamas muito mais do que quero. Ora acontece – pois, gosto tanto disto – que tive uma ideia estupenda: coser duas fitinhas nos ombros para quando vestir a camisola as entalar por baixo da alça do sutiã, vai daí o decote não desce e eu mostro as mamas até onde quero.
Hoje é sexta-feira
Hoje é sexta-feira mas, contrariamente ao costume das últimas semanas, não há vídeos. Numa parte decidi isso ontem; noutra parte decidi isso hoje.
Ontem soltou-se-me a veia escrevedora e pude sentir novamente o enorme prazer que tenho em escrever, por isso pensei 'olha, vou mas é deixar de falar'.
Hoje notei que a bateria da máquina está no fim, seria portanto difícil aguentar um dia inteiro de oralidade, por isso pensei 'olha, vou mas é deixar os relatos para a semana'. Quiçá, então, coiso, depois, vá.
Entretanto
Entretanto já recebi a esperada mensagem do supermercado: este fim-de-semana terei 50% de desconto em todos os produtos para o cabelo e 25% de desconto em todos os iogurtes e todas as massas secas. Posso portanto lavar, tratar e pintar os cabelos a metade do preço e comer massas a três quartos do preço. Bem-haja, 'migos. Amanhã lá estarei, sim?
A tal
A tal lâmpada made in USA tem um agá de caligrafia infantil, daquela do primeiro ano, de quando os meninos são ensinados a escrever e coiso.
Visita
Mais logo visitarei a Carminho para fazer o tratamento/embelezamento aos pés. Obviamente ela vai-me pintar as unhas dos pés mas já não é tão óbvio que se ofereça para me retocar o verniz das mãos. Caso não o faça, lamentarei copiosamente. Caso o faça, registarei fotograficamente.
Olá. Já visitei a Carminho. Pois que não se ofereceu para aumentar o bom estado das minhas mãos, em calhando não se lhe chegou ao sentido tal ideia, tampouco eu tive coragem de lhe falar nisso, portanto há fotos do antes mas não do depois. Quero dizer: o depois, neste caso, é igual ao antes, portanto aquela coisa do antes&depois não cabe no blogue.
Lá fui eu
Fui.
Ao.
Cabeleireiro.
Pena a massagem no escalpe não se estender aos ombros, Miguel, isso é que era. Mas a culpa foi minha, faltou-me astúcia, logo ao início perguntou o que íamos fazer e eu respondi-lhe que fazíamos o que quisesse. Oh.
Há foto somente do antes, o depois chega daqui a dias.
Cliente
Compreendo a sua indignação mas não posso fazer nada. Disse eu. A uma cliente. Daí o título. É que eu também fiquei indignada com a indignação dela, não por contágio, compaixão, diplomacia, não, antes arranjei uma indignação diferente para mim.
Toque
O meu telemóvel soou. É uma mensagem. Hoje é sexta-feira, portanto deve ser do supermercado, anunciando as promoções de fim-de-semana. Vou lá ver e já cá venho. Depois anuncio eu, mas no blogue.
Não era do supermercado. Oh. Era de um outro remetente, desinteressante para pôr no blogue. Entretanto estive a apagar todas as mensagens recebidas, fui até dezembro passado. Curioso, era Natal. Todas as mensagens provinham de remetentes desinteressantes para pôr no blogue e do supermercado, aparentemente há montes de desconhecidos que se lembram de mim.
Logo de manhã
Logo de manhã tirei uma foto. Falar sobre ela é que é pior. Ou difícil. É uma palmilha retorcida, deixada em cima do caixote de lixo, ao lado direito há um arbusto recortado, uma vez que o motivo era a palmilha alheia e a lente não o apanhou inteiro, há uma parede cor-de-rosa. Tanto a tampa do caixote como a parede estão também recortados. E pronto, já falei da minha foto.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
No plano abstrato
Às vezes há pensamentos que se têm
(convém colocar a prosa num plano abstrato, não são pensamentos meus, são pensamentos que se têm)
os quais conseguindo
(olha aí, é melhor ires buscar o plano que plana em nenhures)
apartar da culpa... São um deleite. Sério, vá, experimente-se pousar o sentido num feito carnal, impregnado de culpa, mas retire-se-lha. Encontrar-se-á o mais excelso prazer.
Lugar da musa
De tarde o homem vai escrever no blogue que uma mulher se sentou sem cruzar as pernas, leu duas páginas de um livro que retirou da mala e rabiscou as ideias em papeis bonitos, intervaladamente, numa pressa desmedida. Dir-se-ia que tinha medo que lhe fugissem. As ideias. Digo eu. Já o livro mantém a mesma história dentro de si, não é. É. Não é nada. Cada leitor faz uma história com o que lê.
Lugar da musa
O café agora é ruim, aquele moço não sabe tirar cafés, não que hoje estivesse intragável mas estava custosamente bebível. Não fui capaz de reclamar, não por conta de ruir a autoestima do moço mas porque a minha é uma merda.
Lugar da musa
A senhora do banco lá estava, contando à colega as suas aventuras de férias. Fala com tsses e dsses, esta senhora. Eu exemplifico: «estssavam lá a vendsser vestssidssos em croché; vendssiam tssambém fios feitssos com sementsses de melancia» Grande mulher, esta senhora do banco, escrever assim já é difícil, imagine-se pronunciar.
Lugar da musa
O moço do penteado esquisito... Era assim que eu lhe chamava?! Adiante. Nunca teve um penteado tão vulgar como agora.
Árvores
A árvore arredondada pousa alguns ramos em cima do muro, só hoje notei. Hão-de pensar que esqueci a árvore amarela, que tenho outro amor ou isso assim. Mas não. É que a árvore amarela estacou. Visualmente, claro. Em passando sessenta dias amarelece tenuemente, é então que torno a dar-lhe atenção e o cognome se torna verosímel.
Chovia
Chovia, à hora do intervalo grande. Não pude sentar-me no banco de jardim nem no muro de pedra nem no banco hater. Poder, podia, tudo bem, olarila, mas não seria um sentar gostoso. Então andei por ali, à chuva, molhando braços, peito e pernas. E cabelo. Molhei nada, que é lá isso, aquilo era chuva esparsa. Ademais é verão, secava num instante. A chuva molhava levemente, a brisa resultante do meu andar secava-a rapidamente.
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