Gina, a mulher que tem um blogue

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Post do passado

Ali por alturas do Natal passado tinha idealizado que havia de fazer um post a divulgar que leio há quarenta anos. Entretanto não tive tempo para o escrever durante a época natalícia e depois disso tenho vindo a esquecer-me. Escrevo hoje.

Há exatamente quarenta anos que sei ler. Entrei para a escola em outubro de '74 e aí por alturas do Natal do mesmo ano já me safava com as letras que compunham palavras simples e de poucas sílabas. Lembro-me da primeira palavra que li fora do livro da primeira classe, o que ocorreu dentro da minha casa, mais em concreto na cozinha. Eu almoçava (ou lanchava ou jantava, não sei muito bem) sentada à mesa e olhando atentamente para o saleiro que a minha mãe tinha pregado na parede junto à chaminé, o qual tinha umas letras enormes lá escritas, disparo:
SAL!
Fiquei extasiada com o meu feito. A minha mãe ficou extasiada com o meu feito. O meu pai ficou extasiado com o meu feito. O meu irmão ficou extasiado com o meu feito. As vizinhas, os vizinhos, o merceeiro e a mulher ficaram extasiados com o meu feito. Naquele Natal de '74 houve uma felicidade imensa pelas ruas do Pinheiro de Loures, as pessoas cumprimentavam-me efusivamente, mimavam-me dando-me sugus e bombons, idolatrando a criança mais inteligente do pedacinho saloio que é a minha terra.
Agora a sério: nunca esquecerei a sensação boa que foi ler espontaneamente. Eu consigo fazer sozinha. O meu primeiro e consciente 'eu consigo fazer sozinha'.

Contando sombras: são cinquenta

50 Sombras de Grey, é do que vou falar outra vez, mas pouco. É que este filme e principalmente o tanto que se fala nele, já conseguiu fazer-me fixar, finalmente, o que significa a palavrita 'bondage'. Bondage mete chicote, coleira de picos, venda de olhos, algemas, aperto da chicha mamária e palmadas no cu. Preliminares de um sexo violento, em suma. Portanto exclui-se completamente o beijo de língua e as festinhas no pelo. Uma chatice.

A canção do Grey, homem para montes de tons cinza

Há uma canção que dá a toda a hora na Radio.
«A minha cabeça rodopia, já não vejo bem... Que esperas?!»

Eu agora

Eu agora venho só dizer que dá um jeito do caraças fazer uma careta no verso 'this girl is on fire' da Alicia Keys. Não coloco o vídeo da dita canção porque é canção para me aborrecer um bocadinho. Pronto, não é bem não gostar, é um sentir assim como que estar mais feliz se não tiver de ouvir esse tema musical.

Eu agora

Eu agora queria saber que raio aconteceu ao Tiago Bettencourt depois de ter criado a bela canção 'A Carta'. É que depois disso o homem deixou de saber cantar, porra pá, mas que grande seca é ouvi-lo a gemer notas musicais.

Esqueci-me

Devido aos quadrados do casaco da dona Alda (ver post anterior) lembrei-me que me esqueci de pôr os milímetros no post dos papelinhos. Era milímetros, ok, a medida de que falo. Cento e quarenta e oito por oitenta e sete, milímetros.

Quadrados

Dona Alda passeia um casaco de grandes quadrados, uns amarelos, outros pretos, outros ainda com as duas cores misturadas. É claramente um casaco que tem passeado com ela desde os já um niquinho distantes anos '80.

Cliente

You speek english? (simpático)
A little... (apreensiva)
Oh, but you look like you speek english very well! (lisonjeador)

|Este cliente libertou-me de todo o cansaço do cliente do post anterior...|

Cliente

O senhor quer uma coisa muito simples: tinta preta fosca. Coloco uma latinha de tinta preta e fosca em cima do balcão. Mas ele não quer o que tem à frente, quer uma tinta preta fosca. À frente dele está uma lata de tinta preta fosca, essa é a verdade, sendo que outra verdade existe: a dita está também à minha frente, estando portanto no meio de nós dois. Só que não é aquilo que o senhor quer, o senhor quer tinta preta fosca. À frente dele,à minha frente, no meio de nós está... Estou cansada.

Cliente

Ah, tá cá só a senhora... Vamos lá a ver se a gente, hum... Tem cá daquelas coisas prás portas, prá gente pôr assim...? (gesto longo e/mas conclusivo)

|Este cliente queria anilhas para enfiar no fiel da dobradiça por modo a elevar a porta, as quais são vulgarmente usadas em caso de a porta estar a roçar o chão. Mas não venha cá ninguém ao estaminé, está bem, que eu não percebo porra nenhuma disto, ok. Grata.|

Um dia

Um dia tenho de fazer churros. A foto abaixo foi tirada à minha televisão, aquando do aparecimento dos ingredientes para os fazer. O programa é o 'Prato do Dia', apresentado por Filipa Gomes, aquela gaja que cozinha buéd.a boa, e o canal é o 24 Kitchen. E tem dias de tirada, esta foto, que entretanto tinha-me esquecido de a publicar.

Intruso

Digo intruso, começo por aí, mas não é realmente um intruso, afinal de contas isto é um estaminé, um lugar público, contanto as pessoas se mantenham do lado de fora do balcão jamais serão intrusas. Adiante. O moço pediu-me uma caneta. Uma caneta para levar. Levar para trabalhar. Trabalhar para ele inclui usar uma caneta. A caneta ser-me-á devolvida às vinte e uma e tal, se eu cá estiver. Estar, não estou, 'migo, a essa hora não, mas então leve lá uma caneta, pronto, fica para si.
É cada cena, pá... Qualquer dia escrevo um livro.

Bom dia!

Azuis do estaminé.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

fixações
recorrências

novamente

placar das horas e graus
placar das horas e graus
placar das horas e graus
lugar da musa
lugar da musa
lugar da musa
árvore amarela
árvore amarela
árvore amarela
oitava árvore
oitava árvore
oitava árvore
mola dependurada
mola dependurada
mola dependurada
banco de jardim
banco de jardim
banco de jardim
banco de pedra
banco de pedra
banco de pedra
muro de pedra
muro de pedra
muro de pedra
planta à janela
planta à janela
planta à janela
placar das horas e graus
placar das horas e graus
placar das horas e graus
lugar da musa
lugar da musa
lugar da musa
árvore amarela
árvore amarela
árvore amarela
oitava árvore
oitava árvore
oitava árvore
mola dependurada
mola dependurada
mola dependurada
banco de jardim
banco de jardim
banco de jardim
banco de pedra
banco de pedra
banco de pedra
muro de pedra
muro de pedra
muro de pedra
planta à janela
planta à janela
planta à janela
placar das horas e graus
placar das horas e graus
placar das horas e graus
lugar da musa
lugar da musa
lugar da musa
árvore amarela
árvore amarela
árvore amarela
oitava árvore
oitava árvore
oitava árvore
mola dependurada
mola dependurada
mola dependurada
banco de jardim
banco de jardim
banco de jardim
banco de pedra
banco de pedra
banco de pedra
muro de pedra
muro de pedra
muro de pedra
planta à janela
planta à janela
planta à janela

ganda poema

by the power of my heart
you sould be a star
a lover
a dream

verbo ir

vai lá à tua vida
que eu vou à minha vida
vamos lá à vida
cada um à sua, portanto eles à sua
vós ides também
e ele, já agora, e mesmo que sozinho, porque não

|a ordem foi baralhada:
tu; eu; nós; eles; vós; ele|

A loja

Anúncio na montra a dizer que ali há roupinhas para senhoras dos tamanhos 38 ao 54. Até ao 54 temos número, abaixo do 38 é que não. Tenho para mim que este anúncio é um apelo às gordas e um repelente de magras. Mas isto sou eu que não percebo nada.

As árvores e os candeeiros

O senhor arquiteto mais o mestre de obras mandaram fazer a coisa assim e o pessoal do trabalho pesado fez tudo conforme.
13 árvores; 2 filas de 13 árvores; 13X2=26; 26 árvores; 6 candeeiros intercalados.
Ou seja: não estão na mesma linha que as árvores. É favor aperceber-se e ao depois escrutinar a imagem ao lado. Agora já só falta eu levar a fita métrica para me certificar que os candeeiros estão posicionados sem desvios de maior. É que assim de repente parece que sim, não há disparidade, tudo certinho e não sei quê, mas devo dizer que sou das letras, portanto: coiso.
Fiz um desenho giro, giro, giro. É favor olhar novamente, por ora olhar é suficiente. Não está bem feito, qual quê, não me esmerei o suficiente, jamais conseguiria, além de não ser uma pessoa dos números também não sou do traço. Só uma coisa me faz ainda confusão, se bem que me encontre mui crente no trabalho dos ilustres do compasso e da ralé da picareta, é que se as árvores são 2x13 e os candeeiros 6 como raio é que a coisa fica tão bem dividida ao meio? Hum.

Banco de jardim

Este banco é tão dado a despojos, já por cá vi as mais diversas coisas. Não sei se por ser um banco diferente, que assenta num sítio diferente, quero eu dizer, o empedrado está incompleto por baixo dele, faz assim como que uma poça de terra, será por isso, sei lá eu. Adiante. Hoje está aqui um assento de sofá, em bombazina castanha, com um botão pregado ao meio, a fazer lembrar o umbigo de uma barriga gorda, e não estando assim lá muito puído, tem no entanto pontos manuais mal-amanhados, feitos à pressa e sem arte.

Lugar da musa

Não há pau de canela para mexer o café e o aromatizar. Que desfalque na minha vida. Oh céus.