Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O amor é lindo!

Um pai desabafou ' o amor é lindo!' quando o filho de 10 anos se mantinha na peugada de uma menina em idade da menarca.
Fiquei a pensar se lhes dará o cheiro assim tão novinhos, tão pueris ainda, mas que raio têm os machos com as fêmeas ainda tão jovens?! Não saberei nunca...

O cliente

Quis mostrar-lhe a diferença de valor em termos de qualidade versus preço entre dois artigos e ele diz-me que não quer saber, já que eu não lhe vou oferecer... Respondo-lhe com uma perguntinha, fingindo grande surpresa:

O senhor quando entrou aqui vinha a pensar que eu lhe ia oferecer alguma coisa?

Olá!

«É a sua vez?»

Escrito mesmo abaixo da maquineta que dita números. Que modernice! Ao estilo boas-vindas e tal... A tentar fazer a espera o mais leve possível, já que breve... Pois!

«Olá, eu sou o Nuno!»;
«Olá, eu sou a Diana!»

No peito dos funcionários, uma ideia escarrapachada, por assim dizer. Eu cá nem me imagino com um broche daqueles espetado no peito. Havia de ser lindo, eu de broche... Oh céus!

Albernoa, 5 de agosto de 2012


Os ricos filhos têm um gosto especial em visitar o cemitério. Ficou-lhes de há muito tempo atrás, eram ainda crianças, num longínquo dia em que o rico filho perdeu lá dentro um boneco que era um fantasma e a rica filha descobriu montes e montes de lápides recordando pessoas com os meus dois apelidos, sendo que um desses é também o deles, claro, bem como os outros apelidos dos meus pais que não constam no meu nome. Saem à mãe, gostam de genealogia.


A linda, maravilhosa e espetacular luz alentejana no pino do verão, na hora de maior calma.


Em casa da minha mãe sempre houve e sempre há-de haver uma embalagem do lendário creme Nivea.

Centro comercial

A senhora não pode estar aí sentada!
Não posso estar aqui sentada?! Ora essa!
Não pode, não seja assim... Tem de se virar para este lado, o da frente. O centro comercial proíbe o usufruto desta vista.
O quê?!
Sim, os nossos superiores dizem que a paisagem fica gasta e depois mata os olhos dos usuários. Faz mal à saúde, sabe?
Ah, muito me conta, vou já virar-me para si. Quero dizer, a seguir ao clique.


Loures, 4 de agosto de 2012

Quimera

Terminei de ler o livro 'Quando Marinela Salero Cortez decidiu imitar Dom Juan', Maria da Conceição Carrilho. Agradou-me lê-lo, é um livro com uma jovem bibliomaníaca que passa a vida de roda dos livros e escrevendo considerações da vida. Uma jovem solitária, portanto. De repente como que acorda para uma vida intensamente sexual, com o intuito de imitar a figura do Dom Juan mas ao jeito feminino. Agora lá se consegue ser feliz e realizada debaixo de tamanhos intentos ou então não... Quem ler o livro saberá.

«9 de maio de 2000

Ontem, segui-a. Ainda não tinha posto o pé na rua e toda ela era explosão amorosa. Concentrada, claro, dominada, mas um vulcão. Entrou na biblioteca, pois a minha bela é, como eu, uma leitora inveterada. Fiquei radiante, pois não existe local mais apropriado para uma aproximação. A pretexto de um livro, quantos passos não podemos tentar, quantos assuntos não podemos abordar! Esperava que se sentasse, que tivesse um livro nas mãos para dar início à aventura promissora. Mas a minha presa não dava qualquer sinal de se dispor a sentar e continuava a percorrer, com um passo calmo, as filas de estantes. Deteve-se mais demoradamente a olhar um livro que folheou com ar atento, para logo retomar o passeio calmo. Neste deambular passou um tempo que me pareceu longuíssimo. A certa altura, com outro livro nas mãos, notei que os seus olhos o percorriam de forma estranhamente distraída e, percebendo que não se iria talvez nunca sentar e já preparado para uma desesperada tentativa de aproximação, reparei numas trocas de olhares significativas com um homem. Depois, algo se passou que não cheguei a perceber e um enigmático sorriso dela precipitou tudo. E eis que a vi sair acompanhada.»

Página138, 139

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A faminta

Milena tinha fome e entrou numa pastelaria duma avenida lisboeta, aquela que tem três A's. Não gostou particularmente de nenhum dos bolos ou salgados à vista. Fez uma cara descontente, apresentou-se séria. Com os olhos baços de cansaço apela ao funcionário:
– Hum, ora bem, tenho fome. Acha que estou no lugar certo?
Ele sorri pela metade, balbuciando um sim praticamente inaudível, fingindo amabilidades. Faz-lhe saber dos croissants, que ainda estão no ponto, deseja um... Milena aponta para um pão de deus, é pequeno e tem boa cor.
– Será que já está seco? A esta hora, com este calor...
– Manda-se amornar.
Diz ele, ainda não refeito com a estranha forma de comunicar desta senhora, tão depressa se mostra intransigente como compreensiva. Talvez necessite de atenção, pensa ele, há tanta solidão neste mundo... Ou se calhar é uma puta sem norte com vontade de chatear os cornos à malta.
Milena pede também uma água natural.
- Água natural, por favor, não água fresca. - Frisa. E senta-se à espera. O pedido é aviado e o homem ordena a uma outra funcionária:
– Dê este pão e esta água àquela senhora, se faz favor.
Milena é servida por uma mulher com ar de cozinheira, tem uma touca encardida e um avental nodoso, e apresenta-se séria e muda. Pousa o pedido em cima da mesa e ao afastar-se comenta com o colega acerca das camionetas que ainda não passaram.
(Ainda não passaram, ainda não passaram, ainda não passaram.)
Há um grande frenesim em volta desta passagem, o que espicaça a curiosidade de Milena que se põe a escutar, sem medos, a conversa dos dois. Ali ninguém a conhece, pode fazer figura de maluca à vontadinha. Ainda que esteja com a atenção toda virada para eles não consegue perceber nada que valha o tempo despendido. É então que se lembra do bloquinho rudimentar, escreveria outras casualidades, pouco importa o que escrever, tem de escrever e pronto.
Depois da primeira dentada a fome foi embora, Milena come sem prazer. Escrevia e ia comendo. Migalhas de pão de deus (que afinal estava) seco caíam-lhe no colo, ao afastá-las fez um risco de esferográfica na saia o que a incomodou um bocadinho. Mas cedo lhe passou o incómodo, chegaram clientes. O homem que lhe havia amornado o pão de deus agora mostra toda a simpatia do mundo:
– É o costume ou vai-me surpreender, senhor doutor?
Este senhor doutor está de costas, Milena não consegue ouvir o que ele diz. Só ouve o simpático-mor com perguntinhas de um humor requentado:
- Tem a certeza?
- Está decidido?
Ali pelo meio da troca de galhardetes Milena ouve algo como 'subjacente', e a simpatia-supra vai debitando mais palavras, todas terminando em 'ente' para parecer culto e entendido, sempre com uma voz baixa e monocórdica. Chega outro cliente, este é pequeno e forte e o simpático-da-cunha solta mais um chorrilho de vocábulos muito 'entes'.
Milena aborreceu-se, pagou e bazou. Já não havia fome sequer. Saiu à rua, o ar fresco do entardecer foi retemperador… Ah, como Lisboa é linda!

Nova historinha

Disse algures na blogosfera que não ia sequer tentar fazer parte da nova coletânea mas houve um dia desses aí que me deu um repente e escrevi um texto tentando fazê-lo horrível, uma vez que o tema lançado pela editora é 'Histórias horríveis ou impossíveis'.
Não sei se consegui, a bem da verdade acho que não consegui, produzi o texto um tanto ou quanto à pressa, está mal-amanhado, pouco extenso, apenas roçando o medo.
Para ser sincera acho que não vai ser escolhido para integrar a coletânea e para ser mais sincera ainda, agradeço que não seja, pois se assim for, vou ter de arranjar coragem para pedir o favor de o poder alterar. Para melhor, claro.

Una bella donna

Uma mulher sente-se piú bella quando um marmanjo para o carro numa passadeira quando ela ainda vem bem longe, numa atitude cavalheiresca ou outra coisa qualquer, pouco importa agora, o que interessa muito é que… Blás.

Indumentárias

Lisboa, 2 de agosto de 2012

Lisboa, 3 de agosto de 2012


Podia fazer deste blogue um desses blogues fashion e o caraças, em que as suas autoras (os ditos blogues são predominantemente femininos) porque eu posso fazer deste blogue o que quiser.
Apeteceu-me apresentar indumentárias e dizer que fui eu que fiz. As roupas, não os acessórios.

Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz. Fui eu que fiz.


Olívia, a cadela

Ontem a Olívia veio até aqui ao estamine. Conheceu o local, algumas pessoas e foi comigo lá abaixo à cave. Deixei-a andar no pátio à vontade para ela conhecer bem o local tão opressor quanto libertador, depende dos dias, vá. Poderia chamar àquele sítio o ‘lugar bucólico’, muito embora o batismo não seja meu, mas já que acho que se coaduna com as vistas, pois sim senhores, seja ‘lugar bucólico’.
Apresentei a Olívia a algumas pessoas diretamente, sem receios, a outras não disse nada. A vida já me ensinou que as pessoas reagem às mais diversas circunstâncias e de acordo com o seu feitio, talvez dependa do momento mas em princípio se determinada pessoa se dista dos seres humanos também o fará em relação aos animais. Posto isto... Coiso.

Olívia, a cadela

A rica filha diz que o que mais a atrai em ter um cão é que quando todos parecem odiar-nos ou não nos ligar importância, naqueles momentos terríveis que todos nós temos de suportar numa ou noutra circunstância, eis que um cão não nos larga, cheio de devoção, sem qualquer condição ou restringimento, independentemente de tudo.

Tem toda a razão, a rica filha.

Olívia, a cadela

Loures, 29 de julho de 2012


A Olívia está connosco há 13 dias, mais coisa menos coisa. Eu, que por diversas razões estava reticente em relação a ter um animal doméstico, estou felicíssima com a experiência. Existem pequenos nadas que agora importam muito, como por exemplo recordar cenas do Tobi, o meu cão de infância, cenas há muito esquecidas.

• O Tobi era um cão do antigamente, não havia rações especiais para ele, comia o que sobrava da nossa mesa. No fim da refeição, eu ou a minha mãe, deslocávamo-nos até ao lugar onde estava o tosco recipiente do cão e o chamamento consistia em bater com o nosso garfo no nosso prato, aquele raspar era suficiente para ver aparecer imediatamente um Tobi faminto.

• Também recordei as travessuras que lhe fazia. Às vezes fazia-lhe penteados com as orelhas, unindo-as para fazer um rabo de cavalo, o que era praticamente impossível, claro, ou mexer-lhe no rabo felpudo, o que ele detestava. Raramente se aborrecia comigo.

• Gostava de lhe testar os reflexos caninos, em vez de o chamar alto e bom som: 'Tobi', não senhores, gostava de dizer muito rápido em voz baixo: 'Bi'. E ele, de audição apuradíssima respondia com a mesma rapidez.

Cheiros

Perguntou-me se faço o reconhecimento dos locais através dos cheiros, se quando chego ali ou acolá me apercebo do odor e o retenho na memória.

Não sou muito de reparar nos cheiros, nem os sei descrever. Não sei o que é preciso para tal, talvez uma certa poesia. Se eu tivesse essa poesia, quando abrisse a janela logo depois de acordar descreveria o cheiro da manhã, o qual considero um dos cheiros mais emblemáticos da minha vida.
Mas não sei descrevê-lo... Não sei a que cheira o ar das minhas manhãs.

«Que posso eu dizer se tu disseste adeus?»

(Se eu disse adeus tu podias dizer o quanto sentes a minha falta para eu me derreter todinha com tamanha amabilidade... )

A questão que consta no título deste post foi o último comentário que recebi no meu antigo blogue. Apenas e só uma perguntinha. Ainda me lembrei: 'ah, vou-lhe dizer do novo blogue' mas logo desisti da ideia, afinal a pessoa apenas se mostrou atónita e não triste ou faltosa, e eu não tenho a intenção de mendigar comentários. Aliás, nunca tive essa intenção.
Quando acabei com o dito blogue, um dos prazeres seria a eventualidade de me certificar até que ponto cativo os leitores, bem como 'descobrir' algum leitor que nunca se tivesse manifestado e que, vendo o meu adeus perentório e definitivo, deixasse um comentário cheio de coisas boas a respeito da minha escrita e o quanto sentiria a minha falta. Até agora tal não aconteceu, provando o que sempre suspeitei: o meu blogue tem quatro leitores, sendo que um deles sou eu, e ainda por cima sou a mais assídua.
Não fico triste por ter poucos leitores, ou talvez fique um bocadinho, vá, eu fico triste por esse facto ser um reflexo da minha vida e do meu quotidiano, sei de sobeja não ter grande paciência para estar com pessoas, tenho o costume de enxotar toda a gente. Se eu fundasse uma religião qualquer é garantido que ninguém iria atrás de mim.

A folha

«Não te fies em coincidências. Cada dia que passa me convenço mais de que a maior parte dos acontecimentos está escrito na folha.
Escrito na folha? E por quem?
Esse é o problema, os autores podem ser vários, ou só um, neste ponto não há regras definidas. o que sei é que a nossa mão não escreve sozinha... Aliás, a maior parte das vezes não escreve coisa nenhuma.
Será?»

'Quando Marinela Salero Cortez decidiu imitar Dom Juan', Maria da Conceição Carrilho

(página 120)

A ver se...

Para o ano a ver se uso essencialmente decotes baixos logo ao início do sol escaldante para depois não ficar estranha. É que agora quando uso um decote profundo tenho as marcas altas. Uma chatice... E depois como vai ser na praia?! Oh céus!

Acordo

Manuscrever com vista sobre as novas regras ortográficas, nomeadamente aquela regra que dita caírem as consoantes mudas, deixou-me saber quão mais difícil é acordar com o acordo no que toca a escrever à mão. Eu não escrevo as consoantes que foram eliminadas mas deixo lá um espacinho, teimosamente... Como se esperasse a volta da letra banida, tenho saudades ou assim.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Saída de um trinta e um

O julho terminou. É um mês com que tenho um envolvimento diferente, provavelmente por ser o mês em que nasci.

Hoje é dia 1 de agosto. De manhã dizia a locutora que o dia primeiro deste mês é o primeiro dia de inverno. A ver vamos. Agora está um calor que não se pode, qual inverno, qual quê.

Há vários dias que pouco escrevo e nada tenho publicado. Precisava desta brecha, eu bem dizia noutro dia que estava cansada da ansiedade – tão suprema que roça a agonia - de tudo escrevinhar e partilhar.

Se tenho escrito mais cedo talvez contasse da vez que deitei um vestido no caixote do lixo e da outra vez em que deixei uma pulseira prateada em cima dum caixote de lixo na Praça de Espanha (Lisboa). Não foi por nada de especial, este deitar fora assim tão despeitado, foi porque sim.
Também podia ter contado que na avenida dos Combatentes (Lisboa, pois) há ali pelo meio dos carros um espaço verde onde está plantado um arco lindíssimo, tipo assim l' Arc du Triumph, à Paris. Passa tão despercebido... Não fosse estar apeada e uma vez mais não o teria visto.

Pode ser sim, ou pode ser não. Se for sim, poderá ser sim ou não, de novo. Se for não, idem. Não tem fim, não se sabe nada. É por isso que a realidade me apela tanto. Gosto das coisas concisas, uma de cada vez. Gosto de observar isolamentos, ou partes de vida isoladas das outras partes inerentes. Para que importam as inerências? Desconcentram-me, têm outras inerências, inerentes a si mesmas, formando um emaranhado, horrendo de tão inexplicável. Insondável. Para que interessa a sonda? Não é melhor ser assim como estou a ver e acabou a conversa?

A tristeza é viciante, li eu algures. Acredito que sim, agora estou triste, estou habituada a isso, quando dou por mim estou lá metida, já que é um lugar que conheço de sobeja. Se eu estiver muito alegre, ou mesmo um tudo-nada contente, não terei companhia porque estou ladeada de invejosos. Assim, estou triste e pronto. Afinal conto com a escrita para me acompanhar, é assim há meia dúzia de anos. Prossigo com isto, então.

Palavras que te direi

Num aviso à porta de um antiquário dentre outras coisas estava escrito que se compra quadros de artistas conceituados, com os artistas conceituados sublinhados e com a cor de fundo diferente para realçar ainda mais.
Compreendo o realce, querem enxotar qualquer badameco que tente vender as suas obras, para eles será escória, presumo. Mas está mal, os artistas conceituados estão mortos. Nós, os vivos, não sabemos valorizar-nos mutuamente, esperamos que morram (os vivos, claro) para os homenagearmos ou recordarmos. Está mal.