Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Fotos

Descobri um programa na máquina fotográfica chamado 'pin hole' e agora é isto...

Quem, eu?!

Profissão: empregada dum balcão que faz comércio tradicionalmente, em Lisboa.

De vez em quando sinto necessidade de deixar registado a minha profissão, por modo a 'mostrar' o lugar onde me movo, bem como o lugar que me inspira, que num balcão aparece muita gente, e gente diversa.
É que tendo a escrever só para mim e se de repente chegar a este espaço um leitor interessado no meu escrever, creio que em certas alturas não perceberá patavina do que 'digo'.

...

A ironia está sempre presente, é a maneira de me divertir com isto de escrever.

...

A cliente disse que o sabonete pedra-pomes era delicioso. Tivesse-o ela metido na boca e não manteria essa opinião.

...

'Disso' e 'disse' não ficam nada bem seguidas uma à outra. Eu bem digo que não sei escrever.

...

Queria dizer fechaduras mas antes disso disse ferragens e ferraduras.

Sim à moda juvenil

Artigo em cima do balcão:
– Yap!
Faz ela, com sorrisos infantis numa cara de cinquenta e tais.

Dados desfasados

Lisboa,
praça de Londres,
5 de dezembro de 2013
Ainda
há 1
desfasamento no futuro

15:36; 16º

15:34; 18º
Parece que estou atrasada
mas não estou.

...

Até logo. Quando me vires outra vez eu vou estar doutra cor...

3697

Acerca disto*

«É uma divisão muito maior em comprimento do que em largura, que se estende do pátio da nossa casa (…), localizada numa região de pinheiros, arbustos de azevinho e corniso coreano, por onde os veados, isolados, bem como os enhos, ou ainda pequenos rebanhos, andam sempre a vaguear. À semelhança do resto da casa, também o meu escritório é quase todo envidraçado: a área imediata de trabalho, onde se encontra a minha secretária, recebe uma quantidade imensa de luz durante o dia, graças a sete janelas e uma claraboia.
Todas as mesas de trabalho que tive na minha vida estavam viradas para a janela (…), sempre me lembro de ter passado a maior parte do tempo a olhar pela janela, observando o que existe lá fora, entregue aos devaneios ou deixando-me estar ali, mergulhada em pensamentos. O grosso da chamada vida criativa produz-se sob o signo dessas três atividades que se confundem suavemente numa amálgama perfeita, sem costuras, não muito diferente da consulta do dicionário, como muitas vezes também faço, e assim se passam manhãs inteiras, num beatífico estado de aturdimento liberto de preocupações. É, no meu entender, bizarro que as pessoas pensem que eu sou «prolífica» e que devo utilizar todos os minutos do meu tempo, quando, na verdade, como os que me rodeiam sempre souberam, passo a maior parte do meu tempo a olhar pela janela. (Coisa que de resto recomendo.)»

'A Fé de um Escritor', Joyce Carol Oates

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Afinal...

... Não fui ver a avenida (ver post anterior). Ainda pedi ao meu colega: olha, agarra no carro, sobe a Alameda, mete.-te na Manuel Damaia e vira para a Guerra Junqueiro. Mas ele não quis. Insisti. Mas ele não quis mesmo. No entanto, todavia e não obstante, tenho fotos muito lindas e fofas às quais me apetece chamar de Prata de Natal!

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Luzinhas de Natal nas avenidas, para gáudio dos pobres. Avenida Almirante Reis. Os pinheirinhos emitem luzinhas vermelhas no centro e uma cercadura de pontinhos amarelos muito juntinhos a toda a volta dos ditos.
Daqui a nada vou ver a avenida Guerra Junqueiro, amanhã deixo as impressões luminosas.

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Bicicleta bê de biragem no lugar costumeiro. Estátua idem. A estátua fui vê-la ontem. Ia a pensar: Gina Maria, vais olhar para a estátua e não ver sorriso nenhum, lembra-te que o retrato de pedra é o de alguém em grande sofrimento, portanto não está feliz. Mas passando ao lado, pumba, vá de a estátua me sorrir. Olha, paciência.

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Irrisoriamente, como tem sido hábito:
Estou triste. Posso estar, não é proibido.

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Atualmente impacienta-me escrever à mão, aponto umas coisitas e pronto. O computador conquistou-me, com as suas facilidades: a de apagar e reescrever.

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A igual dá nas vistas. Confesso que queria ser como ela. Se manifesto esse desejo, então ela não é igual. Pois não. Ela é igual em faixa etária e compleição física, quando lhe chamo 'a igual' as semelhanças são essas. Confesso que a invejo. Mas cada um vale por si. Estas pessoas vistosas não têm um momento sossegado, acham-nas capazes de tudo, enquanto de mim se espera o contrário. Então: conquisto algumas pessoas em alguns momentos com feitos algo fantásticos que aparentemente alguma vez seria capaz de fazer.

Lembras-te

Fá-las com uma facilidade extraordinária.

A Questão

Que importa escrever se o desejo íntimo é não estar presente e se é no presente que escrevo?

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ao fim

É noite. Tinha muitas saudades deste escrever, que os fins-de-semana andam azafamados. Tinha muitas saudades e com muitas saudades continuo, só que um tudo-nada menos. Amanhã haverá mais escritos. Pergunto.

Este blogue é um diário ônelaine

… Nada a acrescentar ao título.

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A do diário tem os olhos mais azuis que nunca. Quiçá o sol de verão lhe esbata o brilho.

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Fala e fala e fala. Desde que comecei a contabilizar vai em oito minutos de monólogo. Ali pelo meio desculpa-se e comenta que falar faz bem. Achei um piadão a este comentário.

Infelicidade

Os dias em que preciso forçar-me a escrever são dias do mais infeliz que há.

Debalde

Durante o intervalo carreguei o livro debalde.

Leitura: é melhor não forçar.
Escrita: (geralmente) não é preciso forçar.
Leitura: forçando, desconcentro-me.
Escrita: é concentradora.

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O dos parafusos compra pilhas de rajada. Às paletes.

Sol & Sombra

Sol numa orelha, sombra noutra orelha. Que desfasamento. É melhor virar-me de costas para o semáforo enquanto espero que se ponha verde pra mim.

Dados

Lisboa, praça de Londres; 14:38; 15º

150 passos ou 100 segundos depois...

Lisboa, praça de Londres; 14:35; 17º

Ou seja: no futuro era mais cedo e estava menos frio.

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Lugar da musa. Afinal... Coiso. Ele respondeu ao telefone com um sonoro 'Sim, estou!'.
Estou.
Estou.
Na oralidade.
É professor de Língua Portuguesa. É doutor de Letras.

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Lugar da musa. Burburinho. Não. Não e não. Não retiro nada daqui, hoje.

3675

Voz radiofónica emite as notícias do quiosque num tom impessoal?
Mulher da loja de tecidos está dobrada sobre si fechando a porta à chave?
Monsieur Dupond (ou será Dupont?!) já lá vem de jornal na mão subindo a avenida?

São duas e picos, só pode.

Prémio

O lugar é o mesmo, mas entre as 'Coisas da manhã' e as 'Coisas da tarde', estas são muito mais giras, por isso ficaram em grande plano.

Coisas da tarde

Escondimento

Escondo fotos embaraçosas na pastinha de trabalho, na pastinha de nome tributário. Nada a ver. Pois.

Coisas da manhã

3670

Novo (s) isto e aquilo?!

Sinais a fazer desenhinhos da treta, tipo… ?!

.:|...|:.


Esquece lá isso. Esquece.

Sua beleza

Tenho um sofá novo. Pois tenho. No sábado tirei fotos lá sentada com uma chávena de café e respetivo pires apoiados numa das mãos, enquanto a outra segurava a asa da chávena, toda eu muito direita para não se ver as mazelas do físico e tal. Mesmo assim, com tanto preparo, nenhuma foto me serviu, não se justapondo aos meus intentos e/ou à minha beleza.

«E gosta...? Ah, então, pronto.»

Há duas ou três semanas mudei de penteado. Não é que a minha aparência se tenha transfigurado mas estou diferente. Entretanto ouvi elogios, ouvi espantos e mais não sei o quê. A reação mais gira foi a de uma senhora que comentou como se lê no título deste post. Achei esta a reação mais gira porque foi óbvio que ela não gostou do meu novo visual...

Começo

Começo lê-se coméço, se bem que neste caso também se poderia ler comêço.  
Coméço ou comêço, tanto faz, que estou a começar.  
Começár.