Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

domingo, 16 de junho de 2013

Lembrança

Tenho-me esquecido de mostrar o pessegueiro dos meus pais, um pessegueiro alentejano, com muitos pêssegos por causa da época, a primavera. Tem um ninho bem assente no meio dos finos ramos e um passarinho que lá habita, para com o qual os meus pais têm o maior desvelo, quase não se fala para não o espantar.



Albernoa, 9/10 de junho de 2013

Boa-noite

São quase dez da noite, é  meio de junho, quase verão, portanto, e eu estou de pantufas e a controlar-me para não ir buscar a mantinha.

sábado, 15 de junho de 2013

Abrir a porta

Precisava duma faca que a máquina estava a lavar. Abri a porta antes da lavagem terminar porque tinha pressa e levei com um bafo quente no rosto. Foi fixe para fazer a abertura dos poros. Devia ter lavado a cara logo de seguida. Devia ter lavado a cara logo de seguida. A repetição é propositada. Os poros devem ter aberto, não sei. Os olhos arderam-me. Foi por causa do cáustico. Do detergente. Não é bom, tende cuidado, imitai-me noutras situações.

...


Quero estar ao pé das pessoas. E presente.

...

Sou influenciada pelo que leio e pelo que não leio.

As rejeitadas...

... A quem se dá lugar destacado porque no post anterior não ficavam lá muito bem.



Loures, 15 de junho de 2013

Buquê d' hoje



Loures, 15 de junho de 2013

Biblioteca

Acho que a minha biblioteca tem falta de clássicos, ou de livros que toda a gente leu, ou de autores consagrados. Não tenho o hábito de considerar os livros bons ou maus, os autores bons ou maus. Antes me habituei a ler e achar que gosto muito ou pouco ou então mesmo nada. Não tenho o hábito de comprar o que está na berra, não me parece que esses escritores sejam melhores (ou piores) do que os nomes menores da literatura. Mas acho que falta clássicos à minha biblioteca e foi por isso que comprei dois no dia da visita à Feira do Livro:
‘Retrato do Artista quando Jovem’, James Joyce;
‘Pais e Filhos’, Ivan Turguéniev.  

Loures, 15 de junho de 2015

Os estoicos

Conversar. Há uma pessoa ou outra que faz perdurar o ato uns breves minutos. Estoicamente. É assim com o senhor António, o homem do quiosque da fruta. Em cada sábado pergunta:
‘Então o seu pessoal?’
E ao fim do negócio recomenda:
‘Então dê lá um abraço ao seu pessoal’.

Um grande bem-haja, senhor António. Mesmo a sério.

Sol


Loures, 15 de junho de 2013

Palmilhas&Cuecas, lda



Loures, 15 de junho de 2013

Antes & Depois

Há trinta e tal anos era o canil, agora não sei.



Loures, 15 de junho de 2013

Só mais uma coisita...

E a propósito de limpezas e dos meus seis poemas recentemente publicados*:
Será que a poetisa Florbela Espanca lavava sanitas aos sábados?!
Será que havia sanitas nos anos vinte?!
Será que me devo alegrar porque a maior parte da sua obra foi publicada a título póstumo?!

*...

Antes de mais

Antes de publicar as fotos lindas do passeio desta manhã, quero dizer que chegada desse mesmo passeio, no átrio do prédio, mesmo antes de meter a chave, me cheirou a detergente com lixívia. 'Olá...Queres ver que a vizinha do lado finalmente lavou o chão da gente as duas?!', pensei eu. Mas não. Quando abri a porta de casa percebi que o cheiro vinha do fundo das minhas sanitas, tinha deixado o líquido a atuar antes de sair. E pronto, era isto.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Novidade


Chegaram há pouco os livros da antologia 'Nós Poetas Editamos' onde está publicada meia dúzia de poemas meus. Não estou muito, muito, muito contente porque o contentamento tem esfriado com a corriqueirice e a facilidade em publicar desta maneira. Às vezes penso se não estarei a ser comandada por uma teimosia ágrafa e estúpida mas entretanto descobri uma frase fantástica de Rainer Maria Rilk...

«Sem uma violenta teimosia, ficamos sempre nos arrabaldes da arte.»

… E a coisa ficou melhor. Seja lá como for as minhas criações estão em papel e isso é muito bom. Siga a vida.
Um dos livros já foi desfolhado e penetrado, tendo portanto deixado de ser virgem. Tive inclusivamente oportunidade de observar o leitor lendo, vi-o sorrir e ouvi-o soltar uma pequena gargalhada. 
Quero ainda acrescentar que tenho sempre esta sensação: quando o livro se torna real e palpável a obra já não me pertence, é como seja um filho crescido que segue a sua vida e é preciso e forçoso deixá-lo ir sem interferir.

#

A dona Constança é uma mulher muito assustadiça. Andou na guerra do ultramar, fugindo pelo mato, ouvindo tiroteio, sentindo a eminência da morte, o terror e toda a espécie de aflições que não consigo sequer imaginar como será senti-las. Tanto que deu um pulo enorme e gemeu imenso só porque entrou uma folha seca loja adentro, resultado da brisa d’ hoje. Brinquei com o caso e tal…
- Ó dona Constança então tem medo duma folha tão pequena?
… Não para gozar com o pânico da senhora mas para ajudá-la a não dar importância. No entretanto desta conversa ouviu-se um estrondo enorme porque caiu um objeto cheio de pontas e bicos e que estava suspenso no teto, o fio que o prendia havia-se quebrado e pumba, chão, barulho e quês. A dona Constança pulou outra vez, mas mais, muito mais, arfou e assim, mas ainda mais, muito mais que antes, e eu encolhi-me um bocadinho, coisa pouca. Ela disse…
- Ai Gina, estás a ver? Ainda dizes que não posso assustar-me!
… E eu fiquei embasbacada a olhar para o teto porque tinha saído daquele lugar cinco segundos antes.
Depois dito tudo e para ser positiva: se eu tivesse continuado ali por mais uns momentos e levado com o aglomerado de ferro na tola este post não existia nem este blogue se apresentava assim e este meu aspeto magnífico estaria descomposto.

#

Dona Lurdes tem duas Manuelas no seu núcleo de conhecidos(as): a Manuela costureira e a Manuela vizinha. A Manuela costureira vem à baila para eu não confundir as duas, pois um dedo é posto em riste, como se fosse imprescindível eu notar a diferença. Caso a conversa caia na Manuela vizinha, esta é alcunhada de ‘puta’ e acompanhada de um rol de queixas e maledicências. São realmente muito diferentes, estas Manuelas.

Olá, boa-tarde

Tenho as unhas das mãos da mesma cor que as unhas dos pés e tenho uma mala da mesma cor que as vinte unhas. Que monotonia, 'mono' de um, 'tonia' de tom, se não é faz de conta que sim. Tenho de dar um jeito à minha vida.

A criminosa que escreve

Abri correspondência que não me era dirigida.
Oh céus, sou uma criminosa. Oh glória terrestre, ainda bem que ninguém lê o meu blogue.
Se bem que abrir correspondência doutrem inadvertidamente não seja tão grave como passar um semáforo que se tenha avermelhado dois segundos antes da passagem, ainda assim é um crime.
O outro crime é realmente gravoso, não o posso confessar, é que mesmo sendo uma bloguista solitária pode aparecer aqui alguém... E depois como é?

...

Hoje há dois homens zanzando na rua querendo vender pares de meias tecidas em fios sintéticos que rapidamente cheiram a chulé.

Entradas

Sempre na mesma rua e no espaço de não mais de dez minutos...

Entrei no 22 para ir buscar uma maçã.
Entrei no 24 para pagar uma conta.
Entrei no 26 para beber um café.
Entrei no 28 para trabalhar.

Subtileza

Um homem seduziu-me irresistivelmente. E sendo irresistível, não lhe resisti. E agora comento como a gente vê nos filmes hollywoodescos:
«A frase acima não é nada daquilo que parece.»
Acrescento que contrariamente ao costume de Hollywood não me explicarei e portanto deixo as películas de lado.

(Depois, já o filme havia acabado, ofereci-lhe três pensinhos rápidos. A vida não é uma troca, às vezes apercebo-me disso, dei duas vezes e recebi apenas uma.)

Dias

Ontem foi feriado em Lisboa, não foi feriado em Loures. Trabalho em Lisboa, moro em Loures e por isso tive oportunidade de ver o pulsar da minha cidade num dia de semana. Tirei fotos num local que pulsava brandamente por se estar longe do rebuliço do centro da cidade. Escolhi esta.

Loures, 13 de junho de 2013

77878...

… setenta e sete, oitocentos e setenta e oito;
sete sete, oito sete oito;
sete, sete oito, sete oito;
sete sete oito sete oito;

… sete e sete são catorze noves fora cinco;
cinco e oito são treze noves fora quatro;
quatro e sete são onze noves fora dois;
dois e oito são dez noves fora um;

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Primavera dourada

O sol voltou a aquecer. Vesti-me de amarelo para condizer. Condigo o post com uma foto espigada e amarela, captada em Beja, a capital alentejana.

Beja, 9 de junho de 2013

Por último

– Ó mãe, assina aqui. - Pede o rico filho, estendendo-me um papel com o comunicado de que o aluno não poderá levar o telemóvel para a sala no dia dos exames do 12º ano e a assinatura do encarregado de educação prova o conhecimento do mesmo perante o diretor de turma. Até aí nada de novo, tenho dezasseis anos destas lides, já assinei centenas de recadinhos do género proforma. Mas de repente deu-me um baque:
– É a última vez que assino um papel teu, filho?!
– Provavelmente.
Diz ele com aquele pragmatismo juvenil, tão próprio da sua personalidade. Oh céus, até do benjamim sou cada vez menos responsável…

Dias de um Ginásio

Ontem decerto houve no ginásio uma aula com senhoras, todas dentro da chamada terceira idade, isto a julgar pelo movimento em pleno balneário, era só cotas de cabelo branco e outras coisas aparecidas com a velhice, as quais não vou descrever por respeito à minha mãe, ou isso, sei lá. Pareceu-me que o tamanho das cuecas das mulheres vai aumentando conforme a idade… Calhando serei como elas e daqui a algumas décadas usarei bermudas em vez de cuecas. Lembrei-me e coiso, não sei. Agora não sei nada.

...

A maioria dos meninos do quarto ano (que segundo ouvi na Radio hoje foram a exame) foi melhor em matemática, deixando os conhecimentos de português aquém.
Estou com a minoria, eu sabia que sou uma criança não como muitas; especial e isso... Eu sabia.

Incerteza

A intuição pode ser uma via errónea. (Que aborrecimento, pá...)

Festa rija

Desde a semana passada que a avenida está em festa, atapetada a lilás à entrada de toda e qualquer loja, dando a ideia de fazer notar o comércio tradicional, mais e melhor, a ver se é possível recuperar o brilho de outrora.
O cosmos, ou a sorte, ou lá que é, pouco me importa, fez com que viesse a abrir uma loja de tecidos nessa avenida. Oh glória terreste, tão bom, eu gosto tanto de tecidos e já posso por lá andar a remexer...
Passou um senhor na rua que ao ver o mulherio de roda dos poliésteres e outras fibras, exclama com desdém:
«As mulheres dominam isto tudo, pá!»
Eu cá deu-me uma vontade imensa de responder que «sim 'migo, dominamos, temos uma arma do caraças, poderosíssima, tanto que dominamos inclusive o mundo, não nos dá é lá muito jeito que os homens realmente se apercebam disso».

Ela e Ele

- Lavei o meu corpinho com um gel duche que tem um óleo cheiroso e mais não sei o quê... - Diz a feliz, como quem lança de si as coisas estupendas que acontecem na sua vida e que são verdadeiramente invejáveis.

- Lavei o meu corpinho com algo húmido, acho que era água. - Diz o desdenhoso, como quem vive no mais puro estado de desprendimento.

terça-feira, 11 de junho de 2013

#

Os blogues também se vendem. Nunca comprei nenhum mas tenho pensado em vender o meu. E não seria pioneira, essa é aliás uma ideia já gasta, tanto que o mercado desvalorizou consideravelmente.

Fiscalidade

Diz que os fiscais andam pelo país inteiro visitando os estamines para cuscar quem tem ou quem não tem o programa certificado e essas coisas que é forçoso a gente ter. Eu cá imagino sempre alguém entrando de rompante, cheio de maus modos, com manifesta agilidade e o propósito dum cowboy aguerrido, mas envergando um fatinho e uma gravata condizente, e por junto empunhando uma pistola pronta a disparar. Mas depois a minha imaginação vai buscar uma calma algures, ao fundo ou ao lado de mim, não sei, e eu acalmo o violento homem com a minha conversa toda. Na minha imaginação acontece uma epopeia do caraças. Note bem: na minha imaginação.

O muro do hospital

Derrubaram o muro do hospital e agora já não posso usar a referência 'antes do muro do hospital' ou 'depois do muro do hospital'. Tenho uma vida muito complicada, eu sei.

Lugares alentejanos;
Prosas ligeiras

Os lugares

É Albernoa; é Aljustrel. Lugares amplos e sós, tão ao jeito do Alentejo. Mas vivos.



As ligeirezas

Estive de vista aos meus pais em Albernoa, uma aldeia não muito bonita mas certamente muito típica, quer pelas vistas quer pelos habitantes.

A minha ti Bia é um espetáculo, tem um humor do mais seco e cortante que conheço, quiçá à moda do Alentejo, estive lá em casa e foi um fartote de rir. Além de mim e da minha mãe estavam duas senhoras da sua faixa etária a fazer-lhe companhia. Falaram em tempos idos, do que os maridos haviam levado na arca do enxoval: o mê Chico levou isto, o mê Manel levou aquilo. Falaram em cuecas mijadas, em ceroulas cagadas e em quantas têm que lavar por semana, cujo número não vou revelar. E o humor da minha ti Bia atuando e a gente rindo.

Domingo à noite fomos à feira agrícola de Aljustrel. Encontrei-me com a bloguista Olinda do blogue ‘rabiscos, rascunhos e limitada’, falámos e falámos, de literatura e não só. Vi barraquinhas expondo e vendendo artesanato, queijos, enchidos, vinhos e doçarias. Comprei um queijo curado, mel e postais. Ouvi bandas tocar e outros artistas a solo. Em suma: deambulei mas desta feita acompanhada. Os ricos filhos ainda se divertem connosco, os meus pais idem, a cadela idem.

Segunda-feira rumei de novo a Aljustrel e conforme se pode verificar acima tirei montes e montes de fotografias, muito embora apresente apenas uma pequena parte.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Olá

Loures, 10 de junho de 2013


Regressei a casa há coisa de meia hora depois de ter estado dois dias fora. É sempre bom encontrar a casinha tal como a deixei (sim, já sei como é o contrário, infelizmente). Assim que cheguei tirei uma foto à espécie de jarra que havia preparado no sábado. As flores não estavam tal e qual as havia deixado, murcharam e as cores desvaneceram-se. Então pus o picasa a trabalhar e encapei as florinhas de cores berrantes.
Acerca da viagem: amanhã conto contá-la.