Gina, a mulher que tem um blogue

Gina, a mulher que tem um blogue

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Essência guardada

«Um escritor tem de escrever sobre escrever. Escrever é a madre dos escritores.»

«Eu gosto de escrever sobre escrever.»

Comecei a escrever levada por um motivo especial e único: precisava de desabafar ocasiões e sentimentos contraditórios e ilícitos, a ânsia asfixiava-me, o ardor era imenso, intensamente invulgar, era mister desabafar. Um dia lembrei-me de escrever.
Esta é a parte bela e poética do ato.
Mas o verdadeiro motivo, a parte prática, que mais não é do que a escória do que escrevi anteriormente, a parte física, por assim dizer… É segredo.

Blogosfera

É
(pode ser)
tão
(mísero)
poucochinho,
(afinal...)
um blogue.

Se eu soubesse escrever não o faria num blogue. Por vezes sinto que escrevendo num blogue não sou suficientemente boa e sincera, daí o publicar num blogue, já que é fácil, rápido e não muito caro.
Se eu soubesse escrever não sussurraria apenas o que escrevo, declamaria os meus textos a quem quisesse ouvir, só a esses, não teria tempo para perder com quem não me valorizasse. Ou então até podia ter um blogue mas com a caixa de comentários fechada, é assim que fazem os escritores e jornalistas e essa malta das letras, que tem por boa qualidade aquilo que escreve.

Que tristeza

Estás triste?
Sim.
Porque é que estás triste?
Sou viciada em tristeza, preciso dela para escrever.

Baú

«O meu telemóvel faz-me lembrar algo, alguém ou uma situação em particular. Talvez não devesse escrever nada disto, mas por vezes é tão difícil não quebrar certas regras, é tão difícil não me deixar levar ao sabor daquilo que não devo pensar, é tão difícil controlar alguns pensamentos que tenho. (...)Porque, no fundo, estas coisas sabem mesmo bem.
27/12/07»

O pensamento é do mais livre que há, ninguém lhe poderá jamais aceder. Melhor que esta liberdade só se for um tapete voador, e eu em cima dele, voando, umas vezes em pé de pernas ligeiramente afastadas, sentindo o frescor do vento, outras de cócoras, espreitando para baixo, maravilhando-me com o universo afinal tão pequenino. Por qualquer razão desconhecida materializo a minha liberdade num tapete voador.
Ninguém sabe o que penso, certo? Então vou pensar o pensamento mais horripilante. Posso e quero. Já não tenho vergonha dos pensamentos perversos ou não merecedores de atenção, já não tenho idade para esses embaraços. Pode pensar-se tudo, não tenhas medo, ninguém descobrirá.

Rede

Não fora a rede do Metropolitano e eu não saberia que há uma zona de Lisboa que se chama Quinta das Conchas.

Quinta-feira

Hoje é sexta-feira?
Não.
Então porque é que o metro vai cheio de turistas agarrados a grandes malas de viagem?

Férias, descanso e passeio também ocorrem nos dias mais distantes do fim-de-semana, ó menina.

Pregação surda

Um homem pregava no cimo da escadaria duma igreja. Tinha um ar de alucinado, não de crente, oferecendo uma visão estrambólica ao transeunte. Andava de um lado para o outro, de bíblia na mão, pregando a quem quisesse ouvi-lo mas ninguém parou, aquele arzinho de maluquinho do salvamento cristão não ajudava nada.
Um grupo de raparigas recém-chegadas à adolescência passou por ali, falando e rindo alto, a maioria tinha um cigarro entre os dedos, sem o mínimo jeito para segurar o pequeno cilindro fumegante, notoriamente novatas no ato de cigarrar.
Achei piada à incongruência.

Ai o amor...

O amor sublime, não o verdadeiro, que o amor inverdadeiro não existe, amor é amor.
Mas dizia eu...
O amor sublime é o que não está expectante sobre nenhuma espécie de retorno, o vulgo 'dar sem esperar receber'. É difícil alcançar um estágio assim tão humilde, eu sei. Calhando o adjetivo 'humilde' é pouco mas creio que é necessária uma grande humildade para sentir o amor sublime.
Eu, não sendo romântica, antes uma 'esporadicamente romântica e facilmente curável' é assim que penso. Penso ainda que caso o leitor saiba e conheça este amor que mal expliquei – valha-me o chavão ' o amor não se explica, sente-se' -, há-de sentir-se feliz com esse conhecimento. Essa é a melhor parte.

Almoçar

Almoço: frango assado no forno com arroz de ervilhas e salada mista. Logo tinha que passar lá fora a viscondessa mesmo na altura em que eu segurava um ossinho com a mão e lhe sugava a chicha avidamente.
A viscondessa olhou para mim com cara de má pessoa. Até aí tudo bem, esta senhora nunca oferece ao transeunte uma expressão benevolente. Daí se depreende que não terá ficado ofendida por me ver a comer com as mãos tão sofregamente, a cara dela é a mesma de sempre.

Dez (10)

Tenho dói-dói no pé.
Achei dez euros.
Tenho pingo no nariz.
Achei dez euros.
Tenho sono.
Achei dez euros.
Tenho raiva.
Achei dez euros...

Achei dez euros. Achei dez euros. Achei dez euros. Achei dez euros.

Piada que lembra a qualquer um

2050. Diz que nesse ano ainda tão longínquo Portugal terá menos um milhão e meio de habitantes. Que maravilha, olha só a quantidade de pessoas a menos para me moer a cabeça?
2050. Eu → 82 anos. Hum... Pode ser que sim; pode ser que ainda tenha cabeça para moer, impossível não é.

Parecença

A esotérica aqui do pedaço tem um certo ar de Gabriela. Com a novela 'Gabriela, cravo e canela' sofrendo um remake e passando na tv, é que eu vi a semelhança. Só por dizer que a esotérica não é bonita. Mas pronto, possui aquela cabeleira imensa e farfalhuda, que se levanta à mínima brisa e ainda o ar tropical. E usa um cigarro na mão sempre que a vejo, o que já não combina... E os cabelos são grisalhos... E não é bonita. E... não é formosa. Seja lá como for eu vi a Gabriela presente na postura da esotérica e acabou aqui a conversa.

Post de gaja

- Olha, este ano vai voltar a usar-se a saia-calça, já viste?
Ele faz um esgar de desagrado e grunhe um monossílabo que não sei escrever. Provoquei-o num só fôlego:
– Vou fazer uma saia dessas de cada cor para te atazanar nem vais conseguir tirar os olhos de cima da mim que a gente tem tendência a fixar o olhar naquilo que nos horroriza sabes isso não sabes?

Post de gaja

Pus-me a pensar na quantidade de brincos que comprei este verão. O primeiro pensamento foi que não terei comprado assim tantos, credo, não sou nada gastadora, mas depois de inventariar...

Tenho uns pequeninos amarelos, outros vermelhos a imitar florzinhas.
Tenho uns grandes e amarelos, com uma argola dourada e uma flor por junto, fazem um barulho enorme ali mesmo ao pé dos ouvidos, chego zonza ao fim do dia.
Tenho uns amarelos também mas ainda maiores que os anteriores que como som produzem apenas um tlim-tlim praticamente impercetível.
Tenho uns imitando os gomos duma laranja cortada na horizontal mas em lilás.
Tenho uns cor-de-laranja com laivos dourados cuja forma não se assemelha a coisa nenhuma a não ser que eu puxe muito pela imaginação... Parecem uns corações mal formados, vá.
E acabou. Depois de inventariar... Concluí que ainda são uns quantos.

Está muito quente...

«Com este calor lá em casa é andar de rabinho de cavalo e ganchos nas laterais!»

O que o calor faz às pessoas, credo... Como por exemplo vir à rua comprar duas dúzias de ganchos. Grata fiquei.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A pergunta

Não me perguntem porque escrevo isto ou aquilo, não me peçam para explicar nada do que se lê aqui. Por favor. Não gosto.

Não, ninguém me perguntou nada, eu é que do alto da minha solidão imagino por vezes que alguém se interessa muitíssimo por aquilo que escrevo e esmiuça os meus assuntos. E eu não gostaria que isso acontecesse, olha se eu tivesse de explicar o post anterior...

O furto

Tenho um desses. Roubei-o do estendal da Flávia. Dá cá. Pumba, este é meu. Sinto-me uma criancinha que fez cocó nas cuecas e pode se descoberta daí a nada. Ou seja, já fiz merda. Não, pior, sinto-me uma mulher às direitas que não quer ser direita e roubou; cometeu um delito pequenino e insignificante. Insignificante, porque a menos que alguém descubra o objeto roubado, assim permanecerá → sem significância.

Mesmo assim

Mesmo assim não sabem,
mesmo que eu escreva muito do que acontece na minha vida,
mesmo assim,
não sabem o que acontece na minha cabeça.

O sol quente

'E este solinho quente, não é tão bom?' Perguntou-me ele. Eu fiz um aceno de cabeça como se concordasse, mas pensei 'é muito bom se não tivermos de levar com ele em cima dos cornos...'
Eu adoro ver um mar revolto. Ver. Se andar lá dentro aos rebolões lutando por chegar à margem não lhe acho graça nenhuma... Porque é que com o sol ia ser diferente?!

Números

Afinal há quem consiga ser eloquente com os números, contando histórias com predominação numérica. Pode pensar-se que as palavras são a realeza da prosa... Mas não, eis que os números surgem na boca de alguém que se expressa maravilhosamente bem com contas e números. O auxílio são as palavras, sim, mas numa espécie de assessoras, os números curiosamente estão no trono.

Trunfo

«Ah e tal tu não podes ir ali para o quintal em tronco nu porque já tens mamas e eu posso porque sou homem e coiso»

Foi com este argumento que o meu irmão me tramou, quando eu tinha para aí uns doze anos. Discutíamos, não as diferenças entre sexos, antes a desvantagens de ser mulher, ele sempre na minha peugada, claro, que eu cá, a bem da verdade marimbava para aquilo, nunca tive prazer em guerras, por santas que fossem. Perdi o jogo com facilidade, claro, mas fosse esta conversa ao presente e teria resposta para ele, dir-lhe-ia com todas as letras qual é o maior trunfo de ser mulher, o trunfo que derrota qualquer macho. Anda cá, chega lá aqui que é para ouvires o que já sabes.

Eureka

Descobri em mim uma outra mania e vou arejá-la seguidamente.
Até aqui só tinha uma mania: a que tenho manias, leiam bem, por favor, tenho a mania que tenho manias. Como já referi, tenho outra mania: a que sou escritora.
Estou cada dia mais completa e folgo por isso, sem juízos. Conquanto não haja que vocalizar a frase 'eu sou escritora', se puder mantê-la apenas na forma escrita, pois muito bem, é na boa, eu consigo escrever que 'sou escritora' sem problemas de maior. Manias...

O vizinho-criança

Eu estava à varanda inspirando o agradável ar da noite. Ouvi uma vozinha lá de cima a chamar-me:
– Senhora! Ó senhora!
Olhei para cima e vi um menino que por vezes vejo a brincar lá em baixo, quando ainda é dia. Sem me conhecer, anunciou-me que estava á janela à espera da amiga Sandra e que fez ontem anos, nove, frisou. Falava cheio duma alegria e à-vontade que só as crianças possuem. Dei-lhe a atenção que me lembrei de dar, ou seja, não fui lá muito conversadora, para mim as crianças são uma classe difícil de lidar. Ali pelo meio tive vontade de lhe dizer uma piada:
«Ah pois, deves estar muito crescido mas eu daqui não te consigo ver bem...»
Mas achei melhor deixar-me de larachas das minhas, pois se nem os adultos as entendem...

Estações do ano

O verão vai alto, o sol vai baixo. Fogem um do outro, ao que parece em sentidos opostos, pois se um corre para cima e outro para baixo... Mas a colisão é inevitável, quando colidirem chega o outono.

Café

Seis cadeiras, seis chávenas de café. Todos vazios; uma dúzia de objetos vazios.
Da mesa ao lado, essa sim, cheia, soavam as vozes discordantes mas alegres, dentre o burburinho alguém se destacou, ouvi dizer que «convive bem com toda a gente'.

Eu não. Eu não convivo bem com ninguém. Nem comigo. A convivência é-me obviamente necessária mas eu cá não sei fazer nada disso assim, pelo menos não muito bem, talvez conviva assim-assim, vá.
Que pena não ser boa nestas coisas do convívio, ia ser tão bom.

A jeito

Convém que a gente seja como nos dá jeito, ser como os outros nos querem ver não é lá grande coisa...

Praxes

Chegaram as praxes dos académicos das redondezas. A alameda está cheia de magotes e bruaá, em certos momentos entope e tudo, ficamos com os olhos e os ouvidos congestionados.

Oreo, a bolacha maravilha


Começo os escritos de hoje com um docinho. O que de melhor existe para atenuar os horrores desta vida que um paladar doce e uma textura fofinha? Então vamos a isso.

Mousse de Oreo

Ingredientes:

• 3 pacotes de natas (600 ml)

• 2 pacotes de bolachas Oreo (300 gr)

• 1 lata de leite condensado

Preparação:

Bata as natas até ficarem sólidas. Junte o leite condensado e misture bem. Por fim adicione as bolachas previamente desfeitas na picadora e envolva tudo.
Para decorar, deixe de lado 4 bolachas, parta-as ao meio e coloque-as em cima da mousse depois de pronta.

Nota: esta receita foi-me gentilmente cedida pela filha da Dulcineia, creio que a encontrou na internet. Obrigadinha, ‘miga.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

As aventuras duma balconista de regresso ao trabalho

Preâmbulo

Podia dizer que é a parte dois d' «As aventuras duma balconista de regresso ao trabalho» mas isso implicaria continuar mais uns dias com este tema, ideia que não me apraz, sei que me farto de tudo com facilidade e assim antevejo o enjoo. Esta não é a parte dois de porra nenhuma, portanto, é, isso sim, um texto ao qual decidi dar o mesmo título e apresentar com as mesmas características porque o nível de criatividade anda baixo.

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Tenho saudades dos ricos filhos, estava habituada a estar com eles por perto todo o dia. Agora sinto a falta da sua presença, vozes, ditos engraçados e leves, tão próprios dos jovens.

Os adornos - brincos, anéis e pulseiras – estão a fazer-me uma confusão do caraças, cócegas e assim, o que contribui um tudo-nada para me enervar.

Ontem mantive a esperança de me inspirar por estar no lugar que mais me impulsiona a escrita. Hoje subsiste ainda uma réstia dessa esperança, quiçá vã. Tenho mais o que fazer mas estou a escrever.

Já vislumbrei pessoas de quem não tinha saudades. Já tomei consciência do mundo real, da vida real, das pessoas reais.

Escrevo para não chorar. Não, não estou triste. Não sei desenvolver o fenómeno – ou deveria dizer absurdez - mas querendo explicar, não passa disto: escrevo para não chorar.

Almoço: bife de peru com arroz branco e salada mista. Como pouco, a zona fazendo a vaza de atenuante do apetite, outra vez.

Desculpem lá o abuso mas eu sou boa de caras, muito boa mesmo. No lugar da musa, lá ao fundo, vi um jovem que antes das férias tinha um penteado invulgar, uma franja grossa e comprida, já escrevi algumas vezes acerca dele. Hoje vinha com pente 3, quase careca, estava muito diferente, todo o rosto se alterou mas reconheci-lhe imediatamente os gestos e a postura elegante e reservada.

Continuo sem conseguir ler. Ontem parei a leitura num pequeno excerto que me teletransportou para uma vacuidade indesejada, a masmorra, ou lá que é isto, sinto que sou parte daquelas palavras, estão gravadas no meu cérebro, por isso saltam à vista nas minhas atitudes e expressões:
«Segurava a carteira com as mãos, encostada ao ventre, e fixava-me com um ar de inocência e de enfado.
'Cá estou eu', dizia ela. 'Se para si for cedo demais, posso esperar, ou se tiver mudado de ideias...'*.
Dificilmente sairei da masmorra, por agora. Eu sou assim, tal e qual, frontal e lacónica nas introduções à conversa e sempre disposta a não aborrecer ou melindrar.
Sou terrivelmente desconcentrada, e nestes últimos dias piorei substancialmente. Se não há concentração para ler, a ver se escrevo então, que a bem da verdade é o que me está a faltar.

Cinco da tarde, hora de mais um passeio. Comigo tem de ser assim, há que sair para arejar, sofro dos nervos.
Enquanto caminho dou as boas-vindas ao sono, tenho as pálpebras pesadas, mal abro os olhos. Este entorpecimento é bom e sabe bem, a dormência leva-me para longe a vida, pouco me importa que uns mandem raios à direita e outros lancem bátegas de água pela esquerda, que vão todos dar uma curva enorme...

Uma conhecida minha diz que se tivesse de escrever uma história, escreveria sobre a cunhada, que é linda e tem sofrido grandes dissabores na vida.
Concordo → a cunhada dela é indubitavelmente linda, e sei por experiência que as pessoas vistosas... São isso mesmo, vistosas, dão nas vistas, é um 'empurrão' para escrever. Mas eu, que tenho a mania que sou escritora, escolheria uma pessoa cinzenta, donde não chispassem espectros luminosos, sem relevos instantâneos, pois o meu prazer em escrever é colocar o secundário no protagonismo, destacar o insignificante.

*In 'O olhar das mulheres', Max Gallo (página 114) 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

As aventuras duma balconista de regresso ao trabalho

Las Chapas, 28 de agosto de 2012

Primeiro a notícia mais importante: a roupa de trabalho ainda me serve, para meu gáudio. Rejubilei, portanto, o que não costuma acontecer, que aquela indumentária deprime-me de sobremaneira, e aqui já não estou a falar de larguras.

De manhã, no carro, vinha escrevendo um post na minha cabeça - que é mais ou menos o que faço em todos os instantes da minha vida – resumiria num texto toda e qualquer pessoinha que entrasse loja adentro, referindo que todos iam perguntar ‘então e as férias?’, e imaginava que veria a dona Adelina, a dona Luísa, a dona Delmira, a dona Marília, a dona Maria do Céu... Mas ninguém apareceu. Excetuando as últimas duas, sendo que a primeira nem se lembrou das minhas férias e a segunda veio pedir emprestados dez euros, o que as coloca bastante arredadas do assunto ‘férias’, pelos vistos.
Tomei contacto com vendedores e clientes, já se sabe, uma balconista não o é sem estas classes. Reformulei pela enésima vez o pensamento desmoralizador: não tenho vocação para esta profissão.
Dos vendedores, um, ao telefone, foi chato como a potassa – ou não fosse eu droguista -, queria vender tudo duma só vez. Outro, mais comedido, com um ar de Jeremy Irons mas em tamanho minhon foi tão simplório que deu pena, vá lá, homem, deixe lá um cartãozinho que eu prometo pensar em si quando o estiver a arrumar.
Dos clientes, um perguntou-me desde quando é que o restaurador olex é àquele preço, ao que eu me limitei a encolher os ombros e dizer baixinho: ‘desde agora’. Outro diz que um canivete pequeno é suscetível de ser mais barato, deu-me vontade de responder ‘cá para mim você gastou o dinheiro todo nas palavras’.

Almoço: peixe assado. Esta zona tem em mim o efeito de me tirar o apetite, o que não é de todo indesejável, a fome não me faz falta nenhuma.

No deambular, que retomei de bom grado, corria um ventinho agradável. A minha franja andava aqui aos rebolões, tapava-me a visão, quase desejei ter o penteado da miúda do rés-do-chão - que tem cancro e anda careca pela rua passeando o cão – mas sem a chatice do cancro, claro.
Que não se ligue muito a este item, são resquícios das férias, esse tempo que estupidifica qualquer um.

Um dos sofás pretos tem um pé torto, prestes a partir de vez, por pouco não caí eu. São aquelas senhoras da avenida que andam sempre a arrastá-los para se sentirem juntas e aconchegadas, ouvirem-se melhor.

Não consegui ler, tudo me desconcentrou. Preciso de escrever.

Na cave, tudo na mesma: o radio precisou da carícia habitual para se lhe soltar o som e as prateleiras estão empoeiradas e inertes, esperando que alguém lhes mexa → eu...

No resto do dia, tudo bem. Tirando a agonizante dor de pernas - já nem me lembrava que existia este tipo de dor, credo, oh céus -, mais a dorzinha de cabeça parva, a dorzinha é que é parva, não eu, pois tudo muito bem sim senhores, o dia passou-se muito bem mesmo. Só por dizer que tive pouco tempo para escrever, o regresso sempre me azafama, pouco descanso enquanto não vejo tudo encaminhado, daí este texto produzido à pressa, ainda que não se note pressa nenhuma nas minhas palavras, tenho a certeza, se algum leitor chegar aqui vai pensar ‘ena, que texto fantástico, nem imagino como escreverá esta senhora quando está inspirada’.


domingo, 9 de setembro de 2012

Zoom focal

Amanhã é dia de trabalho. Pronto, vá, eu confesso: tenho saudades. Não do trabalho, pois não trabalho por prazer, antes da envolvência, há certas coisas advindas dessa envolvência que me são vedadas, por assim dizer, em tempo de férias. Vou trabalhar.

Zoom focal, o título, é porque eu sou pouco criativa a intitular, e como esta fotografia tem essa máscara... Fica assim o assunto arrumado.

Las Chapas, 28 de agosto de 2012

Desejos

Como escritora, o meu desejo é publicar um livro só meu. Ou então, na falta deste concreto tão especial, ser a inspiração duma história. Quiçá este último desejo seja ainda mais especial e inalcançável.

Escolhas

Ninguém pode fazer escolhas, essa é a verdade. No entanto, é forçoso pensar que sim, posso escolher. É imprescindível que me embriague com essa ideia, quando não dificilmente me sentirei feliz.

Vizinhança

Há pouco quando entrei no blogue tomei um susto do caraças porque vi o post 'Tempo para observar a vizinhança' com 9 contagens.
Ora bem, não creio que os valores de visitas que rondam o meu blogue correspondam à verdade-verdadinha-verdadeira, sei que praticamente ninguém o lê, a maioria dos dias tenho uma visita ou duas, sendo que uma dessas é indiscutivelmente a minha, também visito o meu próprio blogue para verificar se está correto o que escrevi e se foi efetivamente publicado.
Por causa da pouca ou nenhuma popularidade, amando-me de cabeça em algumas questões, como por exemplo esse dito post, onde num só golpe sem grande profundidade esventro mais ou menos a cru as atividades ilícitas e/ou defeitos e questiúnculas dalguns vizinhos que não sonham sequer que gosto de escrever quanto mais que tenho um blogue. Por junto, ainda mostro uma foto propositadamente mal centrada para ilustrar a minha vizinhança.

Claro que quando escrevo me refugio sempre no facto de ser absolutamente impopular. Mas, e em conclusão: se casualmente alguém da zona esbarrar no blogue, posso eventualmente estar tramada.

Claro que quando escrevo me refugio sempre no facto de ser absolutamente impopular. Claro que não anda aqui ninguém a injuriar-me. Nove visitas...? Hum...

Vizinhança

O vizinho de quem falei ontem, o do carro que não vale a ponta dum chavelho, afinal também tem uma bicicleta, vi ontem à noite, quando vinha de passear a cadela.
Cheio de presunção, o dito, às voltinhas com a bicicleta para a gente o ver bem, nos apercebermos bem da sua presença, olhem só como sou bom e giro e sei curvar e tudo. É mais ou menos isso que ele faz com a bólide...

Olhos abertos

Ontem à noite não conseguia dormir, o meu vizinho de cima lembrou-se de falar à brava e alto que se farta. Por muito que me tentasse acalmar, mudar de posição, colocar o pensamento nas ovelhinhas, contá-las, ou isso, pensar em coisas boas, estilo o pôr-do-sol no Mediterrâneo ou as ondinhas do mesmo mar, um prato cheio de pasteis de nata ou uma taça de gelado de pistácio, brownies e doce de leite, nenhuma destas maravilhas estava a dar resultado, cada vez estava mais aborrecida, e eu sou uma pessoinha que não consegue dormir se estiver aborrecida. Nestes casos, que infelizmente não são tão raros como eu gostaria, a estratégia é ligar o rádio-despertador no modo sleep para ver se me deixo embalar pela música, que essa sim, embala-me, contrariamente à voz do malfadado vizinho. Só que... Por uma casualidade engraçada, a música que estava a dar era... I'm wide awake, Katy Perry.


Wide Awake, Katy Perry

I'm wide awake, I'm wide awake, I'm wide awake

Yeah, I was in the dark
I was falling hard
With an open heart
I'm wide awake
How did I read the stars so wrong?

I'm wide awake
And now it's clear to me
That everything you see
Ain't always what it seems
I'm wide awake
Yeah, I was dreaming for so long

I wish I knew then
What I know now
Wouldn't dive in
Wouldn't bow down
Gravity hurts
You made it so sweet
Till I woke up on
On the concrete

Falling from cloud 9
Crashing from the high
I'm letting go tonight
Yeah, I'm falling from cloud 9

I'm wide awake
Not losing any sleep
I picked up every piece
And landed on my feet
I'm wide awake
Need nothing to complete myself, no

I'm wide awake
Yeah, I am born again
Out of the lion's den
I don't have to pretend
And it's too late
The story's over now, the end

I wish I knew then
What I know now
Wouldn't dive in
Wouldn't bow down
Gravity hurts
You made it so sweet
Till I woke up on
On the concrete

Falling from cloud 9
It was out of the blue, I'm
Crashing from the high
I'm letting go tonight
Yeah, I'm letting you go, I'm
I'm falling from cloud 9

I'm wide awake
Thunder rumbling
Castles crumbling (I'm wide awake)
I am trying to hold on (I'm wide awake)
God knows that I tried
Seeing the bright side (I'm wide awake)
But I'm not blind anymore
I'm wide awake, I'm wide awake

Yeah, I'm falling from cloud 9
It was out of the blue, I'm
Crashing from the high
You know I'm letting go tonight
Yeah, I'm letting you go, I'm
I'm falling from cloud 9
I'm wide awake, I'm wide awake, I'm wide awake, I'm wide awake, I'm wide awake

Fonte: vagalume.com.br, mais concretamente daqui.

sábado, 8 de setembro de 2012

Clique

Olívia, a dócil criatura. A cadela, não eu, bem entendido.


Loures, 8 de setembro de 2012


Tempo para observar a vizinhança

Loures, 8 de setembro de 2012

Tenho um vizinho que passa o dia à janela do seu rés-do-chão, não fazendo,  portanto, a ponta dum corno. Consta-se que passa substâncias ilícitas através dos jovens do secundário e ao que parece possui um historial (afamado entre as gentes deste bairro) de ex-presidiário.
À parte estas questões, é notoriamente um bon vivant, é muito comunicativo e prestável, nomeadamente a abrir a porta da entrada aos vizinhos que chegam carregados com sacos de compras, isto estando dentro da sua casa. Dá a ideia de que o homem faz o que faz com as substâncias mas quer cair nas graças do povo, particularmente os deste prédio.
Fui várias vezes uma das felizardas a quem se lhe abriu a porta como que milagrosamente. Um amor, este vizinho. Desfazia-me em agradecimentos sempre que a minha entrada no prédio era favorecida por tão gentil alminha. Para que me interessa se o homem foi, é ou faz, né? Quero lá eu saber... Abra a porta, que a gente até esquece, vá.
Até um dia, pois há sempre um dia.
Um dia ouvi-o bendizer a mulher, que é uma moira de trabalho, que faz muitas horas seguidas, chega extenuada e ainda vai cuidar da bebé e da casa, batati-batatá, pardais ao ninho. Não me contendo, soltei um 'haja alguém que trabalhe!'. Asseguro que só quis ser engraçada mas não obtive sucesso.
(Pela boca morre o peixe...)
Resultado: o homem nunca mais me facilitou a entrada... Venha eu carregada, ou não.

Tenho um vizinho que tem um Ford Fiesta. Anda sempre em alta velocidade por aqui, fazendo crer que tem uma bólide nas unhas. Mas não tem. Não sei explicar isto, só sei que o carro não vale nada. Não há praticamente dia nenhum em que não veja a porra do homem. É enorme, tem uma voz possante, é presunçoso que se farta. Já chega, que já estou a dar importância a mais...

Os meus vizinhos de cima são pretos. (Fica mais bonito se escrever africanos, né?) Pelo que se me consta são cinco: pai, mãe e três filhos ainda crianças. A miúda do meio caga-se de medo da Olívia, vá-se lá saber porquê, a minha cadela é um doce de bichinha. Agarra-se ao irmão mais velho ou à mãe ou ao pai. Raio da miúda, pá! Um dia 'inda lhe pergunto: 'olha lá, tu és preta (ai, perdão, africana) e a Olívia também é escurinha, já viste? Não tenhas medo, rapariga...'

Sonhos

Sonhei que o homem da cafetaria ia fechar o café, que se lhe tinha acabado o dinheiro para a renda altíssima e ele não aguentando mais, fechara. Estava triste e cabisbaixo, mal falando comigo, com aquele meio olhar, as pálpebras sustentando-se pela metade. No sonho era sexta-feira, 30, segunda-feira já seria outro mês. Eu também estava triste.
Foi bom acordar.

Sonhei com roupa interior feminina. Reduzidíssima.
E por aqui me fico, para não talhar o blogue. Como fiz há pouco com o molho de natas para os bifes do almoço. Deixei ferver e talhou. Acontece quando se exagera.

Registo

Tenho saudades de usar saltos altos.
Não os uso por preguiça.
Chegada a hora de sair enfio os chinelos e já está.
Pausas para férias têm este efeito em mim.
Há que contrariar.
A vida é assim: efeitos e contrariedades.
Por mesquinhos que sejam.
Mesmo de férias.
Principalmente de férias.
Mesquinhos, principalmente estando de férias.
Pois a vida, se é uma vida de férias, é mesquinha.
Levantam-se os trabalhadores e pumba, vem a mesquinhez.
Invejosos...

Registo

Enalteço demasiado as pessoas. Ninguém merece.

Falta o Marinho...

Era agosto, ainda. Passei junto ao gradeamento da escola pública, vazia nessa altura, e vejo uma figura pequena e redonda lá dentro, varrendo o enorme espaço. Era um homem mais ou menos da minha idade, que em tempos foi criança, como eu. Brincámos juntos, às escondidas, só os dois, é a recordação mais viva que tenho. Era giro brincar com ele, fácil. Não gostava da desordem nem de guerrear, já em criança essas facetas representavam um entrave nas minhas relações, logo, éramos grandes amigos.

É o Marinho, um dos jardineiros aqui da cidade.

Meti-em com ele, chamei-o:
- Marinho!
Atendeu-me e aproximou-se, perguntei-lhe se se lembrava de mim, tirei os óculos escuros para o facilitar, fez um esgar duvidoso.
- Sou a Gina...
Lembrou-se imediatamente, vi no seu rosto. Senti-me aliviada. Reconheci-lhe traços físicos da mãe, inclusive, e por estranho que pareça, o tom da voz. Entretanto fiquei vazia, sem assunto, sei que a mãe e o pai morreram há vários anos, não ia perguntar por eles, e a irmã é uma pessoa que não me interessa... O local e a sua atividade salvaram-me.
- Andas a limpar a escola?
Retirava as plantas que cresciam nas juntas dos mosaicos, que agora, sem as crianças por ali, haviam crescido imenso, e para além disso com a escola de repouso é que era.
Perguntei-lhe se se importava que eu lhe tivesse chamado Marinho, pois era conhecido por esse diminuitivo na infância. Claro que não, disse, ainda há pessoas que 'coiso'.
Ali pelo meio fui-me lembrando que ele teve um deficiente aproveitamento escolar, nunca foi muito esperto na escola e isso afinal refletiu-se na sua vida adulta, sendo que ainda diz 'da Murteira' quando deveria dizer 'na Murteira' e tem grande dificuldade em se expressar.
- Gostei de te ver, Marinho. Mesmo a sério.
- Também gostei.
Falámos pouco, não passou disto. Curioso como as pessoas que tanto preencheram a minha vida, hoje, chegada a este estágio, não há cumplicidade, a menos que me agarre ao passado. Mas o passado não me sustenta...

Camisola

Fazer as minhas próprias roupas torna-me uma estilista doméstica. Foi a expressão mais aproximada da realidade que encontrei para me expressar neste tema - estilista doméstica, soa bem e também parece bem quando escrito.
Assim, sendo original com base no
'aquisição de tecido com padrão que toda a gente pode ter igual, assim comprem na mesma loja que eu'
em conjunto com o
'confeção de modelo que toda a gente pode fazer igual, assim tenha o mesmo gosto que eu'
dificilmente alguém combinará o mesmo tecido e o mesmo modelo que eu. Presumivelmente, pois com certeza.

Ontem, antes de sair de casa, ao abrir o roupeiro dei de caras com uma determinada t-shirt da minha coleção. Mas não a escolhi.
Ainda bem.
Passei ao lado duma mulher com uma igual...
Escolhi um dos meus modelos.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

7

7 de setembro, hoje. O mês de setembro devia ser o mês sete.


Loures, 7 de setembro de 2012

Comezainas

Nestes dias tenho visto o canal 24 Kitchen. Retirei ensinamentos e ideias.

O jantar foi ideia do Nigel, a sobremesa do Viriato. Respetivamente: coxas de frango com mel, limão e especiarias, tarte Tatin.

Ainda me falta experimentar dois bolos de banana, um bolo de chocolate com frutos vermelhos e uma tarte de peras com queijo azul, tudo inspiração do meu amigo Rudolph...

Registo

E pronto, já estou mais contentinha. Ontem escrevi à farta, hoje à farta escrevi. Sei que me repeti um bocado, o que me aborrece, mas sinto uma certa necessidade de me afastar de negativismos, por insignificantes que sejam. Para quê ou quem é que interessa se me repito, se torno a escrever o que já está gasto?

Este é o meu último dia de férias, o fim-de-semana não conta como férias. Fiz muito pouco daquilo que queria, a minha lista de afazeres ficou praticamente toda para trás. Não era assim que eu queria mas trocaram-me as volta todas...

São catorze e cinquenta a sete. Vou sair. Hoje está mais fresco, não devo sofrer os horrores de ontem.

Post atrasadíssimo

Esta semana andei por Lisboa um dia inteiro. Claro que os arredores do meu local de trabalho sofreram com a minha presença, por assim dizer, o que me devolveu uma sensação agridoce: o local onde mais sofro em contraponto (tantas vezes a custo) com a inspiração para escrever, desejável e crescente, que sempre me conforta ou espevita, depende.

Esta alminha estúpida, que está de férias, correu à loja, colocou uma caixinha com creme para as mãos que aplicará em dias vindouros em cima dum compartimento que está em cima da sua secretária, duplicou não uma, não duas, não três, mas sim quatro chaves e repôs algum stock nas prateleiras.

Almocei com o meu colega, o qual, a bem da verdade, me pareceu pouco saudoso da minha presença. Como sempre partilhámos a sobremesa, o pastel de feijão desta vez veio dividido à proporção de 55/45, claro que comi a parte 55, escolhi primeiro.

Vi a senhora doutora açoriana… que não me viu, o que não me atormentou.
Vi a dona Alda… Anunciei-lhe que ia certificar-me se a avenida estava no mesmo sítio. Esta é uma piada particular entre nós duas, mas que, afinal de contas, também serve estando eu de férias.

Uma mulher desdenhosa conversa com voz fininha para fazer a vaza de alguém que lhe disse coisas aborrecidas. Tem um vestido às florinhas, largo, que ajusta com um cinto para demarcar as formas. Não consegue.

Não sei dar nas vistas. Para começar, não quero dar nas vistas, por isso não sei.
Percorri num sentido o átrio dum centro comercial de chinelos de enfiar os dedos, percorri no sentido inverso com umas sandálias de salto alto calçadas. Não mudou nada.

Retorno ao lugar da musa. É talvez a minha única e verdadeira saudade no que concerne à já referida envolvência.
Claro que a inspiração voltou – é o lugar da musa!
Em catadupa.
Quando dei por mim tinha no colo:
a mala;
o livro;
os óculos escuros;
a bolsa que continha os óculos de ver ao perto;
o bloco rudimentar
e a caneta.
Alterei a ordem dos gestos enquanto bebia café. Fui lembrando que o costume é mergulhar o pau de canela no café, deixar repousar enquanto trinco a bolachinha, chupar o pau molhado no café e voltar a colocá-lo lá dentro mas desta vez a extremidade oposta, comer o que sobrou da primeira dentada na bolachinha, voltar a sugar o pau.
Estou de férias, tenho o dever de fazer coisas diferentes, baralhei todos os gestos, inconscientemente não quis saber de rituais. Ânsia, tenho é ânsia. Deveres, agora não, por favor.
Fiquei neste lugar encantado até se me acabar o tempo.

Fui ao cabeleireiro. Tinha de ser. Mesmo. Que precisada estava...
Assim que me sentei na cadeira perguntei ao Mimi se era necessário tirar as pendurezas, os brincos, que eu cá tenho sempre de dizer uma graçola.
Pedi dois copos de água duma assentada, ele trouxe um de cada vez.
Suspirei. Perguntou se estava cansada. Respondi que sim. ‘Oh, agora vai melhorar, que já vai sentir as minhas mãos.’
Hum, está bem então. Todas as mulheres deviam ter um homem destes. Devo dizer que não o tenho há muito tempo, não.

A vida continuou, após os melhoramentos. Com o caminhar, percebi que a vida gira de tal forma, que faça o que fizer estarei no mesmo lugar e serei a mesma pessoa, conquanto não se me acabe a vida.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ervilhas com ovo

Loures, 6 de setembro de 2012

Ervilhas no plural, ovo no singular,. Não sei que raio se mete na cabeça das pessoas para referir o ovo no plural: 'ervilhas com ovos'. Ervilhas com ovos?! Bah! O ovo é só um, pá...

Gosto imenso deste prato (olha outra patacoada, como se alguém comesse o prato...), costumo fazê-lo só para mim, que cá em casa mais ninguém o aprecia. Esmerei-me, tive direito a limonada e tudo, com folhinhas de hortelã apimentando a fresca bebida.
O comando à vista é para dar o toque de férias, ver tv, para mim, é muito menos comum se não estou de férias.

Estou de férias. Agora foi só para escrever 'férias' novamente, que o post não tem essa palavra vezes que me cheguem.

Registo

«Confesso que o que mais me apetece fazer é publicar antes de mais nada uma das fotos mais lindas que tenha das férias anunciando que cheguei, depois um só post com todas as fotos que ache por bem publicar, por forma a ilustrar a estadia e, alfim, um longo, extenso, exaustivo texto com todos os meus escritos destes dias, sem pudores, ou seja, tal e qual como estou a escrever, com as rasuras e tudo. Mas logo se vê.»

Não fiz assim. Esqueci as rasuras e melhorei o texto (alterei, ajustei, acrescentei, adjetivei).
Se fizesse assim apresentaria um texto algo incompreensível, escrever à velocidade e maneira do pensamento, no meu caso, não traz boa coisa, é depressivo, já não me agrada escrever só para mim.

Diário das férias lá fora
(Segunda parte, a dos textos)

Las Chapas, 25/08/2012

Estou em Espanha, de férias.
Agora estou na praia.
Vinha no caminho pensando no que queria escrever e são muitas as coisas:
arvoredo,
arbustos,
railes,
arbustos com flores cor-de-rosa no meio,
betão, betão,
alcatrão, alcatrão
(a repetição é propositada),
sol em bafos quentes.
Seiscentos quilómetros disto assim.
Tenho fome.
São seis e tal, ou lá que é. Estou cansada que me farto, levantei-me da cama às quatro da madrugada. Tecnicamente, para mim, são para aí umas dez da noite ou isso.


Las Chapas, 26/08/2012
9:40
Tenho montes de assuntos bailando na cabeça, quero escrever, muito embora não me apeteça. Claro que não. Mas pronto.
Os assuntos; acontecimentos; cenas; ocasiões; pensamentos, são de ontem, que hoje o dia mal começou.
Bebo café. Fresco e morno. Forte e pesado. Tão bom. Fui eu que fiz...
Não sei se gosto mais da piscina ou da praia. A piscina tem aquele encantamento limpinho e protegido, sadio, e um frescor claro e transparente. Mas é artificial, a água não flui, puseram-na ali e já está, podemos mergulhar e nadar e não se fala mais disso. A praia tem o luxo do imprevisível, para mim o fator surpresa é luxuoso, agrada-me ficar à mercê do mar. Não se sabe se está vento, ondinhas de brincar, ondulação moderada, ou se por outro lado o mar está chão. Gosto desta corda bamba, é assim que costumo equilibrar-me. Ademais, na praia há pessoas, falas, risos e movimento. Há vida, o mundo são as pessoas.

14:20, mas, descobri agora, pela hora portuguesa.
O bilhete, é isso - escrever do bilhete. Deitei-o na sanita, foi por ali abaixo, engolido juntamente com os detritos. Água, autoclismo - agora me lembro que curiosamente o nome da localidade onde me encontrava é Aguadulce. É para rir, isto do bilhete rasgado, levado pela água doce de um autoclismo.
E é assim (suspiro)... Estou hospedada num apartamento que cabe inteirinho, sem tirar nem pôr, na minha sala. O espaço é exíguo, mesmo. Mas, não desanimando, que isto são férias e a verdade é que não passo tanto tempo assim aqui encafuada, quando cheguei pus-me a arrumar as roupas e os apetrechos que trouxe de casa, desviei os móveis, retirei os bibelôs baratos e coloquei-os em cima do roupeiro. Ficou-se logo com mais espaço. Faço sempre assim desde que cá venho mas este ano fiz uns melhoramentos:
coloquei os alhos na molheira (não uso molheira);
o sal no açucareiro (não uso açucareiro);
as bijutarias na leiteira (não uso leiteira);
e aproveitei as bordas do móvel da tv para colocar as várias garrafas de água, ficaram assim como que em fila indiana, aguardando a vez de serem introduzidas no frigorífico ou consumidas ao natural, depende.
Lembrete: comi uma sobremesa invulgar para o meu paladar, um pudinzinho cujo sabor era tão extraordinário como deslavado, o que lhe conferiu uma enorme estranheza.
Quero ver se tiro uma foto na piscina imitando a capa de um livro qualquer que vi no lugar da musa pouco antes de partir: a cabeça pendendo para dentro da piscina e o corpo de fora. Quem vai ter a trabalheira de me tirar esta foto é o Luís, claro...

21:20, (hora espanhola)
Há bocado, na praia, a psique sofreu um abalo. Deitei-me inclinada para baixo, ao contrário da maioria das pessoas, cabeça em direção ao mar e pés para a marginal. Calhando foi por isso. Eu sei que sofro de distúrbios menores, ou seja, não funciono lá muito bem de vez em quando.
Tenho pensado no que hei-de escrever quando chegar a casa, se publique estes textos virgens. É verdade que tenho escrito como se estivesse no blogue, de uma forma encapotada, sem revelar o mais íntimo. Talvez devesse deixar-me disso, poderia aproveitar para arranjar um outro tipo de escrita, agora que estou aqui e ninguém me 'ouve', aqui é que ninguém me 'ouve' mesmo, posso arranjar uma escrita informal, virgem, por assim dizer, assim o queira.

É noite cerrada, são onze e tal. Eu e o Luís fomos passear por aí. Ele disse-me que o mar lhe transmite uma sensação de pequenez, por ser imenso, sente-se como fazendo parte do universo e então o contraste da imensidão do mar com a sua fragilidade é nisso que dá - impotência.
Eu não sinto assim. Sinto que o mar é o mar, eu sou eu e pronto. Tenho medo se estiver lá dentro, no seu espaço, porém assim, observando de fora, não, talvez por não me sentir fazendo parte do mundo em geral.



Las Chapas, 27/08/2012


São onze e trinta e dois, horas no relógio da piscina.
Chegaram os meninos cândidos. São cândidos por serem lourinhos platinados, infantis e puros. Há uma qualquer crença visual no louro que nos empurra para a candura.
Há pouco, na viagem de elevador, fomos sugados até ao andar de cima, que alguém tinha feito a chamada primeiramente. A porta abriu e vimos um senhor com dois cobertores debaixo do braço que nos retribuiu o olhar de condescendência, pois não cabia mais ninguém. Depois, para nosso espanto, fomos sugados mais uns andares acima, onde estava outro senhor que imitou a exclamação da rica filha: 'oh-oh!'. Ficámos ainda mais espantados por subirmos ainda mais uns andares, desta feita fomos até ao último piso (14º) onde uma senhora aguardava pacientemente o seu transporte e que nos sorriu resignada quando viu o elevador cheio. Isto de estar num local turístico tem destas coisas, as pessoas sorriem mais e são mais complacentes, pouco dizem pois não sabem com que raio de língua falarão...

Não sei se são duas e tal da tarde, se são três e tal, se quatro e tal. Isto porque ando baralhada com as horas que os telemóveis demonstram, parece que afinal não mudaram automaticamente em simultâneo com o serviço roaming, e a box da tv do apartamento minúsculo também parece de acordo com a hora portuguesa porque está numa grelha de transmissões britânicas e as horas na Grã-Bretanha são iguais às nossas... Para conturbar ainda mais o meu espírito, ocioso ao momento, a hora estando adiantada faz os dias maiores, a luz cessa mais tarde, o que não ajuda a orientação. Claro que estando de férias tenho o dever de descontrair, mas sendo necessária atenção à abertura / fecho do supermercado aqui ao pé por causa do pão quentinho... Tenho de me situar no tempo. Ademais, tenho de prestar atenção ao pico do sol escaldante e maléfico.

São não sei que horas e estamos na praia.
É segunda-feira.
Desta vez tenho esquecido de mencionar os dias da semana.
Hoje o mar está flat - e eu que evito os inglesismos -, que é como quem diz: liso, plano, calmo. Por entre a mui ligeira ondulação o sol reflete uns laivos dourados na água, muito belos e singulares. Há peixinhos ziguezagueando por entre as nossas pernas, que serão mesmo peixinhos, pois a água aumenta o seu tamanho consideravelmente.


Las Chapas, 28/08/2012, terça-feira

São seis e tal.
Estou na praia.
Ontem, num centro comercial aqui do burgo, vi uma mãe jovem e uma filha de uns três anos vestidas de igual. Igual dentro do possível, claro. Ambas de calções de ganga muito curtos, blusinhas de algodão branco e botins de camurça com franjinhas nos tornozelos, num estilo cruzado entre hippie e country. O curioso desta cena temática é o facto de a criancinha tomar para si um pouco da sensualidade da mãe e a mãe por sua vez tomar um rasgo da infantilidade da filha, tornando o quadro bastante interessante.

Niki Beach.
Um homem apara os pelos do nariz com um objeto pontiagudo, uma tesoura, uma pinça, não sei, só sei que era dourado. Pus-me a pensar se seria ouro, uma vez que este é um dos lugares mais luxuosos da Europa.
Isto era para rir... Ou sorrir.

Acho as fotos apresentadas e/ou publicadas na internet que tenham a marca de água, uma espécie de tolhas de hotel com o habitual logótipo em relevo. Ou seja, não se podem roubar sem que toda a gente perceba a procedência.

9 e tal da noite
Tenho andado a pensar como fazer como o que escrevo aqui.
Transporto para o blogue tal e qual?
Faço váriso posts?
Um em cada dia?
Ou marimbo para os leitores, produzindo um longo e malfadado post que (provavelmente) ninguém senão eu lerá até ao fim?
Coloco as fotos à medida dos dias?
Juntamente com o texto?
Estilo: agora escrevo, agora mostro?
Ou publico todas as fotos num só post antes de um só post de escritos?
Não sei...
Confesso que o que mais me apetece fazer é publicar antes de mais nada uma das fotos mais lindas que tenha das férias anunciando que cheguei, depois um só post com todas as fotos que ache por bem publicar, por forma a ilustrar a estadia e, alfim, um longo, extenso, exaustivo texto com todos os meus escritos destes dias, sem pudores, ou seja, tal e qual como estou a escrever, com as rasuras e tudo. Mas logo se vê.

De manhã na praia estava nevoeiro e calor. Também não havia vento. Uma combinação invulgar. O mar misturava-se com a nebulosidade, adquirindo a mesma cor. Bonita imagem, a que está na minha cabeça.



Las Chapas, 29/08/2012

9 e tal da manhã (hora espanhola)
Ontem à noite saímos, eu e o Luís, para andar um pouco por aí por essas ruas cuidadas e certinhas, que se assemelham a um jogo de monopólio de aldeamento turístico, caso existisse um. Estava um noite tão asfixiante que a visão circundante se tornava sinistra e arrebatadora, parecia-me irreal que estivesse assim tão quente e tão ausente de vento, que sufoco! Não corria sequer uma brisa, nem ligeira. Suponho que os nossos pés pousando nas folhas secas pelo tempo arredado de humidade, tão próprio desta zona, ouvir-se-iam a vários metros de distância.

Fuengirola.
As espanholas são tão putas como as portuguesas. Retirei a máquina de dentro da mala para fotografar o gelado de copo com o mar em fundo, quando ouço uma espanhola mesmo atrás de mim: 'mira la foto para la internet!'

Nove e dez, é quase noite.
Daqui vê-se o Mediterrâneo, alguns cumes de altos rochedos e a linha do horizonte onde não limite nenhum, quanto mais uma linha... Desconhece-se onde acaba a água e começa o céu, tal a mescla de cores, essa é que é essa.
Estou na varanda de um apartamento espanhol, num desses lugares de férias, hoje tão em voga.
É quase meia-noite. Praticamente não vejo o que escrevo. Os ricos filhos nadam lá em baixo na piscina, felizes e contentes. Vou ter com eles.

Regresso.
Estava-se bem na piscina, a água morna e lânguida. Ao sair é que foram elas...
O rico filho comentou que hoje, sendo quarta-feira, é aquele dia em que a partir daqui o restante tempo de pausa passa 'bué da rápido'. Todos concordámos, é assim mesmo que acontece. Eu sei que eles gostam de estar aqui mas têm saudades, acontece o mesmo comigo. Assim de repente a maior saudade é da minha caminha... Depois, sinto muito a falta da Olívia...

É quarta-feira, dia de limpeza e troca de lençóis e toalhas. A senhora da limpeza deixou um papel rubricado provando de certa forma que fez a dita limpeza. Achei graça ao nome dela: Maria del Mar. Tem tudo a ver com a zona, por isso registo.



Las Chapas, 30/08/2012

Dez e qualquer coisa da manhã.
Temos saudades da Olívia, todos os dias a lembramos e alvitramos o que ela iria fazer, com iria reagir neste ou naquele contexto, estamos faltosos do seu carinho e atenção. Quero voltar a ser acordada pelo seu afago canino, que consiste em procurar a nossa retribuição com o focinho, ou ir mais além e lamber-nos.

Aqui os cacetes compridos são acondicionados à francesa, ficando com uma das pontas de fora. Um dia desses, o meu cacete sem proteção, a parte descoberta, roçou no peito nu de um homem que viajou comigo no elevador.

O último item que escrevi foi vivido há três ou quatro dias, nem sei, que o tempo agora é balofo, sem consistência.
Escrevo bastante na minha cabeça, ainda. Tenho pena da não conseguir / poder escrever tudo, tudo, tudo, ainda.

Na piscina, 11:50.
Há quatro italianos, 'dos abuelas + dos nietos'. Não sei como se escreve em italiano, por isso grafei a castelhano as relações familiares destes quatro que observo.
Uma das avós, uma mulher que ao nível da cintura e peito é possante por demais, faz topless. Havia puxado a parte de cima do fato-de-banho pondo a descoberto os seios avantajados. Os netos (supondo eu que são familiares entre si) dentro da piscina, à beirinha, cochichavam, observando sorrateiramente a avó. Deram risadas , ainda que contidas, e a avó despertou daquela espécie de sono, de que nós, ociosos, costumamos desfrutar. A mulher levantou-se repentinamente e puxando o fato-de banho à pressa ralhou com o moço. Contudo, o ralhete, terá sido algo abafado pelo sítio onde se encontrava, presumo.

Uma mosca morde-me as pernas consecutivamente. Que chata, pá! Tenho de ir molhar-me, está visto.

Na piscina, seis da tarde, ou isso.
Eh, tanta gente na piscina!
Eh, tanta cabeça!
Eh, tanto corpo submerso!
De bruços, noto que um dos meus bíceps, o esquerdo, é maior e mais descaído. Provavelmente trabalha menos. Ai a inércia...

Chegando a casa hei-de ler todos os textos que escrevi para tomar contacto com o todo que foi as 'férias lá fora' e retirar a escória, o que não interessa. Mesmo assim, depositando no blogue um texto reduzido, tocando em pontos fulcrais, ou banais, ou publicáveis, creio que construirei um texto desinteressante para a maioria. Mas vou transcrever um texto daqui e publicá-lo no blogue, está assente.

Há pouco estivemos na praia. O mar estava revolto, se é que se pode achar revolução naquele mar… Eram só umas ondinhas maiores que o costume e uma força na rebentação bem mais forte.


Las Chapas, 31/08/2012

Na praia, dez horas e alguns minutos, presumo.
Ontem à noite houve incêndios numa destas serras circundantes. As proporções são grandes, o que é natural, uma vez que nesta terra é tudo grande, longe vai o tamanho do meu Portugal.
Amanheceu farrusco, ventoso, sombrio, contrastando vivamente com os dias anteriores. A varanda tinha restos de cinza e outras partículas, sinais do dito incêndio. Calhando, o tempo embrulhado deveu-se ao incêndio…
Agora está sol mas o vento continua. A areia tem uns laivos mais brancos, parece matizada a duas cores, que giro.

Na praia, de tarde, cinco horas, mais pico menos pico.
Chegámos e todos nos olharam. A praia assim – quase vazia – tem esta particularidade, todos têm menos o que observar, a água não está tão apetecível, há menos que fazer, as pessoas entretêm-se com os recém-chegados, que são basicamente aquilo que mexe dentro da pasmaceira que pode ser uma praia num entardecer fresco. Por isso este sentir assim, esta atenção desmesurada que nos faz sentir como que numa pequena aldeia, onde há poucas novidades, onde a vida se apresenta tão redonda, sem fim à vista, acabada, é isso: acabada, por estranho que pareça.

Na praia, mais tarde um pouco, depois dum banho perfeito, quiçá o derradeiro.
Ora bem, é sexta-feira, não me lembro de mais nada para escrever, aquelas coisinhas pequeninas, esquecidas, escondidas nos ficheiros da minha mente… Sinto que queria escrever muito mais, mais e mais, antes que se me acabe o ócio de vez.
A praia é linda, a areia é cinzenta mas linda. O mar é verde. Verde água, claro… A ondulação anda ali entre o controle e a rebeldia, no meio-termo, vá. Há muito vento, temos inclusive de fixar as toalhas com pedras.

Na piscina, 6:15

O derradeiro banho. A seguir vamos às tapas, num determinado sítio que nos recomendaram.

Houve tapas e gelados no fim, servido num ‘cono pequeño’. A rica filha enganou-se e pediu um ‘coño’, a moça riu imenso e disse ‘no passa nada, isso es normal…’


1 de setembro de 2012, Algodonales, que é como quem diz: em plena viagem.

Parámos aqui, são dez da manhã, muito embora os relógios digam que são nove.
Há um cheiro muito forte no ar, parece-me pólen, é o setembro, só pode… Lá vem o outono.
Deixámos para trás o apartotel, piscina e praia, todos tão pertinho uns dos outros, tão alcançável… Enfim, bye-bye, ‘migos.
Aqui, na pastelaria, somos atendidos com dificuldade por uma jovem andaluza, a disposição dos habitantes daqui é bem diferente da zona de Marbella. Aí há uma tentativa em nos entender, nota-se que as pessoas se esforçam, possivelmente por estarem rodeados de turistas oriundos dos mais variados países. Aqui não. Paciência. Seja lá como for, assim é indício que estamos ‘realmente’ em Espanha, a pronúncia é bastante diferente, falam a cem à hora, ou assim, e só percorremos 150 quilómetros.
Há bocado, antes de sair, vi a última paisagem que quis guardar na memória: os muretes em volta dos chuveiros que estão no recinto da piscina brilham imenso, a noite ainda viva, o escuro envolvendo a restante paisagem e o murete, esse, branco de cal. A cal deve ter um refletor qualquer. E assim me despeço.


Loures, 02/09/2012, domingo, 22:55

Sim, Loures. Chegámos ontem à noite e desde aí ainda não me dispus a escrever.
Estava saudosa da cadela que neste preciso momento afago (foi-se embora, parece que percebeu) e da minha casinha.
E agora vou ler o ‘diário das férias lá fora’ que escrevi nestes dias para me ir inteirando dos assuntos que efetivamente vivi, para apurar o que considero publicável e assim começar a delinear o enorme post que vou construir e publicar no blogue.

0:10 (3 do 9 de 2012, portanto…)
Fomos buscar a Olívia esta manhã. Ficou completamente louca quando nos reconheceu, gemia e tremia descontroladamente. Deu pena mas teve de ser assim, tivemos de deixá-la cá…

Registo

Dezasseis e quarenta e um.

Cheguei há pouco.
Fui ao centro da cidade, tinha mesmo de ser.
No caminho, um calor sufocante, custoso. O sol de setembro é pior que muitos.
Fiz por esquecer esse calor, tentei não pensar nas baforadas que me assoalvam o corpo todo.
Tentei não pensar nele, no calor, como faço quando quero esquecer um amor impossível. Não pensar, enxotar, achá-lo desinteressante, assumir que não tem estofo para habitar o meu pensamento.

Dezasseis e quarente e seis.

Retorno ao longo post logo a seguir ao próximo ponto final.

Para que conste:

Tenho um longo post em construção, à noitinha apresentá-lo-ei, cheia de glória.
São catorze e cinquenta e cinco, vou sair e já volto para compor o resto.

P.S.
Estou de férias.

Férias

Férias... De que outra maneira intitular um post onde anuncio que vou trabalhar mais cedo do que o previsto?

Eu explico: iniciei o tempo de férias dois dias depois do previsto, logo... era suposto recomeçar o trabalho dois dias depois, mas... não senhores, esta manhã pediram-me encarecidamente que retome o jugo dois dias antes. Oh céus...

Sim, anuí. Sim, acordei. Sim, submissamente; humildemente; obedientemente; respeitosamente; docilmente. Sim, a minha vida profissional tem destas coisas. Sim, sim, sim, sim.

21

E festa acabou! Em bem...

Loures, 5 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

21

Alguber, 2 de setembro de 2012



Parabéns à menina que para mim sempre será menina, pouco me importando se já não o é.
21 anos é a idade que eu tinha quando casei, por isso sei de sobeja que a rica filha não é nenhuma menina.
E pronto, está o post feito, que eu tenho muito que fazer e vou já tratar do festim que vai haver cá em casa.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Diário das férias lá fora
(Primeira parte, a das imagens)

Como ontem mencionei, aqui estão as fotos (ver abaixo).
Desta vez o senhor Blogspot foi 'migo e dispôs as fotos pela ordem em que as carreguei, portanto posso afirmar que a ordem é cronológica, à razão de duas fotos por dia, mais coisa menos coisa.
Não comento as fotos porque quero que as minhas imagens valham por mil palavras. São quinze fotos que ilustram lazer e descontração, o que perfaz um total de duas palavras para quinze fotos... E eu neste momento sinto-me incapaz de debitar quinze mil palavras, já se vê. 

Hoje não vou fazer anúncio nenhum do que amanhã publicarei no blogue, pois para ser sincera, isso é como limitar a criatividade.
Caros leitores: divirtam-se com as minhas imagens, tomem lá beijinhos e um até amanhã.

















segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Post não sei quê

Tenho saudades de escrever.
Tenho necessidade de criar.

Talvez por isso a lista de compras que preparei pouco antes de ir ao supermercado não me fossem faltar itens imprescindíveis me tenha saído assim:
  • Coiso pa espalmar as batatas
  • Sacos pó gelo
  • Líquido pa lavar a carufa
Um dia isto muda. Hoje estou de férias e, ao que parece, o assunto não abunda quando assim é.
Ah, não me interessa que mude para melhor, só que mude já é bom.
Hum, a escrita hoje não me está a sair lá muito bem, é um post não sei quê...
Agora, para já, para já (a repetição é propositada), o que tenho a fazer é anunciar que amanhã publicarei fotos das férias, montes delas.

Loura+Cor Berrante


Eu ontem disse que hoje ia falar da loura e das cores berrantes, não disse? Só por dizer que falei no plural e não tinha nada de o fazer porque a cor é só uma.
Mas continuando, que isto está mesmo bom.
Apresento a loura e a cor berrante e acrescento ainda que já tinha falado disto num post anterior. (ver aqui)

Note bem: a cor do meu cabelo aclarou com o sol escaldante da Andaluzia,
a cor berrante efetivamente espantou os peixinhos do Mediterrâneo
e a família nunca me perdeu de vista. Eu bem disse.

domingo, 2 de setembro de 2012

De regresso

Las Chapas, 27 de agosto de 2012

Para começar devo dizer que já não me lembro muito bem como se escreve num teclado, vi-me e desejei-me para me lembrar dum título, oh céus... 'Inda por cima consegui um pouco ou nada original. Paciência, não tarda nada estou aí que não posso com tanta coisa na cabeça para escrever, atrapalhando-me a mim própria, já sei como é.
Adiante.
Pois é, cheguei, voltei, regressei, retornei, tanto faz. Estive de férias lá fora e agora já estou cá dentro. Trouxe saudades de casa e da cadela - e não são poucas - e montes de notícias e carradas de fotos das férias - muitas - que um dia desses anunciarei.
Por agora é só isto. Amanhã creio que falarei da loura e de cores berrantes.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vou para o ócio!

Praia de Santa Rita, 3 de junho de 2012

São oito horas da noite e eu ando aqui a criar fotos pirosas... E as malas por fazer, que horror de desleixo.
Ora bem, é agora, tenho de ir: vou de férias mas não demoro nada, não tarda estou aqui outra vez. 

Vou divertir-me 
e conversar 
e mergulhar 
e ler 
e comer 
e gargalhar 
e fotografar 
e viver e... 
Escrever e observar, 
ou então observar e escrever. 
Até já, então.