quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Gina, a mulher que tem uma mota

Não devia ter entrado para o grupo das motas.
Há um sítio na internet onde eles e elas se encontram para partilhar histórias de passeios e/ou eventos, ou então põem questões, e assim se esclarecem dúvidas com as experiências de uns e de outros.
Não devia ter entrado para o grupo das motas.
Pensei: olha, isto deve ser giro, partilham-se estados, a malta comenta, há uma interação saudável, há leitores, todos unidos por um assunto, o que é fantástico, e eu até gosto tanto de escrever e tal.
Não devia ter entrado para o grupo das motas.
Lá não se diz mal, não se fala de tristezas nenhumas, é tudo lindo, pintado com tons rosa e verdes esbatidos, não se espera que as pessoas hoje ou amanhã estejam maldispostas, zangadas, desesperadas com a vida.
Não devia ter entrado para o grupo das motas.
Ia ter de arranjar ou inventar um outro alter-ego, teria de ser um muito diferente do que uso no blogue, teria de escrever simpaticamente, contendo os ímpetos, portanto sem rajadas, sempre alegre. Alegre, alegre, alegre. A gostar muito da minha mota e dos passeios bonitos e das pessoas fixes que se movem tanto na virtualidade como na realidade. Teria de mentir conscientemente, e isso não sou capaz de fazer.

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