quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Diário de uma tarde mediamente passada - 12 de agosto de 2014

14:08; 20º; praça de Londres e isso.

Vida de sonho: o homem negoceia, a mulher embeleza-se.

Tenho tempo a sobrar, o que me causa fernicoques.
Hoje foi dia para rever a igual. Deu para ver que ela sai daqui às 3. Às 3 chego eu à loja. São 3 da tarde. Ainda estou no lugar da musa.
Daqui a nada vou bisbilhotar os cabides de 2 lojas de roupa, não comprar nada e sentir-me desgraçada e pobretanas.
Nem sei se logo à noite terei paciência para passar para o pc o que estou a rascunhar. Creio que sim mas logo se vê.

15:09. Chegou a circense. Há que tempos não a via. Se calhar ultimamente vem sempre a esta hora, e como se sabe, a esta hora não costumo cá estar. Tem os totós do costume, um vestido bordado a fios, ou lá que é aquilo, comprido, transparente, cujo forro não acompanha todo o comprimento, meias de rede com desenhos e sapatos de verniz, num salto grosso e ponta quadrada. Ah, o vestido tem presa uma flor amarela num dos ombros, o direito. Lacinho verde no toutiço.

16:11. A árvore amarela não tem as folhas amarelas, tem algumas folhas a amarelar.
Estou sentada no meu banco. A esta hora já o velho cá não está. Melhor.
Tenho tempo. Tenho tanto tempo. Oh céus.

16:28. Muro do costume, a planta do costume, à espreita, como de costume.
Agora me lembro: a luminosidade estava diferente quando entrei no lugar da musa. Entrei mais tarde hoje, atrasei-me porque estive a vender torneiras.

16:36, 28º, praça de Londres. O banco do costume mas a esta hora totalmente ao sol. Felizmente correu 1 ventinho. No entanto não me convém demorar aqui, mesmo que tenha as pernas à sombra.
Ouvi uma voz abafada.

16:50. Estou dentro do oval ajardinado da praça de Londres, longe ainda da estátua do poeta.
Estou farta disto de ter tempo. Doem-me os pés, tenho fome e preciso de fazer chichi.
Vá, vamos lá ter com a manicura que me vai retirar peles, polir unhas e pintá-las numa cor berrante.

Nota:
Transcrito a posteriori (no dia seguinte), tal e qual como rabiscado, porque sim, excetuando algum esquecimento de pontuação ou de uma letra ou outra. (Sim, eu, quando manuscrevo, às vezes omito letras, creio que se deve ao facto de tentar rabiscar rapidamente os pensamentos antes que me fujam.)

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